
E não foi propriamente para fazer turismo, embora hoje possa dizer que tive a felicidade de cumprir a missão que na altura era imposta a muitos portugueses da minha idade - a
mobilização militar para a guerra nas antigas colónias - sem sobressaltos, apesar de um companheiro não ter regressado devido a acidente fatal.

A esta distância e na perspectiva de quem olha as coisas de forma positiva, quase a vejo como turística, tal a saudade que me deixou.
Tive a oportunidade, que de outra forma não teria, de visitar um país de grandes belezas e, na altura, com um estilo de vida que tanto agradava a jovens com vinte e poucos anos, como era o caso.
Mas as belezas naturais, como Quedas do Duque de Bragança, Pedras Negras, Barragem de Cambambe, Mussulo, Barra do Cuanza, para além de muitas outras, não esquecerei jamais .
Fui de barco - o Niassa - mas o regresso fez-se de avião, que também utilizei quando vim passar
férias à então metrópole (o puto, para os nativos), a meio do tempo.

Foi na cidade de Salazar (primeiramente Vila Salazar), hoje N’dalatando, que decorreu todo o tempo de comissão militar, integrado no PAD/1245.
Uma cidade onde não se vivia com os problemas existentes noutros pontos de Angola ou noutras antigas colónias, com a luta pela independência.

Não admira por isso que nos déssemos ao luxo de “ir tomar café a Luanda sempre que nos dava na real gana”.
A cidade, como capital do Cuanza Norte, tinha sede do Governo Civil, Câmara Municipal, o Administrador da região, estabelecimentos prisionais e da antiga PIDE, estabelecimentos de
ensino público e primário, que iam desde o primário ao secundário e técnico, para além do quartel em que também tinha o Comando militar da região norte.

Havia bons equipamentos sociais, como cinema, piscinas, rádio local, estabelecimentos comerciais, estruturas desportivas, restaurantes e cafés, o que proporcionava um ambiente muito agradável para quem ali passava uma comissão militar, como era o meu caso.
A população local ou em permanência prolongada era sempre bastante elevada e a integração na sociedade local era muito fácil.
Posso dizer que tive até o privilégio de ter sido convidado para quantos casamentos, batizados, aniversários, inaugurações de casas, ou outro tipo de festas que se fizeram em Salazar, tudo graças ao meu equipamento musical e acervo de músicas que então se tocavam, que me eram solicitados a todo o instante.
Por todas estas razões bem desejava ver, ainda, Angola como um destino turístico por excelência.
Se assim fosse, com certeza que melhores seriam as condições de vida para o povo angolano, que bem merece um futuro mais digno e promissor.
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