domingo, 31 de Janeiro de 2010

Teatro e gastronomia - fim de semana em cheio

Este fim de semana estava projectado desde que soube que esta peça de teatro iria estar no Teatro Rivoli, do Porto. Tinha deixado passar a oportunidade de a ver quando esteve em Lisboa, então representada por Ruy de Carvalho e Eunice Muñoz, e não queria que o mesmo acontecesse agora. Mas por questões de tempo e de agenda, a verdade é que só no limite consegui os lugares necessários, precisamente no penúltimo dia em que a peça era representada no Porto, aqui interpretada por Manuela Maria e Joaquim Rosa. Mas graças a Deus foi possível.
E, tal como aconteceu noutras "idas para fora cá dentro", à semelhança desta dedicadas ao teatro, a gastronomia não foi esquecida. Mas não só.
Primeiro aproveitámos para ir conhecer o oceanário "Sea Life", no Castelo do Queijo, cuja visita já por outra vez saíu gorada por estar bloqueado o trânsito na Avenida da Boavista, devido às corridas automóveis. Não sendo de grandes dimensões, foi interessante conhecê-lo.
Aqui fica um pequeno vídeo

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Ainda deu para ver os preparativos da comemoração do centenário da implantação da República e o fogo de artifício da Avenida dos Aliados, ao final da tarde.
Já no regresso demos um salto até Aveiro para comer uma caldeirada de enguias.
Vira na TV um programa em que o chefe de cozinha do "Maré Cheia" preparava esta especialidade no seu restaurante e fui confirmar se o petisco era bom. E de facto é mesmo um bom petisco.
Depois do repasto ainda houve tempo para uma passeata por esta linda cidade e, finalmente, rumámos a casa com o espírito e o estômago bem saciados.
Por esta vez, porque outras hão-de acontecer, como esperamos.

quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Moinho tradicional na Holanda - Homenagem

Homenagem a Dick Wijchgel
aqui relatei a visita que em 1997 fiz a um moinho tradicional, na Holanda, e da oportunidade que então me foi proporcionada para fazer um vídeo do seu funcionamento, já que o moinho foi posto a funcionar propositadamente para nós. Uma experiência que não esqueço e que só foi possível graças às famílias Gerard-Coba e Dick-Marta, de quem sou amigo desde 1995, quando acompanhei o Rancho Folclórico Cova da Beira a um festival de folclore naquele país.
A responsabilidade pela actividade daquele moinho é do Dick Wijchgel, o que acontece desde há 30 anos. E esse facto foi merecedor de uma homenagem, tendo-lhe sido concedida pela Rainha da Holanda uma condecoração, que lhe foi atribuída recentemente.
Associo-me a esse momento e daqui envio um abraço de felicitações.
As imagens do acontecimento foram mostradas pela MiddelstumTv e a ligação para elas aqui fica:

quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

Votos para 2010: que não nos traga motivos de tristeza

Numa troca de mensagens de boas festas e em retribuição, foi-me desejado um Ano Novo com alegria.
Fiquei a pensar em tais votos e achei que realmente faz sentido desejar que haja alegria na nossa vida.
Mas a alegria é já um condimento ao dispor de todos nós, para que possamos temperar a vida na dose que o desejarmos.
Por isso, apenas desejei que o Ano Novo de 2010 não me traga motivos de tristeza. Tudo o mais já será motivo de alegria.
De qualquer modo, o que torna uma vida com a dose necessária de satisfação, ou de alegria, é o passado, o presente e o futuro. Aquele que desejo sem motivos de tristeza.
Do passado, recordar bons momentos e de algum significado, podem ser também a satisfação do presente.
E numa vista de olhos pelo arquivo de imagens, saltou-me à vista a foto do momento em que acabo de colocar um cachecol com a frase "força Portugal", de apoio à nossa selecção, no bar "Susies Saloon", em Amsterdam. Espero que aquele cachecol ainda lá esteja e bem à vista o nome de Portugal.
A viagem, que havia de ser de avião acabou por ser de automóvel, mas a visita a uma feira de turismo foi um momento digno de ser recordado.
E como recordar é viver, com essa disposição me encaminho para 2010, desejando que todos tenham razões para também recordar e viver.
A bem do colectivo e do nosso futuro sem motivos de tristeza, reforço a frase: força Portugal !

quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Serra da Gardunha - parque de figuras zoo e antropomórficas

A OUTRA VISÃO DA GARDUNHA
Em muitas circunstâncias da vida temos a tendência para “ver apenas aquilo que queremos ver”.
Se em igualdade de circunstâncias a visão raramente é comum a duas ou mais pessoas, quando o caso se refere a posições clubistas ou políticas, então dificilmente ela é convergente.
No caso das formações rochosas e em concreto no caso da Serra da Gardunha, é de facto necessária a predisposição para “ver” figuras que só determinado ângulo nos proporciona.
A experiência diz que, dois passos à frente, atrás ou ao lado, são o bastante para “deformar” a figura que, vista daquele tal ângulo e depois fixada em imagem, se torna tão evidente.
Mas que existe um verdadeiro parque de figuras zoo e antropomórficas na Serra da Gardunha, é uma realidade que aqui mostro para que outros sejam tomados pelo desejo de empreender o safari da sua descoberta.
Dei a cada uma o nome que me pareceu mais adequado.
O pássaro
O lente
A loba
O golfinho
O ET
O cavalo

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Caminheiros da Gardunha - a serra e a fraternidade os uniu

Viajando no tempo
Quando temos orgulho do que fazemos, é bom recordá-lo e saborear a felicidade que isso nos faz sentir. É o que acontece com a criação do grupo Caminheiros da Gardunha.
E a verdade é que ninguém me pode tirar o prazer de ter estado na sua origem.
A fraternidade foi adoptada como forma de estar e as imagens que aqui tenho deixado, bem o comprovam.
Recordá-las é trazer para a actualidade o que era e foi uma imagem de marca.
Mesmo o facto de não se desdenhar de um bom copo de vinho, só comprova que o gosto dos beirões nunca esteve em baixa e que os Caminheiros da Gardunha são disso um bom exemplo.
Mas a promoção da região foi e tem sido por eles feita de muitas formas, com destaque para as caminhadas e organização dos corsos de Carnaval.
Do vídeo que enviei para o Youtube e que aqui faço inserir, recordando a confraternização proporcionada por uma excursão a Santiago de Compostela, sobressai a noitada em Vila Nova de Cerveira, com destaque para a desgarrada em que dedico a cada um dos companheiros uma quadra, caracterizando de forma humorada a sua maneira de ser ou estar.
Vale a pena reviver esses momentos. E já aconteceram em 1994.

sábado, 14 de Novembro de 2009

Do baú das recordações

Quem os viu e quem os vê !

Todos temos o nosso baú das recordações, seja em sentido figurado, seja em sentido real. O meu até existe na verdade, nele guardando todo o espólio documental e de imagem que vai ficando das viagens, para servir de suporte ao seu relato neste meu espaço.

Mas também por lá está o material que contém muitas das imagens de há umas décadas atrás, as da família e as outras, mesmo que em formatos que obrigam a tratamento de muita paciência, para as converter em digital e daí poderem ser editadas.

As que hoje aqui apresento, vieram dum pequeno filme em película no formato Super8 mm., ainda sem som, e têm cerca de 30 anos. Os locais: jardim da Praça do Município do Fundão e parque infantil das Donas.

As figuras principais dão pelo nome de Vera, David, Vasco e Ricardo e, naturalmente, agora já são bem grandinhos.

Mas reparem no vídeo: há quem mostre já muito jeito para o pedal... só que em baixa rotação. Hoje já não é assim.

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sábado, 7 de Novembro de 2009

A desembebedar é que custa !!!

Viajando no tempo
Em época de castanhas e jeropiga, ocorre-me recordar um episódio da que chamei como a minha primeira grande viagem, para cumprir a comissão de serviço militar em Angola, entre 1967 e 1969, com relato no Pad/1245
Foi então que experimentei o desagradávlel efeito da ressaca a uma bebedeira e, ainda hoje, parece que sou tomado por uma certa agonia, quando recordo os dias seguintes, até regressar ao bem-estar físico do antes da bebedeira. Custou bastante.
As circunstâncias são, normalmente, boas adutoras para se chegar a esse estado. No caso foi o baile de finalistas da Escola Industrial e Comercial de Salazar, em que os companheiros de mesa foram enchendo o meu copo com whisky, que eu ia bebendo sem me dar conta, até quase despejar a garrafa.
Em pouco mais de duas horas, quase ia ficando em coma.
E a traduzir a verdade da situação, o meu compadre Feneja tem esta lapidar frase: a desembebedar é que custa !!!
Mas para resolver o problema, aplica então outra frase: evita a ressaca... mantém-te bêbedo !!!
Será ...???

sábado, 24 de Outubro de 2009

O folclore de Portugal na Holanda - 1995

Rancho Cova da Beira no festival OpRoakeldais-Warffum
O relato desta viagem foi feito aqui na devida oportunidade. Não o fiz acompanhar das imagens que hoje é possível inserir e que também faço circular no youtube, fazendo parte do "Canal aroxovaz".
No que ao folclore diz respeito, o Rancho Cova da Beira da Junta de Freguesia do Fundão soube representar condignamente o Fundão e Portugal, com exibições que entusismaram grandemente os espectadores, sendo-lhe concedido em dois espectáculos o privilégio de alargar a sua exibição, num figurino muito rigoroso de gestão do tempo, em que esta prerrogativa só era dada se os espectadores estivessem de tal forma entusiasmados com a actuação, que os organizadores achassem que a mesma podia prosseguir para além do período inicialmente programado para cada grupo.
Esses momentos aconteceram muito pela ajuda do grupo de bombos, que conseguia levar os espectadores ao delírio.
Foi de facto uma experiência fantástica, numa altura em que o Rancho Cova da Beira se apresentava como um grupo muito coeso, homogéneo e com uma grande qualidade exibicional.
Pelas relações de amizade que ainda hoje subsistem com a família que na altura me acolheu e com quem tenho contactos regulares, posso dizer que o Rancho Cova da Beira deixou saudades na Holanda.

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Eu sou feliz !

Tal como eu o faço, para se poder fazer tal afirmação, depende do nível em que cada um coloca a fasquia do que entende como felicidade.
No meu perfil digo que: "Ser rico... é ter a família que eu tenho. Felizmente que há muitos outros tão ricos como eu sou".
É, pois, uma tradução de riqueza em que o factor de valorização não é apenas o dinheiro, já que para alguns só este faz a felicidade.
Mas ao falar de dinheiro e de felicidade, é claro que o dinheiro se torna indispensável para alcançar metas que contam para se chegar à felicidade. Só que devemos inseri-lo num contexto bastante alargado, de modo a que dele nunca fiquemos prisioneiros para alcançar as tais metas.
Outro entendimento que tenho, é o de que o dinheiro nunca deve ser maltratado. Se não, foge de nós.
E tratá-lo bem, é saber geri-lo de forma equilibrada e razoável, ou seja, que o gasto nunca supere o que é possível arrecadar.
Mas eu digo em título: sou feliz ! E é verdade.
Porque o ser ou não feliz e para além do nível da fasquia, depende também da ideia que cada um tem sobre a felicidade. E aí, tudo é relativo, dependendo da exigência a que a submetemos.
Um pequeno exemplo: para fazer feliz um menino pobre e sem brinquedos, basta dar-lhe um brinquedo que o menino rico já não queira, talvez porque já exigiu outro !
Novo exemplo, mas ao invés, conheço gente muito rica que, na minha perspectiva, não sabe utilizar o dinheiro a bem da sua própria felicidade. Apenas se pretende afirmar como rico, mas é pobre na forma como o usa para ser feliz.
Mas explicando a minha afirmação, posso dizer que alcancei na vida todos os objectivos que a tornam feliz. E talvez por não ser muito exigente quanto ao número, mas muito obstinado quanto aos objectivos, é que afirmo que todos foram alcançados.
Assim, criei para mim uma tabela de valorização das facetas que entendo essenciais para uma pessoa chegar a um primeiro patamar que o conduza ao bem estar e daí à felicidade. São elas:
- Família e harmonia no seu seio
- Profissão e actividades derivadas
- Contributo para com a sociedade
- Relação de amizade com os outros
- Bem estar com a sua consciência
- Otimismo e vontade de viver
Hoje sinto que me encontro num patamar bastante elevado em relação a todas elas, mas admito que este quadro possa não ser tão simples de completar para toda a gente, nos tempos que correm, mas se não todos, pelo menos o último nunca deve ser abandonado, pois facilita os demais.
Ora este meu blogue trata em grande parte de viagens, e até já disse aqui como é possível concretizá-las.
Tive a oportunidade de realizar muitos dos meus sonhos nesse campo, mas há um que surge, quase poderia dizer, de forma milagrosa - a visita a Toronto e Cataratas do Niagara. Já aqui disse como foi.
Também já aqui relatei que sofri um AVC. Apesar do que passei, hoje digo também que, de forma quase milagrosa, ultrapassei aquele pesadelo e tal experiência apenas tem contribuido para o aumento do otimismo e vontade de viver.
E sem acrescentar mais o quer que seja para justificar a minha afirmação, que espero nunca ter de modificar, só desejo que outros tenham a possibilidade de, como eu, dizer: sou feliz !

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Rupert and the frog song-Paul McCartney

Viajando no tempo

Sem música a vida não teria o mesmo encanto. Esta é a conclusão a que cheguei, há muito, fazendo assim para mim todo o sentido aquele ditado popular: "quem canta seu mal espanta" ou aquele outro ainda "a música tende sempre a idealizar os sentimentos".

Já veterano tornei-me seu intérprete, como tenor do Coro Intermezzo, da Santa Casa da Misericórdia do Fundão e posso dizer que isso me faz muito feliz.

Mas usufruir desses sons maravilhosos é, no meu ponto de vista, um privilégio para todos os que não sejam muito duros de ouvido.

Quando os Beatles apareceram com a sua música fui comprando todos os discos, desde singles até LP.

A dado momento tive de parar de comprar e enveredei pela gravação nos velhos gravadores de fita. Quando surgiram os gravadores de imagem, foi no sistema Beta que gravei as imagens do Rupert and the frog song - "We all stand together", de Paul McCartney.

Por acidente, tais imagens desapareceram. E desde há alguns anos que procurava tê-las de novo.

Encontrei-as agora no You Tube em duas versões da mesma história de banda desenhada. Imagens encantadoras, com a não menos encantadora música, que não resisto a deixá-las aqui neste meu espaço.

Elas fazem-me viajar no tempo e com isso sentir-me rejuvenescido.

Mas dessa mesma altura temos outra música dos Beatles, também inesquecível para mim - Hey Judy.

Recordá-la aqui é dar largas à imaginação e voar no sentido contrário ao andamento dos ponteiros do relógio e tornar sublime a recordação de momentos que, embora afastados no tempo, estão tão presentes na memória, a justificar plenamente o ditado: recordar é viver.

Mas pela voz deste mini-intérprete é o MÁXIMO !!!

sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Holanda - visita a um moinho tradicional

Viajando no tempo


Em 1995 acompanhei o Rancho Folclórico Cova da Beira ao festival de folclore de Warffum, no norte da Holanda. O relato dessa viagem já o fiz aqui - clic para ver.
Ficámos alojados em casas de famílias numa pequena povoação chamada Middelstum e nessa altura proporcionaram-nos diversas visitas, uma das quais a um dos seus tradicionais moinhos de vento. Mas por ser uma visita em grupo, ficou pela superficialidade a explicação quanto ao funcionamento da sua engrenagem interior.
Visitaria de novo a Holanda em 1997, a convite do casal Coba e Gerard, que me alojou na primeira vez, quando então festejaram as suas bodas de prata. Também esse relato já aqui foi feito - clic para ver.
E foi nessa altura que nos proporcionaram a visita a um outro moinho de vento e desta vez exclusivamente para nós. O casal Dick e Marta, responsável pelo moinho, fez questão de nos explicar e mostrar tudo ao pormenor, não desperdiçando eu, então, a oportunidade para recolher as imagens da engrenagem interna, a fazer lembrar o mecanismo de um relógio gigante, que aqui posso exibir.

Estes moinhos, para além da sua utilidade prática, são uma atracção turística que a Holanda não desperdiça, havendo empresas especializadas na sua manutenção.
Mas a grande curiosidade é que alguns estrangeiros investem na sua compra e preservação, como no caso deste, em que o proprietário era alemão.

quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

O "Dr.César Botelho"

VIAJANDO NO TEMPO

Faço vénia e agradeço ao director do Jornal do Fundão, pelo que li na revista que acompanhou o semanário de 13/08/2009, e que me permito transcrever:

"Não se lembram do dr.César Botelho na sua oficina de latoaria, que o Timã, como quem desenha um cartão de visita, sugeriu que deveria ter na parede como chamariz publicitário:
O dr.César ! Baixinho e gordo, cara redonda e farta bigodaça, eximio tocador de trombone, músico da Banda (quando havia Banda e ele não se zangava), benfiquista frenético, o dr.César Botelho, quando o seu clube ganhava, retirava o instrumento do recato do lar e saía à rua, de cachecol vermelho ao pescoço, espalhar o som pelos lugares anunciando a boa nova. Nesta peregrinação, dava-lhe a sede e ele matava-a bem, olá se matava, em tascas onde o convidavam para rodadas de copos de três ou penaltis que se bebiam de um trago. E com combustivel assim renovado, lá ia ele, abraçado ao pesado instrumento, pom-pom.
Este dr.César Botelho ia às vezes, por desfastio, ao Aliança. Mas dizia que acampava lá um colega, um médico com o mesmo patronímico, um sovina de primeira categoria, e ele não queria confusões. Deus o livrasse disso. E contava que já, por mais de uma vez, à boa paz do café, o tinham chamado de urgência ao telefone e ele na boa fé lá ia. Depois do outro lado do fio perguntavam:
- Está é o dr.César ?
- ...
- Estou eu práli a gastar o meu latim, à espera de ir socorrer alguma artéria de canalização entupida, e afinal é um rendeiro que quer pagar a renda ao outro ... ou alguém a pedir um atestado médico, que é a sua grande especialidade clínica.
O Timã chama-o para a mesa.
Como é que vai o campeão da lata ?
- Eu bato muita na minha oficina e às vezes ela já me tem faltado. É que há cada vez mais praí gajos cá com uma latosa ! Gastam-na toda ...
O Timã toca-lhe na música, que é o ponto sensível do dr.César Botelho.
Então, diga lá, quando é que põe a boca no trombone e dá umas gaitadas para pôr esta marmelada toda a tremer ?
- Ora, isto agora está uma merdice, tão reles, que o trombone já não acorda ninguém, estão todos podres de sono - responde ele na galhofa. - Era preciso uma Banda inteira, mas com um grande naipe de bombos, como os de Lavacolhos, para os acordar ! E, se calhar, nem assim abriam o olho."
---oOo---
Já lá vão 45 anos, tinha eu uns envergonhaditos 20 anos, queria estar perto da minha amada e acompanhá-la a ver televisão, que na altura só se ia vendo nalguns cafés, como o "Misérias" ou o Aliança. Ela já me tinha aceite namoro, havia cerca de dois anos, e à sucapa lá nos íamos encontrando.
Mas para me aproximar dela à vista dos pais e poder acompanhá-la ao café, tinha de pedir autorização ao pai.
E as circunstâncias forçaram-me a esse gesto de coragem.
Sabe Deus então com que nervoseira, lá me aproximei do "dr. César Botelho" e pedi a necessária autorização para namorar com a filha. Que tempos ...!!!
Foi a primeira vez que falei com ele, mas fui bem sucedido, vindo a tornar-me seu genro.
Acompanhei por isso uma boa parte da sua vida e fui testemunha de um manancial de estórias, que não seriam possíveis em qualquer outro. Só do "dr.César Botelho"... !
Mas a par da música e do seu amor clubista pelo Benfica, que levou a que se dissesse que "ele gostava mais do Benfica do que da família", tinha uma outra grande paixão - era um bombeiro totalmente dedicado à causa e a sirene fazía-o saltar como uma mola, correndo para o quartel enquanto se equipava com o fardamento que estava sempre atrás da porta, pronto a ser vestido.
E não resisto a deixar aqui a referência a uma dessas estórias:- em dia de Procissão do Senhor dos Passos, levava no ouvido o auricular do rádio para ouvir o relato do seu Benfica. A certa altura o glorioso marca um golo e o "dr.César", de lanterna nas mãos, não se contém na exteriorização da sua alegria.
E de tal maneira o fez que quase mandava abaixo o andor do São João.
Vídeo com imagens de arruada e de pic-nic no 2º. "1 º.de Maio" em liberdade

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O texto da revista, que tanto nos tocou, fez-nos recuar no tempo, ainda que nos pareça não ter passado nenhum tempo desde a sua partida, e já lá vão sete anos.
Obrigado, Fernando Paulouro.

quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Raúl - Quem o não conhecia ?!

Viajando no tempo
À volta do Raul, Mané, David, Miguel, Ana Rita, Carla e Vera
Passaram mais de 28 anos, era dia de anos da Vera, o dia 21 de Julho.
Houve uma festinha, vieram os amigos e o Raúl passou lá pelo Parque das Tílias, diante do qual morávamos. O parque que, na sua forma de então, nos deixa tanta saudade !!!
O Raul acabou por participar na festinha e também ficou na fotografia que registou um dos momentos daquele dia.
Todos o conhecíamos no Fundão. E quero recordar aqui o Raul, não pela diferença que lhe conferiam as suas limitações ao nível do raciocínio, mas porque era uma figura simpática para todos e, essencialmente por esta razão, era um ser de coração puro e bom.
E tanto assim era, que as crianças facilmente com ele conviviam.
Tinha expressões próprias que marcaram a sua passagem pela vida, como a de chamar "farata" a quantos se cruzavam com ele. Mas se também lho chamavam, a sua resposta era pronta: "farata tu..."!
Recordá-lo aqui, é uma pequena homenagem que lhe presto.

quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

Fundão - onde já houve bandas musicais

Viajando no tempo

Recuar no tempo, até quando existiram duas bandas musicais no Fundão, não é possível para mim. Só me recordo da existência de uma. Mas nem essa já existe, desapareceu há muito.
Encontrar uma resposta para as causas do desaparecimento da última banda musical no Fundão, significa encontrar também uma resposta para as razões do desaparecimento do fulgor associativo que a Associação Desportiva do Fundão já teve. E hoje não tem.
Fiz parte dos corpos directivos desta colectividade no tempo em que a vida associativa era intensa, em que o espírito de entrega dos associados era total para qualquer actividade, fosse desportiva, cultural ou de lazer.
Era fácil, então, mobilizar os associados para a organização de todo o tipo de eventos e a história recorda-nos como aconteceram coisas tão interessantes como a volta à Cova da Beira em bicicleta, torneios de natação, basquetebol, hóquei em patins, a feira popular no reduto da associação, etc.,etc..
Havia também a banda musical, que tinha a sua própria escola de preparação dos músicos, e que desenvolveu uma grande actividade.
Desvaneceu-se, sem a dignidade de que era merecedora. Mas isso já lá vai.
E foi durante a sua existência que se realizou um festival de bandas, do qual recolhi algumas imagens.
Aqui ficam para a posteridade. É bom recordá-las.

sexta-feira, 7 de Agosto de 2009

Mennonitas - Amish Country (Canadá)

Na viagem que fiz a Toronto - Canadá, em 2008, tive a oportunidade de visitar uma comunidade de mennonitas, um ramo do movimento religioso dos anabatistas, em St. Jacobs.
Tal como os Amish, são descendentes dos grupos suíços de anabatistas, chamado de Reforma Radical, cujo nome veio de Menno Simons, um padre católico que se converteu ao anabatismo.
São conhecidos pelos seus costumes conservadores, com uso restrito de equipamentos electrónicos, incluindo telefones e automóveis.
Preferem viver afastados da sociedade, não prestando serviço militar, chegando a não pagar segurança social e não aceitar qualquer assistência do governo.
Evitam ser fotografados e quando se apercebem que alguém se prepara para o fazer, como foi o meu caso, baixam a cabeça ou viram as costas. Só à distância me foi possível obter imagens de uma família em descontraída atitude.

No espaço que visitámos são comercializados todos os produtos das suas culturas, assim como é feito o mercado do gado, com os eventuais compradores a ensaiar as montadas, correndo com os cavalos numa espécie de hipódromo ali instalado.
Mas a área rural onde se desenvolve o comércio dos mennonitas foi inteligentemente aproveitado para outro tipo de comércio, pois sendo eles a atracção, à sua volta existem restaurantes, estabelecimentos requintados com marcas de grande prestígio, um sem número de atracções de feira, outlets, etc..

O relato dessa viagem pode ser visto em:

quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

UMA MÚSICA PARA O ALÉM

Ninguém pensa em morrer. Eu também não.

Mas no dia em que tal acontecer, e ninguém o pode evitar, para além dos amigos que queiram acompanhar-me ao local que designam por "última morada", eu quero ter lá a companhia da música, que Ludwig van Beethoven dizia ser "o idioma de Deus".

Não uma música qualquer, mas a que aqui se reproduz.

Quero-a por companhia para o além, na convicção de que ela ajudará o meu espírito a fazer um percurso que pode ser mais tortuoso ou menos tortuoso, consoante o momento em que me chegue a "carta de chamada", e que procurarei seja o de um momento em que me encontre totalmente de bem com a minha consciência.

Se assim acontecer, terei sabido justificar o desígnio supremo que a todos em geral e a cada um em particular é destinado para a efémera passagem por este torrão, a gravitar no infinito.

quinta-feira, 30 de Julho de 2009

CARNAVAL DOS CAMINHEIROS 1997

Neste ano, o desfile de Carnaval dos Caminheiros da Gardunha foi já muito mais elaborado que os anteriores e envolveu um número de pessoas muito considerável, para além de implicar as diligências necessárias para reunir fardamentos e instrumentos, num estado de conservação que só o Carnaval os poderia aceitar naquele estado.
A "inauguração" de três importantes melhoramentos na regedoria, tais como, uma "banda ressuscitada", um "marco de correio" e o "jet 7", implicava desde logo a figura do "Rege-Dor" e os discursos adequados às circunstâncias.
Procurei desempenhar o melhor possível o papel de "Rege-Dor" e por isso adequei os discursos ao personagem que havia imaginado. Decorridos 12 anos, até eu próprio fico surpreendido com os textos.
As imagens recolhidas tiveram de ser reduzidas ao máximo de 10,00 minutos permitido pelo Youtube, para onde o clip de vídeo foi carregado e depois inserido neste espaço. Apesar dessa limitação, é possível apresentar um conjunto de imagens que dão para entender a cegada.
E a onda de entusiasmo que se gerou a partir deste Carnaval tem permitido que todos os anos o corso carnavalesco venha para a rua, tornando os Caminheiros da Gardunha como os grandes responsáveis por um cartaz que se impôs a nível regional.

quarta-feira, 29 de Julho de 2009

CARNAVAL DOS CAMINHEIROS - 1996

Também em 1996 se realizou o tradicional baile dos mascarados, que tinha lugar no sábado anterior ou mesmo na véspera do dia de Carnaval, só que das cegadas que então aconteceram não houve recolha de imagens.
Mas aconteceu o desfile de terça-feira de Carnaval, com a crítica às obras que no Fundão não andavam nem desandavam, por isso chamadas de "Obras de Santa Engrácia".
Assumi o papel do "padre" que fez a encomendação das "suas almas", secundado pelo coro de "carpideiras" num "sentido pranto" por obras ou monumentos como: Casino Fundanense e Convento de Santo António, Regadio Cova da Beira, Associação de Regantes, Espaço Mercado-Facif, Pavilhão Gimno-desportivo, Associação Desportiva do Fundão e Palácio da Justiça.
E tudo se organizou em cima do acontecimento, o que me levou a elaborar os textos em tempo record e durante o tempo de trabalho por conta de outrém, reconhecendo por isso ter roubado algumas horas à entidade patronal de então.
Mas era pela boa causa dos Caminheiros da Gardunha que, com espírito de fraternidade e alegria, traziam para a rua o seu contagiante entusiasmo e tudo se justificava.
O que então era um grupo não organizado, sabia "organizar-se" em eventos desta e de outras naturezas, trazendo até aos nossos dias o corso de Carnaval que todos os anos se vai repetindo.
Ficam para a posteridade as imagens do desfile de Carnaval de 1996, com a crítica às "Obras de Santa Engrácia", no Fundão.

terça-feira, 28 de Julho de 2009

CARNAVAL DOS CAMINHEIROS - 1995

Em véspera de Carnaval, o baile dos mascarados proporcionava sempre as mais inesperadas e imaginativas trapalhadas.
O ambiente que então existia era descomplexado e participativo, levando a que facilmente se improvisasse um quadro, sugerido por qualquer programa de TV, comportamentos de figuras públicas ou imitação de mestres de qualquer ofício.

Foi assim que nessa noite, pela primeira vez, incorporei a figura do fotógrafo "a la minute", com uma máquina de características únicas e se exibiu o conjunto "Os BatnAvó".

Para o conjunto e quase em cima do acontecimento, foi-me pedida uma letra, e num esforço à criatividade da rima lá surgiu uma dedicada à Ciciolina, que então estava na berra devido às suas extravagâncias pornográficas e recente visita a Lisboa.

Não deu para ensaios do grupo nem mesmo para adaptação à letra, mas a exibição dos "BatnaAvó" foi um êxito.

Para recordar, aqui fica a letra da canção:

Refrão
Mostra a mama óh Ciciolina
Mostra a mama a toda a gente
Mostra a mama óh Ciciolina
Para o Zé ficar contente

A saia da Ciciolina
Deixa ver a cuequinha
Quando ela a deita p’ra baixo
Logo se vê a ratinha

A saia da Ciciolina
Foi feita para descer
Também a sua ratinha
Foi feita para … mijar

A saia da Ciciolina
Deixa ver as suas fraldas
Viram lá uma coisa grossa
Era um boneco das Caldas

A saia da Ciciolina
Guarda cobras e lagartos
Fartam-se de comer a fruta
Para ver se ficam fartos

A saia da Ciciolina
Tem um buraco por trás
Quando o Zé o vai tapar
Já nunca sabe o que faz

A saia da Ciciolina
Tapa um grande aspirador
É um buraco sem fundo
Até engole um tractor

Nas nalgas da Ciciolina
Desenharam lá um U
Se querem pôr o assento
Têm d’o meter no cú

Para acabar a cantiga
Da saia da Ciciolina
Pega-se fogo à ratinha
Regada com gasolina

O local da brincadeira foi no edifício do restaurante do parque de campismo, na altura ainda em construção.

Dada a presença deste fotógrafo, já então com fama de paparazzi, havia que "inventar um evento" para o desfile do dia seguinte.

E rapidamente se formou a cena do casamento com noivos, menino das alianças, convidados e, naturalmente, o fotógrafo a fazer a reportagem.

A população foi sendo também apanhada no "cliché", sempre que era convidada para ser fotografada com os foliões, mas ignorando que uma máquina verdadeira ia fotografando as suas reacções com os efeitos do "disparo" da objectiva.

O conjunto de imagens então recolhidas são elucidativas quanto ao êxito das brincadeiras improvisadas para o baile dos mascarados e para o desfile do dia seguinte.

domingo, 26 de Julho de 2009

CARNAVAL DOS CAMINHEIROS - 1994

VIAJANDO NO TEMPO

Neste, como noutros "regressos ao passado" da memória, detenho-me em mais um dos bons momentos que o Carnaval vivido pelos Caminheiros da Gardunha nos proporcionavam.
O ambiente saudável e de alegre disposição era por todos aproveitado para se expandirem sem reservas, entregando-se às brincadeiras que a todos contagiavam. A ordem era para o divertimento descomplexado e daí que o baile dos mascarados, que antecedia o dia de Carnaval, fôsse sempre um êxito. As mais incríveis e inesperadas figuras apareciam, na pele de pessoas que seria difícil imaginar, e contribuiam sempre para o êxito das festas.
E de uma noite de baile, sempre bem surtida quanto a petiscos, passava-se para o dia seguinte com o lanche do muito que sobrava da noite anterior, terminando com nova edição de brincadeiras e os inevitáveis fados à desgarrada.
As imagens possíveis aqui ficam, a testemunhar os momentos que tão de bom grado se evocam.

quarta-feira, 15 de Julho de 2009

CARNAVAL DOS CAMINHEIROS - 1993

VIAJANDO NO TEMPO

Já o escrevi aqui mais do que uma vez, esta forma de "viajar" não tem limites quanto à duração da "viagem" nem ao tempo em que se situa, dependendo apenas do alcance da memória. E esse é ilimitado.

Desta vez vou instalar-me no "miradouro" que permite visionar a organização dos primeiros desfiles do Carnaval, sustentado nas imagens que ficaram desses momentos, recuando até ao ano de 1993.

Dizer que aqueles surgiam de forma expontânea, é pretender simplificar muito a questão quanto à ideia, a origem de textos, os artefactos a utilizar e a mobilização das pessoas que seriam necessárias para compor os quadros. E como responsável pelo grupo, essas e outras responsabilidades tinha de as assumir naturalmente, embora a colaboração dos demais elementos nunca tivesse faltado.

Se bem que a primeira saída para a rua - naquilo que foi chamado de primeiro desfile - se baseasse no disfarce, mais elaborado ou menos elaborado, conforme a imaginação, já os que se seguiram foram sustentados na crítica a diversas situações locais.

Sendo nessa altura um grupo não organizado em termos estatutários, tinha na colaboração entre todos a sua grande virtude, pois não havia reservas de qualquer espécie quanto ao espírito de convívio, sempre baseado na boa disposição e alegre aproveitamento dos momentos de ócio.

E era de forma descomplexada que assumíamos as figuras do Carnaval e vínhamos para a rua "provocando" no bom sentido a população, que se associava aos foliões e conferia à festa as caracterísicas que deve ter o Carnaval.

A figura de "Madona/Mamona" que então assumi é um dos exemplos, numa terça-feira de Carnaval em que os funcionários públicos não tiveram tolerância de ponto e por isso receberam a nossa visita na Câmara Municipal do Fundão.

Tempos que irei aqui recordar através das imagens que fazem parte do meu arquivo de imagens, que ficou desses tempos de boa memória.

terça-feira, 14 de Julho de 2009

Como concretizar o sonho de viajar

Muitos gostarão de viajar, tanto quanto eu. Adoptei até como referência uma frase do amigo Joaquim Nunes das Neves: "Porque uma viagem vale mais do que a leitura de 100 livros". Tenho constatado que é verdade.
Concretizar esse sonho nem sempre é possível, desde que não haja meios económicos para o fazer.
Não sou rico, mas aprendi que se soubermos fazer economias, conseguimos realizar alguns desses sonhos. E se um cruzeiro, na maior parte dos casos, representa o sonho de uma vida, no meu caso já consegui realizar três cruzeiros:
2002 - Brisas do Mediterrâneo (Barcelona, Mónaco-Monte Carlo, Pisa-Luca, Roma, Nápoles- Pompeia, Malta, Barcelona), o primeiro;
2008 - Cruzeiro das ilhas gregas (Atenas, Santorini, Rhodes, Myconos, Dubrovnik, Veneza), o segundo;
2009 - Cruzeiro no Báltico (Copenhague, Gdansk, Klaipeda, Estocolmo, Tallin, S.Petersburgo, Helsinquia), o terceiro;
Sendo um profissional da gestão de números, procuro que a minha vida pessoal e familiar também assente numa boa gestão dos números que a condicionam, principalmente os que dizem respeito à parte económica.
Curiosamente foi no primeiro cruzeiro, quando fazíamos a visita à primeira capital da ilha de Malta - Mdina - hoje chamada de "cidade do silêncio", por se encontrar quase desabitada, que em conversa com um grupo de brasileiros me apercebi da sua forma de fazer economias para as viagens:- começam a colectar-se para a viagem seguinte, mal acabam de fazer a anterior.
Também assim procedo em relação aos meus aforros para as viagens, começando a fazer economias no ano anterior à sua concretização, através de uma conta a prazo.
E a demonstração de que podemos fazer economias, seja para viajar ou para qualquer outro projecto, apresentei-a a um fumador de 2 maços de tabaco por dia. Tomando como valor do maço 4€, é simples: 4,oo€ x 2 x 30 dias = 240,00€ x 12 meses = 2.880,00€/ano.
Com esse valor é possível fazer uma viagem muito interessante para duas pessoas. Mas por vezes os fumadores são dois no casal !
Ora eu não sou fumador, por essa razão vou conseguindo dar concretização ao sonho de viajar.

domingo, 12 de Julho de 2009

"O teatro dá sabor à vida"

Nem sempre as saídas para longe nos compensam tanto o espírito e o corpo, como estas em que "vamos para fora cá dentro" aproveitando, afinal, o que de tão bom por cá temos.
Ir ao teatro, mesmo que à custa de uma deslocação de mais de 250 km até ao Porto, enriquece-nos o espírito. E a peça de Filipe La Féria "A Gaiola das Loucas", bem contribuiu para isso.
O jantar no terraço do Rivoli, à luz da vela e música ao vivo, que julgamos contribuir apenas para o bem estar do corpo é também muito benéfico para o espírito. E olhando os pratos, a frase que neles está impressa, justifica plenamente este ou outros circuitos que nos levem, perto ou longe, junto de um palco: "o teatro dá sabor à vida".

O dia seguinte continuou a ser de alimento para o corpo, com uma gostosa cataplana de tamboril e marisco, na Nazaré, onde não deixamos de ir sempre que estamos por perto. Aliás, a Nazaré é sempre um bom destino para nós.
Mas depois também alimentámos o espírito, visitando a Quinta dos Loridos, da Fundação Berardo, perto do Bombarral (saída 12 da A8).
Chamado de "Buddha Eden" ou Jardim da Paz, é um espaço de cerca de 35 hectares, que pretende ser um espaço de reconciliação, meditação, "... como forma de redescobrir a felicidade. Ambicionamos, assim, percorrer o caminho contrário à destruição do ser humano e disseminar a cultura da paz". É o que se lê dos objectivos que levaram à sua criação, idealizada e concebida "pelo comendador José Berardo em resposta à destruição dos Budas Gigantes de Bamyan" pelo governo talibã, no Afeganistão.

Sem nos questionarmos sobre tais objectivos ou sobre o investimento ali feito, pessoalmente acho que investir na arte e na cultura vale sempre a pena.
E cada qual é senhor de fazer do seu dinheiro o que muito bem entender, desde que administre apenas o que é seu.
Aconselhamos uma visita ao local, e se tal não fôr possível, uma simples espreitadela ao site:

domingo, 28 de Junho de 2009

UMA VIAGEM QUE SE DESEJA LONGA

A nosa Beny iniciou a sua viagem da vida em 16/03/2009, às 15,14 h, com 3,365 kg. de peso e 48 cm.
Desejamos que seja longa e sem precalços.
A Benedita, é afinal a bendita surpresa que o "menino" amorosamente aguardado, nos trouxe.
Juntou-se ao seu mano António, para completar o quadro de família ideal. Que Deus o abençoe e preserve.
Aqui já passaram dois meses e meio... !

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E a Benedita já foi ver a festa do António

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Tudo ficou gravado nestes vídeos !

terça-feira, 2 de Junho de 2009

Cruzeiro no Báltico - 2009

Este programa de viagem, tal como os anteriores, foi escolhido em função do seu conteúdo.
Neste caso essencialmente pela possibilidade de visitar San Petersburgo, mas não só, pois a viagem permitiu conhecer Copenhague, Gdynia-Gdansk (Polónia), Klaipeda (Lituânia), Estocolmo, Tallín (Estónia) e Helsinquia.
A empresa que organizou o cruzeiro é a Pullmantur e pela terceira vez fomos num dos seus cruzeiros, o primeiro dos quais em 2002 no Mediterrâneo: http://a-de-mirador.blogspot.com/2008/08/2002-cruzeiro-no-mediterrneo.html
O segundo veio a acontecer em 2008, nas ilhas gregas: http://a-de-mirador.blogspot.com/2008/10/2008-cruzeiro-atenas-veneza.html
Dos dois ficámos com a melhor das impressões, por isso termos repetido.
Curiosamente de novo a bordo do Zenith, no qual fizemos o cruzeiro das ilhas gregas.
A viagem começou em Madrid com o vôo, também incluído no programa, que nos colocou em Copenhague e a partir daí iniciou-se o cruzeiro.
Desta vez o relato da viagem foi sendo feito dia-a-dia, dadas as possibilidades de ligação à Web existentes a bordo, numa sequência em conformidade com os locais a que aportámos e onde se realizaram as excursões que à partida sabia existirem e que são, afinal, a razão principal destas viagens. Sem elas o cruzeiro não teria o mesmo interesse.
Fundão-Madrid
Maio - sexta, 22
Dado que tínhamos de estar em Madrid pelas sete da manhã de sábado, dia 23, decidimos ir de véspera e dormir no Ibis, junto ao aeroporto de Barajas.
Deixado o carro no aparcamento, o avião saiu de Madrid com uma hora de atraso devido a problemas no check-in do aeroporto, mas tudo correu bem até Copenhague.

COPENHAGUE - Dinamarca
Cruzeiro - 1º.dia
Primeira excursão

Já em Copenhague e antes de nos instalarmos no Zenith, foi-nos proposta a primeira excursão facultativa - conhecer Copenhague, ainda que de forma bastante superficial. Mas em três horas não se podia exigir mais.
Instalados no autocarro fizemos uma visita panorâmica que nos deu uma perspectiva da cidade, seguindo-se uma viagem de barco pelos seus canais, ou melhor, pelo estreito entre ilhas e também pelo que é de facto um canal.

Embora vista do barco, a pequena sereia ficou no retrato, assim como as típicas casas que ladeiam o canal.

Dado que o dia foi de sol, após um dia de borrasca que se verificara na véspera, foi ver todas as esplanadas cheias de gente para o disfrutar, como se de um dia de verão se tratasse.

Ficou-nos uma impressão extraordinária deste contacto com a cidade de Copenhague, a que se seguiu a instalação no navio, que já disse conhecer do cruzeiro de Atenas, o ano passado. Sabíamos por isso o que nos esperava, sem surpresas.
Mas a nossa vinda neste cruzeiro tinha ainda outra motivação - comemorar 38 anos de casados. Registámos a imagem alusiva ao dia, em Copenhague.

Ao jantar conhecemos os companheiros de mesa, que o seriam durante todo o cruzeiro, Mafalda e Cândido, de Portimão.


Ao serão foi o show de boas-vindas, que correspondeu ao que se esperava dele - um espectáculo muito agradável.

GDANSK - Polónia
Cruzeiro - 2º.dia
Segunda excursão

Depois de mais uma noite, que serviu para arrumar de vez as coisas trazidas para a viagem, foi-nos proporcionado o segundo show - este dedicado aos Beatles.
Mais um espectáculo de muito bom nível.
E antes fora-nos apresentada a proposta para a segunda excursão facultativa - uma visita a Gdansk, partindo do porto de Gdynia. E Lech Walesa, um herói para os polacos, foi referido de amiúde pela guia local, quando passávamos junto aos estaleiros desta cidade.
Porque já estávamos a contar com ela, foi a oportunidade para visitar de novo a Polónia e uma vez mais com a mesma belíssima impressão com que havíamos ficado quando visitámos outras cidades, da primeira vez, em 2007.
Uma cidade muito bonita e com muita vida, até porque o tempo estava maravilhoso. Muito sol e com uma temperatura agradabilíssima.
Havia festa nas ruas, com espectáculos e música, o que leva a que as pessoas mostrem felicidade.

Para além de outros pontos da cidade, a visita à catedral mostra-nos a imagem de Santo António, que cremos ser o de Lisboa.

Fica registada a imagem como recordação, para além de muitas outras imagens que guardamos no espírito e no album do cruzeiro.

Valeu a pena visitar Gdansk.

KLAIPEDA - Lituania
Cruzeiro - 3º.dia
Terceira excursão

Chegamos ao porto de Klaipeda, na Lituania, e graças à excursão que nos foi proposta ter o primeiro contacto com as pessoas deste país.
Constata-se que a riqueza monumental não é muita, mas as pessoas são muito simpáticas e a guia foi disso exemplo.

O âmbar é produto que se vende em todos os sítios, tendo sido muito interessante a visita que nos foi proporcionada ao museu do âmbar.

O turismo é para eles muito importante e a sua promoção está a ser feita de muitas formas, como as praias, estruturas hoteleiras e outras atracções.

Regressados ao barco, o resto do dia a bordo culminou com a chamada noite do capitão, com o cocktail, o brinde com todos os primeiros oficiais e chefes de departamento, a que se seguiu então a fotografia com o capitão Arkadiusz Brañka.
É um momento que merece ficar registado e a imagem aqui fica.

ESTOCOLMO - Suécia
Cruzeiro - 4º.dia
Quarta excursão

Fantástica a visita a esta cidade, capital da Suécia.
Pudemos ver o porquê de ser considerado um dos povos mais ricos da Europa, notando-se por isso a diferença com o que víramos no dia anterior.

A cidade á maravilhosa e o tempo de que dispusemos permitiu-nos apreciar um pouco a que é considerada a Veneza do norte, pelos seus muitos canais.

Porém, fica-nos na memória a visita ao museu Vasa, dedicado exclusivamente ao barco de guerra recuperado do fundo do mar, que se havia afundado na viagem inaugural e que agora se encontra no museu que foi criado em seu redor, depois de ser instalado no local em que se encontra. Um verdadeiro sonho, para não esquecer.

Ao final da tarde o barco partiu de Estocolmo, mas durante horas navegámos com margens sempre muito próximas, como se de um canal se tratasse. Foi um bonito entardecer.

TALLÍN - Estónia
Cruzeiro - 5º.dia
Quinta excursão

Depois de uma noite com a animação dedicada ao carnaval, chegámos ao porto de Tallín.
Com o tempo a ser-nos favorável, apesar dos ameaços, pois só começou a chover quando estávamos a regressar ao barco, fizémos esta visita que nos permitiu conhecer o povo deste país, também já membro da comunidade europeia, embora continuando com a sua moeda, a Koroa da Estónia (EEK).
A primeira curiosidade foi a visita ao campo das canções, onde se faz um festival de coros, que no final cantam em conjunto, chegando a encontrar-se no palco 30.000 pessoas.

A cidade é também muito interessante, com edifícios muito característicos e imponentes catedrais.

Quando circulávamos pelas ruas, apercebemo-nos do Consulado Português, não deixando de registar o facto em imagem.

Só a curiosidade das horas - quando fomos visitar a Lituania, adiantámos uma hora (duas em relação a Portugal). Fomos para Estocolmo e atrasámos de novo uma hora.
Neste dia de novo adiantámos uma hora e no dia seguinte adiantámos mais uma, quando nos dirigimos para S.Petersburgo.
Também a visita a Tallín foi uma experiência fantástica.

S.PETERSBURGO - Rússia
Cruzeiro - 6º.dia
Sexta excursão

A primeira excursão que aproveitámos foi ao folclore russo. Não propriamente folclore popular, mas feito pelo coro da armada russa com o seu corpo de bailarinas e bailarinos. Fantástico.

Para se ter uma ideia da sua actuação, aqui se apresenta um pequeno vídeo:

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Então o seu final, com a conhecida Kalinka, foi o máximo e pode também ser apreciado no pequeno video que se mostra a seguir:

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O espectáculo foi pelas 20 horas, durou cerca de duas horas e depois tivémos a oportunidade de passear até regressarmos ao barco, era meia noite.
Pudémos ver as "noites brancas", que é o anoitecer pelas 23 horas, ficando lusco-fusco durante mais de uma hora, para depois amanhecer cerca das 4,30 da manhã. Quase não há noite.

O fantástico é que a movimentação nas ruas é constante e diria que as noites brancas são mais "noites em branco", pois a juventude, quase invariavelmente de cerveja na mão, não pára.
A excursão seguinte seria pelos canais, para conhecer o que era possível desta grandiosa e monumental cidade.
Mais uma experiência fantástica.

S.PETERSBURGO - Rússia
Cruzeiro - 7º.dia
Sétima excursão

O segundo dia em S.Petersburgo permitiu-nos visitar a emblemática catedral da Ressurreição e admirar a cidade através dos canais.

Havia que escolher entre diversas opções de visitas e se bem que o Museu Hermitagem nos convidasse a fazer-lhe essa visita, a verdade é que o tempo era demasiado limitado.

Por isso ter-me sujeitado a vê-lo do exterior e alargar mais o circuito para ficar com uma melhor noção da cidade e da sua grandeza.

Os edifcícios são de tal dimensão, que todos têm aspecto ou foram mesmo de utilização palacial. São hoje grandes monumentos.
É de facto impressionante esta cidade de S.Petersburgo.

Helsínquia
Cruzeiro - 8º.dia
Oitava excursão

Chegámos ao porto de Helsinquia e o camarote teria de ficar vago a partir das 8 horas. O cruzeiro aproximava-se do fim.
Ainda aconteceu mais uma excursão para conhecermos a capital da Finlândia e quando chegaram as 19,00 horas locais, rumámos a Madrid.
Para trás ficaram locais extraordinários, que só desta forma é possível conhecer.
Na última noite, uma vez mais, foi possível admirar o pôr-do-sol por volta das 23,15 horas, altura em que decorria o show de despedida.

As imagens recolhidas ao longo do cruzeiro, umas centenas largas, não poderão constar todas destes relatos, mas algumas são complemento destes apontamentos.
De Helsiquia - O regresso a casa
Tudo o que que é bom também acaba. E o cruzeiro também acabou. Já estamos em casa.
De Helsinquia gostámos imenso e temos de dar graças a Deus, porque o tempo contrariou todas as previsões e apresentou-se com sol e temperatura de 28 gráus. Verão para eles, que raramente têm destas oportunidades para apanhar banhos de sol.

Levávamos imensos agasalhos, que só nos atrapalharam. Mas ainda bem.

Depois da excursão fomos levados ao aeroporto e dali o vôo para Madrid, onde chegámos cerca das 22,00 horas. Com recolha de malas e instalação no hotel, só depois da 1,00 hora local estávamos a dormir.
No dia seguinte saímos de Madrid, guiados pela "menina" do GPS, e passadas 3 horas de condução, sem parar, estávamos em Vilar Formoso a almoçar à portuguesa.
E pronto, acabou.
Para a estatística
Antes de acabar o relato da viagem, ficam aqui alguns números do cruzeiro.

Passageiros - sem saber o seu número exacto, ficou-me no ouvido que estariam a bordo cerca de 1.400.
Tripulantes - estes são números que constavam do jornal que todos os dias era publicado a bordo - 633 de 30 nacionalidades (conferindo os números encontro 29 nacionalidades, mas a sua soma indica-me 644):
Argentina 18, Alemanha 2, Brasil 96, Bulgária 4, Chile 18, Colombia 26, Croácia 1, Cuba 1, Espanha 21, Filipinas 129, Guatemala 26, Grécia 4, Honduras 75, India 29, Indonésia 75, Itália 2, Nicarágua 3, Noruega 2, Nepal 4, Panamá 8, Paraguai 1, Perú 19, Portugal 7, Polónia 3, Roménia 37, República Dominicana 7, Reino Unido 4, Ucrania 15 e Venezuela 7.

terça-feira, 28 de Abril de 2009

PA/D 1245 - A primeira grande viagem

A quando da criação do meu blogue, comecei o relato das minhas viagens - grandes ou menos grandes - pela viagem que as circunstâncias então impunham aos jovens mobilizados para teatros de guerra, nas antigas colónias portuguesas.
A minha aconteceu em 1967 e o destino foi Angola.
Passados 10 anos após o regresso, realizou-se o primeiro convívio dos militares que integraram o Pelotão de Apoio Directo nº. 1245.
Com apenas duas interrupções nos anos de 2007 e 2008, os militares e seus familiares foram convivendo e criando amizades, formando-se então a família PAD.
Chegamos a 2009 e decido criar um blogue próprio, relatando ali a história ainda que resumida, desta unidade, de que fiz parte.
Passaram 40 anos e a memória, inevitavelmente, deixou para trás muitos pormenores do que ali se viveu.
Ainda assim e porque sempre me guiei pela máxima de que "recordar é viver", fui mantendo algum espólio pessoal daqueles 26 meses passados em Angola.
Documentos ou imagens, serviram agora para reconstituir a história que vos deixo no seu blogue.

sexta-feira, 20 de Março de 2009

2007 - AÇORES - Faial e Terceira

A visita a estas duas ilhas dos Açores surgiu através de um dos programas do Inatel.
O testemunho que então fiz sobre ele está traduzido na última quadra de todas as que fui fazendo e que foram dadas a conhecer durante as animações que aconteceram no decurso do programa.
Poderia inserir as imagens e todas aquelas quadras e penso que seria o suficiente para estar feito o relato da viagem.
Mas não poderia deixar de fazer esta referência aos programas do Inatel, que são muito bons.
A rimar vi os Açores
A rimar faço o relato
Juntando todas as cores
P’ra lhe fazer o retrato

FAIAL

Finalmente vim visitar
Esta linda terra de flores
Pois há muito ando a sonhar
Por conhecer os Açores

Agarrei a ocasião
Não deixando passar o dia
Disse adeus ao Fundão
E trouxe comigo a Maria

Comecei pelo Faial
Virá depois a Terceira
Mas daqui até final
Vai correr tudo à maneira

A viagem de avião
Que fizemos sobre o mar
Não teve nenhum safanão
Correu bem até poisar

Chego a terra, pego a mala
Vejo uma mão a acenar
Ali estava a nossa Paula
Com o bus p’ra nos levar

E por uma estrada torta
Ao hotel nos veio trazer
Cá na cidade da Horta
Que enfim vou conhecer

Da história e da conquista
da ilha, vieram dizer
E veio a nutricionista
P’ra falar do bem comer

Capelinhos, o vulcão
Vi do cima da ladeira
Devido ao nevoeiro então
Já não pude ver a Caldeira

Cá de longe olhei o Pico
Não o pude ir visitar
Mas contente já eu fico
De o ter no meu olhar

Houve almoço e animação
Até na dança dei um toque
E foi nessa ocasião
Que cantei no karaoke

Para contar tudo o que vi
Mais havia para quadrar
Mas vou ficar por aqui
Conto mais se cá voltar

Diz que é animadora
Em vez de ser uma guia
Do que a Paula é portadora
É de muita simpatia

Vamos por isso ter saudade
E vontade de voltar
Por esta nova amizade
Que por nós fica a chamar

P’ra não fugir ao rigor
Nesta volta muito airosa
Uma palavra ao condutor
Que parece Pedro Abrunhosa
TERCEIRA

Do Faial vim p’ra Terceira
Num avião sem aparência
Mas o voo foi de primeira
E não houve turbulência

Ao passar sobre esta ilha
Vi uma manta de retalhos
Verdadeira maravilha
São os pastos e seus orvalhos

Em Biscoitos provei vinho
Vi museu e vi a vinha
Vi piscinas no caminho
E provei queijo Vaquinha

Fiz ginástica matinal
P’ra saúde ser melhor
Veio a noite cultural
Com o grupo de folclore

Vi o museu e a Sé
Os impérios tradicionais
Casas de Deus e de fé
E a dos Capitães Generais

Vi as Lajes e a Achada
Tudo me ficou na memória
Nesta volta que foi dada
Até à Praia da Vitória

Quanto à nossa animadora
Foi diferente da do Faial
Elegante e sedutora
E de trato mais formal

Mas com muito profissionalismo
Nos mostrou esta cidade
De Angra do Heroísmo
Património da Humanidade

P’ro programa classificar
Vou juntar umas estrelas
Para cinco já lhe dar
Pois mais fica a merecê-las

segunda-feira, 9 de Março de 2009

VISITA PASCAL NO FUNDÃO, 1979

VIAJANDO NO TEMPO (4)
Já o disse e irei repeti-lo, de certeza, muitas mais vezes: viajar é das coisas que mais gosto de fazer.
Por outro lado, a sabedoria popular tem para mim um valor tal, que me leva a adoptar como referência para a minha vida, algumas das sacramentais frases que todos conhecemos.
Uma delas é a que nos diz que: "recordar é viver".
E é lógico que assim seja, pois basta recordar algo de bom e tal já permite que esse momento se viva mais que uma vez, apesar de nos poder trazer também a saudade.
Mas se encararmos as coisas sem saudosimos balofos ou doentios, então a recordação é mesmo sinónimo de vida.
E é essa vida que que me permite fazer também as viagens pelo tempo e chegar a momentos que já se encontram a longa distância, mas que as imagens então gravadas nos permitem trazê-los até aos dias de hoje.
A viagem no tempo que hoje aqui relato, é o da visita pascal que há anos se fazia no Fundão.
O padre vinha de casa em casa, com o sacristão tocando a campainha, dar Jesus a beijar e um bando de garotos ficava na rua à espera que lhes fossem lançadas umas moedas ou até algumas goluseimas.
Também os amigos e vizinhos vinham beijar Jesus e a cena repetia-se de casa em casa, onde não faltava na mesa o bolo de páscoa e a garrafa do vinho do Porto.
O resultado era chegarmos ao fim do dia mais ou menos bêbados, pois tantos cálices de vinho teriam de fazer algum efeito.
Mas era bonito. Hoje só as imagens nos permitem viver de novo esses momentos.
Estas são do Fundão, mas do distante ano de 1979.

domingo, 1 de Março de 2009

GOLGOTA JASNOGÓRSKA - JASNA GÓRA

Adequada ao tempo que vivemos, puxo acima este texto.
VIAGEM BERLIM - VARSÓVIA
O relato desta viagem já foi feito. Porém, durante a mesma houve um momento muito especial, ocorrido quando nos deslocámos ao Mosteiro de Jasna Gorá, Czestochowa, que encerra o ícone de Nossa Senhora, conhecida como Virgem Negra e venerada como "Rainha da Polónia".
Aí nos proporcionaram a observação de uma colecção de painéis da autoria do pintor polaco Jerzy Duda Gracz, expostos numa galeria mais recatada do Mosteiro, que nos permitem uma "visão" das estações da Via-Sacra bem diferente daquela que habitualmente nos é dado observar.
No meu caso, a despertar uma curiosidade sem limites, que não terminou com as explicações que ali nos foram dadas, mas tem prosseguido até uma completa tradução do texto associado a cada imagem, no sentido de compreender todo o seu alcance. Penso tê-lo conseguido de forma bastante fiel.
Designa-se de Golgota Jasnogórska e a Paixão de Cristo é inserida num contexto e com figuras do nosso tempo, com uma envolvência muito particular da realidade polaca, como que a querer simbolizar a sua própria Via-Sacra.
O próprio autor dos painéis "coloca-se em cena" na Estação V - O Cireneo.

ESTAÇÃO I - Pilatos
Jesus está diante de Pilatos. Este facto motiva as nossas dúvidas e cria sensação nos media. - O Acusado é sincero e autêntico, considerando que o Seu Reino não é deste mundo? Cristo, mergulhado na sombra, fecha os olhos ante as leis terrenas, pois sabe que Ele não é réu mas o Juiz Celestial, que virá para julgar os vivos e os mortos. Ele será o Juiz Divino, bom e brilhante como o sol, ao contrário de Pilatos que apenas brilha sob a luz artificial dos projectores, de modo a que todo o mundo veja como lava as suas mãos do sangue do Cordeiro.

ESTAÇÃO II - Eis o Homem (Ecce Homo)

Aquele que inicia o Calvário na companhia de dois ladrões é nosso Deus, e apesar deste facto Ele carrega humildemente nas costas a Sua cruz. Pudesse Ele tomar sobre Si as nossas cruzes, muletas e membros artificiais, suportando o peso do sofrimento humano. Agradecido ao peso da cruz, Jesus torna-se um apoio para o sofrimento, fazendo milagres de cura. “…na Sua ferida a nossa salvação”. (Is 53, 5).

ESTAÇÃO III - A primeira queda

Estamos surpreendidos e ficamos aflitos pela fraqueza de Cristo e pela falta de intervenção angélica. Desviamos o olhar desta humilhação e não notamos qualquer sinal do sol sobre Ele. Cegos de espanto negamo-lo como nosso Salvador, continuando a imitar a fraqueza de Pedro, a Pedra sobre a qual Jesus construiria a Sua Igreja. Esquecendo-se disso “Deus poupará a humanidade graças às quedas de Jesus sob o peso da cruz”. (Card.K.Wojtyla, 1976, Retiro de Quaresma no Vaticano).
ESTAÇÃO IV - A Mãe

No Gólgota polaco Jesus não encontra sua mãe como um ser humano, mas sim Maria retratada na pintura de Jasna Góra e todas as mães são reflexos da sua imagem. A Hodegetria de Czestochowa indica o caminho da salvação. Pela primeira vez Jesus, durante a sua paixão, e Cristo-Emmanuel estão um ao lado do outro. Emmanuel é o início da Via, a Cruz o Seu fim. Nossa Senhora de Czestochowa e todas as Mães em sua peregrinação eterna, vão até Deus através do Gólgota . Irão conceber, darão à luz e irão sepultar, criando o acto perpétuo de Salvação e Redenção. As mães sob as cruzes de filhos humanos têm uma dimensão divina, quando os seus corações são trespassados por uma espada para cumprir as Escrituras.

ESTAÇÃO V - O Cireneo

“Era tão íntimo, mais próximo que Maria, mais próximo que João, que – por ser homem – não foi chamado para ajudar. Quanto durou esta coacção? Enquanto durou a caminhada a Seu lado, sublinha que não teve nenhuns laços com o condenado, a Sua culpa e o Seu castigo”? (Card.K.Wojtyla, 1976 Retiro de Quaresma no Vaticano). Foi necessária a coacção para quebrar as vulgaridades da vida e as celebrações enfadonhas. Foram necessárias a humilhação, o temor a estranhos e o temor à solidão para descobrir o Pão da Vida maltratado sob o peso da cruz.

ESTAÇÃO VI - A Veronica

Vera Ícon, que o mesmo é dizer “Imagem Verdadeira”. A “Imagem Verdadeira” de Cristo no homem é como o gene da dor, da doença e do sofrimento. Somos, nós os que foram criados à Sua imagem e semelhança, uma obra de misericórdia, um retalho do véu de Verónica? Este véu podia tornar-se uma bandeira de toda a humanidade na terra, sem sinais adicionais, símbolos e cores. A bandeira branca com imagem de Cristo simboliza a rendição humana ao Seu amor, pois “tudo aquilo que haveis feito a um destes meus irmãos, mesmo ao mais pequeno, havei-lo feito a Mim”.(Mt 25, 40).

ESTAÇÃO VII - A segunda queda

"É do conhecimento comum que as horas antes de férias são frequentemente agitadas. E as ruas são lotadas". (Card. K. Wojtyta, 1976 Retiro da Quaresma no Vaticano). A segunda queda de Jesus acontece ante uma multidão de pessoas ocupadas e tumultuosas, pois é Semana Santa e dentro de dias será Páscoa. Somente palmas tradicionais são deixadas do Domingo de Ramos, quando recebemos Jesus, comemorando a sua entrada em Jerusalém. Cristo caiu, mas continua a lutar, ainda está vivo e nós já o enterramos e cobrimos de violetas. Só um cão, que não classifica acontecimentos, notícias, reconhece e percebe que Deus está vivo.

ESTAÇÃO VIII - As mulheres de choro (carpideiras)

A consolação oferecida à mulher é o segundo encontro com a Mãe – um farol guiando-nos na Via da Salvação, mas desta vez através da penitência. O sofrimento de Cristo dizendo “(…) não chorai por mim, mas chorai por vós e por vossas crianças” (Lc 23, 28) nos dá a esperança que um verdadeiro arrependimento é uma oportunidade para o perdão dos pecados. Esta Estação mostra-nos a origem do diálogo e da misericórdia. As mulheres não choram por Deus, mas através da dor do parto elas sentem piedade do Filho do Homem, assim como Ele o havia dito.

ESTAÇÃO IX - Terceira queda

Esta é a continuação da Estação anterior, onde encontramos o choro por nossas crianças. “Humilhou-se e tornou-se obediente à morte” (Fil 2, 8). Desta vez, porém, é Jesus a chorar. Pelo sofrimento das crianças, o Filho de Deus sofre mais. Está desamparado como criança no seio da mãe. A Paixão de Cristo é também por meio do bater, molestar, violentar e matar os mais inocentes. Esta paixão também acaba com a Salvação. Por trás do inferno das crianças há a escada de sonho do Jacob. Antes de tudo, ele providencia acesso às crianças, que ascenderão com ele, antes de todos os mártires, “…pois deles é o Reino do Céu”.

ESTAÇÃO X - Jesus é despojado de suas roupas

O corpo de Jesus se liga iconograficamente com a parábola sobre a mulher pecaminosa e o atirar da primeira pedra por quem não tem nenhum pecado. O "pecado" de Jesus é a sua natureza humana, o seu corpo - o Corpo de Deus. No entanto, nós vemo-Lo como um corpo branco numa custódia dourada, adorado em procissão solene, acompanhada pelo tocar de sinos. Perante este corpo nós jogamos pétalas de rosa em vez de pedras, sem ver a nudez humilhante do Corpo do Filho de Deus. No entanto, "o Corpo de Jesus simboliza o amor do Pai. Este Corpo desnudado cumpre a vontade do Filho e a vontade do Pai". (Card. K. Wojtyla, 1976 Retiro de Quaresma no Vaticano) “(...) faço sempre aquilo que a Ele agrada (ao Pai)”. (Gv 8, 29).

ESTAÇÃO XI - A crucificação

Pregado à cruz sem quaisquer executores. Cristo coloca-se na cruz “pregado” pela dor humana, pelo martírio de vítimas que sofreram e morreram nas prisões, campos de concentração e lager (cerveja alemã), por Deus e pela Pátria. Recordamo-Lo em símbolos da Via polaca da Cruz, que conduz à nossa Ressurreição. Um vagão – um monumento aos mártires mortos no Leste – e um veículo “monumento” ao martírio do padre Popieluszko(1). São coroados na Estação-Monumento ao Cristo Crucificado, no qual não existe o orgulho do martírio, característica da dor e do medo humano. “(…)Furaram as minhas mãos e os meus pés, contaram todos os meus ossos”. (Sal 22(2), 17-18).

(1)- Padre Jerzy Popieluszko, perseguido e morto pelo regime comunista em 19/10/1984.

ESTAÇÃO XII - A agonia

Consumatum est. É acabado. Quando Jesus clama da cruz: "Eli, Eli, lem sabachthani"? (Mt 27, 46), é como o homem do nosso tempo sem esperança e no desespero. No seu "blasfemo" apogeu de solidão e agonia Ele vem perto de nós, reduzindo a sua Divindade à miséria e à fraqueza humana. Graças a este facto, o momento da morte do corpo de Jesus multiplicou e libertou cruzes através da Terra e as pessoas entenderam que por seguir Cristo todos têm que morrer para viver. "Homem que olha estes braços pode pensar que cingem o homem e o mundo com o maior esforço. Cingem! Aqui está o homem. Aqui está o próprio Deus". (Card. K.Wojtyla, 1976 Retiro de Quaresma no Vaticano) "Porque n’Ele nós vivemos, nos movemos, e existimos". (At. 17, 28). A nossa nação também gera crentes de Jesus Cristo e o seguem na dor de sua Mãe, Rainha da Polónia. Todos eles.

ESTAÇÃO XIII - Pietá

O Cristo Polaco nos braços da Mãe de Deus, com o Seu martírio e a Sua morte liberta o Inferno Polaco. É Anastasis(1), descendo ao inferno para libertar as almas de nossos mártires e heróis. No entanto, Jesus não entra no Limbo como um vencedor, como um herói; Ele entra como o Martirizado Corpo Humano, que liberta e abre portas, “ (...) e seu reino não terá mais fim". (Lc 1, 33).

(1)- Do texto de Philippe Gebara, em Iconografia:- "No tipo ícone da Anastasis (Ressurreição) do século XIII, Cristo encontra-se na sua gloriosa mandorla, rodeada por estrelas, de pé sobre os portões quebrados do inferno e sobre os símbolos dispersos da escravidão do pecado, levando tanto Adão, quanto Eva pela mão e os apanhando para fora de seus túmulos".

ESTAÇÃO XIV - O sepulcro

Por mais de 2000 anos nós temos estado perturbando a paz da morte corporal de Jesus Cristo, do tempo de José de Arimathea até hoje. O Túmulo de Jesus tem sido, durante séculos, lugar de fundação para teorias e livros, proclamando sua derrota ou inexistência. Hoje, no cemitério polaco de Oswiecim (Auscwitz) é esmagado por uma pilha de cruzes, que são profanadas e jogadas fora para o chamado Zwirowisko (pedreira). Não obstante, neste Sepulcro Jesus vive e ressuscitou no Terceiro Dia de acordo com as Escrituras. "Onde está, Oh morto, a tua vitória? Onde está, Oh morto, a tua lança"? (I Cor 15, 55) Morrendo destruiu a nossa morte, ressuscitando restaurou a nossa vida.

Quando acabo este relato, que vem sendo feito há bastante tempo, pela exigência que coloquei quanto à tradução, mas adimitindo sempre as imprecisões, já me foi dado assistir a uma conferência do Professor Doutor António Lopes de Sá, de 82 anos, a maior referência da contabilidade brasileira, que, justificando a sua eloquência e a sua prolífera edição de livros sobre contabilidade, cerca de 200, disse que "recebeu de Deus a dádiva da facilidade em falar e escrever, mas como Deus cobra sempre por todas as dádivas, ele tinha de pagar essa dádiva escrevendo e transmitindo o seu saber aos outros".

Sem querer equiparar-me ao Professor Lopes de Sá, acho que a pequena dádiva que posso pagar a Deus é dar a conhecer a existência do Golgota Jasnogórsaka. Nada fiz até hoje que me fizesse sentir tão gratificado.

2005 - MAIORCA

Maiorca foi um dos destinos turísticos escolhidos para as férias, com data marcada, mas havia de ser antecipado por uma boa razão: o aproveitamento de um programa com saída a oito dias da data antes escolhida, permitiu aproveitar uma oferta em que “viajam 2, paga 1”. O preço saiu quase a metade.
Nesta viagem foram nossos companheiros o irmão Joaquim e a cunhada Manuela e partimos do Porto, chegando a Maiorca para nos instalarmos em El Arenal, no Hotel Bahia de Palma.

Tal como fazemos em todas as viagens, aproveitamos as excursões para conhecer o sítio onde passamos férias e a primeira excursão foi a Porto Cristo, Grutas de Hams (anzol) e de Drach (Dragão). Pelo caminho uma visita às peles e às pérolas.
Naturalmente que os guias têm o seu interesse nos locais de negócio aonde conduzem os turistas, pois daí lhes advirá alguma compensação. Por isso termos passado pelas peles e depois pelas pérolas.

Após o almoço visitámos as grutas, começando pela de Hams e repetindo depois a visita à de Drach.

Nesta última terminámos a visita com uma pequena viagem num barco surgido do interior, ao som de uma música, que diria celestial.
O interior da gruta tem condições acústicas verdadeiramente excepcionais e até me fez sonhar na possibilidade de ali cantar, claro está, com os meus companheiros do Coro Intermezzo.
Apenas um sonho, mas lá diz o poeta:- o sonho comanda a vida.
Veio depois o dia passado na cidade de Palma para conhecer a capital da ilha, que também nos encantou. A catedral é naturalmente a imagem de marca que nos fica na memória, mas toda a cidade tem muito interesse.

E foi também na noite desse dia que assistimos ao espectáculo, com ceia, que nos foi proporcionado por “Es Foguero”, cujo programa nos deliciou pela sua qualidade e riqueza, tendo um pouco de tudo – desde a magia à dança clássica unida à força do flamenco, para além do circo, shows musicais de peças famosas como The Cats, Les Miserables, Chicago, Men in Black, River Dance, Cabaret e Moulin Rouge, que se iniciavam a partir de projecções em ecrans laterais e frontais e terminavam no palco com os grupos de bailados. Fica uma pequena amostra.

O dia seguinte foi dedicado a uma volta pela ilha, sendo iniciada em comboio com características antigas, embora em linha electrificada, acabando em Soller, em cujo porto iniciámos a viagem de barco até La Calobra.

O regresso foi feito pela Serra Tramuntana, cuja estrada serpenteava pela montanha acima, parecendo impossível o cruzamento de autocarros que nela circulavam. Mas tal foi acontecendo muitas vezes.

O tempo de praia foi bastante aproveitado em El Arenal, cuja marginal permitia longos passeios a pé e dessa maneira apreciar a intensa actividade turística que ali se vive, principalmente à noite. Os bares fervilham de gente e o tipo de espectáculos são os mais variados.
O destaque vai para um dos bares que parecia instalado numas ruínas e afinal elas não eram mais que uma construção feita com toda a perfeição em forma de ruína.

Ao longo da marginal foram acontecendo outras animações que permitiram uma estadia muito agradável, que naturalmente é para ser recordada e aqui ficar registada.

Mas tudo o que é bom tem o seu fim e estas férias também. Outras virão.

domingo, 8 de Fevereiro de 2009

CANÇÃO DE EMBALAR - ZECA AFONSO

Esta é uma das baladas de Zeca Afonso que me faz viajar no tempo. Recuar até aos momentos em que a sua presença e a sua música nos faziam sonhar com uma realidade bem diferente da que se vivia.
Sendo música, era também um grito e um instrumento de luta contra a opressão. E foi essa música que, sendo de protesto, se transformou numa mensagem de paz e nos fez abrir os olhos para os horizontes da liberdade.
Se o sonho comanda a vida, a música leva-nos ao sonho. Mas esta balada nunca deixará de ser para mim uma forma de me embalar para o sonho.

terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

QUERER, É PODER

Vendo este vídeo sugerido por um amigo, mais me dou conta da verdade que o título desta mensagem insere: quando queremos, nós podemos ! Acho que, de uma vez por todas, perdeu todo o sentido aquela afirmação: eu não consigo !


Para além destas, haverá muitas outras imagens que nos colocam perante exemplos que mostram de forma emotiva a força do querer, mas as que nos são mostradas no vídeo seguinte, acrescentam ainda algo de mais profundo, pois as aparentes limitações impostas pela falta de braços não fazem desistir uma mulher do acto supremo da maternidade, assumindo a responsabilidade de tratar, com toda a "normalidade", da criação de mais um ser humano. E com que carinho ela o faz !


Este outro exemplo também não precisa de palavras. As imagens dizem tudo.

Lições de vida que não podem, nem devem, ser desperdiçadas. E que a todos deveriam orientar.

sábado, 17 de Janeiro de 2009

"O que se leva desta vida, é a vida que se leva"

Isto é o que diz um anúncio da rádio portuguesa "Rádio Orbitral", de New Bedford. Mas para quem tem como filosofia de vida o aproveitamento de todas as oportunidades que ela nos dá, adoptar para si este pensamento é sinal de que sabe o que quer da vida.
Ter vivido a experiência de um AVC, que deixa no corpo marcas muito profundas, mas nunca tão grandes como as que deixa no espírito, levou-me a seguir o princípio de que só há uma vida para viver. E essa tem de ser bem aproveitada.
Os valores que servem de base ao bom aproveitamento da vida, têm para mim como referência a família, a fraternidade e a amizade, mas não só.
Deus acompanha-nos em todos os momentos, só temos de saber identificar a Sua presença. Quando tal acontece, a vida só pode sorrir-nos.

domingo, 9 de Novembro de 2008

2006 - AS 4 CAPITAIS DA EUROPA CENTRAL

PRAGA - BRATISLAVA - BUDAPEST - VIENA

Neste, como noutros, a escolha do programa teve a ver com o seu conteúdo, mas também foi dada muita importância ao operador, que foi aconselhado pela agência de viagens, confirmando-se no final que o serviço prestado correspondia à garantia de qualidade que nos foi dada sobre a Nortravel. O programa cumpriu-se sem falhas e a guia Tatyana, de nacionalidade checa, foi impecável.

No aeroporto de Lisboa demo-nos conta de que o casal fundanense Lili e José Travassos também seguia para o mesmo circuito, sendo por isso companheiros de viagem sem que antes o tivéssemos combinado. A viagem até Praga, com escala em Paris, foi ótima e à chegada a guia instalou-nos no Hotel Dorint Novotel. Uma particularidade deste hotel é que havia um enorme hall com escadaria à volta, tendo suspenso no centro um grande coração com uma abertura ao meio, o que permitia que as pessoas que estivessem na varanda ao nível do primeiro andar se vissem através dessa abertura, ouvindo-se perfeitamente sem que tivessem de elevar a voz, apesar de estarem bastante distantes umas das outras.

Depois de instalados, fiz com a Nelita um pequeno passeio de reconhecimento nas proximidades, regressando ao hotel, onde jantámos. E foi ao jantar que, na mesma mesa, nos reunimos com outro casal de portugueses que soubemos residirem no Canadá, chamados Tina e Pedro. O que aconteceu de bom desde esse momento já foi relatado neste blogue - uma amizade geradora de tal empatia com o casal, que em 2008 já o visitámos no Canadá, hospedando-nos em sua casa e mostrando-nos lugares tão maravilhosos como Toronto e as Cataratas do Niágara, de entre outros (CLIC para ver).

Praga

O dia seguinte foi de visita guiada pela que é designada de "Cidade das Cem Torres", começando pelo venerado Menino Jesus de Praga. Logo de seguida atravessámos o rio Moldava através da célebre Ponte Carlos, uma autêntica galeria ao ar livre e evocativa da figura do filho dilecto da cidade, o Imperador Carlos IV, entrando depois na Cidade Velha onde percorremos as suas encantadoras praças e ruelas. O passeio terminou na famosa Praça Velha, onde admirámos o relógio astronómico, seu ex-libris, almoçando no restaurante "Rott Crystal", onde o atractivo foi a sopa de cogumelos, servida dentro de um pão de onde foi retirado o miolo, servindo assim de terrina e prato ao mesmo tempo.O resto da tarde serviu para algumas compras, de entre elas as peças em ambar, uma recordação obrigatória de Praga.
O segundo dia nesta cidade, um domingo, foi de visitas por conta própria, que fizemos na companhia dos novos amigos Tina e Pedro.

A pé ou utilizando os transportes públicos, visitámos o Castelo, o Palácio Real, a Catedral de São Vito, subindo cerca de 300 degraus para visitar a sua torre, a Rua do Ouro e o Convento do Loreto, onde pudemos apreciar a famosa colecção de custódias, cuja segurança converte o espaço onde se encontram, num verdadeiro cofre forte. Mas, para além dos monumentos, muitos outros locais interessantes foram por nós visitados. Para a noite desse dia aceitámos o programa facultativo de um jantar no edifício da Casa Municipal, uma das construções mais notáveis em arte nova, existente em Praga, e ainda o espectáculo típico de teatro negro ou teatro de sombras (black light), com pessoas fazendo desconcertantes malabarismos e "voando" à frente do pano, como se nada as sustivesse.
O dia terminou para mim, dando-me conta que a unha do dedo grande do pé esquerdo havia saltado, devido ao aperto da sapatilha que usei nesse dia. Ainda assim, não chegou a perturbar o resto do circuito. Quanto a Praga, é mesmo um destino turístico de eleição, seja pelos seus monumentos, seja pela forma como a cultura é tratada, pelos concertos nos mais variados locais, igrejas, rua ou onde menos se espera.

Quando faço este relato, posso dizer que a unha que havia perdido, demorou cerca de um ano para se refazer.

Bratislava

O destino seguinte foi Bratislava, a capital da Eslovaquia. Ali chegados, houve lugar ao almoço em restaurante junto ao Danúbio. Embora de curta duração, a estadia permitiu visitar alguns lugares muito interessantes desta cidade.Budapest

Prosseguindo o programa, tomámos lugar no autocarro para rumar a Budapest, capital da Hungria, a cidade das nove pontes. Aí chegados, fomos alojados no Hotel Helia, também junto ao Danúbio, que podíamos admirar da nossa janela, para constatar o efeito das cheias que houvera tempos antes, tornando as águas completamente barrentas e arrastando consigo muito entulho, cuja presença ainda era bastante visível.

Nessa primeira noite houve jantar no restaurante Kárpátia, para tomarmos contacto com a gastronomia húngara e com a música zíngara, actuando ali alguns elementos da grande orquestra dos 100 violinos, todos de origem cigana, que estiveram em Portugal na inauguração do pavilhão húngaro, na Expo 98.

Tanto a comida como a música foram excelentes, até porque esta acabou por nos ser muito simpática, já que algumas das que foram interpretadas, eram portuguesas e todo o grupo as cantou, acompanhando os músicos.

Nessa noite até brindei com umas quadras os companheiros de mesa, que para além de mim e da Nelita, eram os casais Tina e Pedro, Lili e José Travassos, Graciete e João. Só porque as quadras ajudam a compôr a história, elas aqui ficam:

Uns versinhos a quadrar
Porque mais não sou capaz
Aos amigos vou dedicar
C’os cumprimentos do Vaz

Foi um momento de festa
Ouvindo música a compassos
Numa noite como esta
Em que estavam os Travassos

A comida era boa
E muito bom era o pão
Alentejanos, de Lisboa
Estavam Graciete e João

Ouvindo música celeste
Mas dum grupo sem concertina
Nesse restaurante em Pest
Estavam ainda Pedro e Tina

O dia seguinte teve um circuito panorâmico de autocarro e uma parte livre, em que nós e os nossos companheiros do resto de viagem, Tina e Pedro, almoçámos no edifício da antiga estação ferroviária, hoje uma praça em que há de tudo, incluindo restaurantes com comida típica em grande abundância.

Munidos do mapa da cidade fomos visitando catedrais, a ópera e outros monumentos, tendo a dado momento passado por nós um grupo de chineses ou japoneses, que decidimos seguir, acabando por nos levar a uma das catedrais que pretendíamos visitar. Também eram turistas. Não deixámos de visitar a famosa Praça dos Heróis, com o monumento milenar, encimado pelo Arcanjo São Gabriel.

Para a noite inscrevemo-nos no programa opcional de um cruzeiro no Danúbio, com jantar ao som de violinos e dança de bailarinos. E foi a propósito da valsa "o Danúbio Azul" que a guia local Antónia Kovács, que muito bem falava português, nos disse que o Danúbio é sempre azul se grande é a paixão ou maior a bebedeira. Pois nessa noite também constatei que a água barrenta do Danúbio "era" azul ... e eu não estava bêbado. Apesar do tempo chuvoso, não deixou de ser uma noite inolvidável, a que se seguiu um circuito panorâmico pela cidade, que nos levou a Buda, a outra parte da cidade, daí observando Pest.

Mesmo com chuva, ainda nos foi possível uma passagem pelo parque da cidade, construído aquando das comemorações pelo povo húngaro, do Millennium, ou seja, o aniversário de mil anos da ocupação da terra da Bacia dos Cárpatos, a conquista da sua pátria. Visitámos um castelo que parecia tirado de um conto de fadas. E a incontornável estátua do "Anónimo" também foi objecto de visita, ficando assim com uma ideia, ainda que pequena, daquele espaço fantástico.

Viena

A última etapa desta viagem às quatro capitais imperiais, correspondeu por inteiro ao que esperava para um final em beleza. Principalmente porque também me proporcionou um concerto num dos seus palácios, concretizando assim um dos meus sonhos. Mas Viena é demasiado grande para ser vista no tempo de que dispomos, o que apenas serve para aguçar o apetite para lá voltar e conhecê-la com mais pormenor.

Fomos alojados no Arcotel, bem situado para nos deslocarmos nas nossas visitas, mesmo quando ficávamos por nossa conta, utilizando os transportes públicos. Mas a visita panorâmica que a guia local nos proporcionou, levou-nos a passar pelos edifícios e praças que constituem o imponente conjunto do Hofburgo, Palácio-residência de inverno da família imperial, pela Praça dos Heróis e Museus de História de Arte e de Ciências Naturais. De autocarro passámos pela monumental avenida Ringstrasse, Parlamento, Câmara Municipal e Igreja Votiva.

Também apreciámos a curiosa obra arquitectónica de Hundertwasser, a fazer-nos lembrar Gaudi. Subimos ainda ao Palácio Belvedere para apreciarmos a vista dos seus jardins, visitámos a Karlzplatz, com a famosa Igreja de São Carlo Borromeo, o mais importante monumento barroco da cidade.

Mas foi no Museu em que a vida de Sisi nos é dada a conhecer nas mais diversas fases, que mais utilizámos o nosso tempo disponível, até chegar a hora do concerto que fazia parte do programa "Viena by night - a magia da música".

E nessa noite fomos até um dos salões do Palácio Schonbrunner, para assistirmos a um programa inesquecível que juntou orquestra e corpo de balett, mas em que a música nos proporcionou um daqueles momentos mágicos que jamais se esquecem.


sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

2007 - DE BERLIM A VARSÓVIA

Uma viagem marcada pelas visitas a Berlim, Dresden, Minas de Wieliczka, Auschwitz, Cracovia, Wroclaw, Czestochowa, Varsovia.

A escolha de uma viagem deve reunir, na minha perspectiva, pelo menos três pressupostos. Em primeiro lugar saber bem o que se pretende alcançar com a viagem. Depois, a qualidade do operador que organiza a viagem. Por fim, reunir toda a informação necessária para que saibamos o que vamos visitar, de modo a que no momento de escolher as excursões ou visitas facultativas que sempre nos propõem, saibamos optar com conhecimento de causa.
A opção por este programa foi feita pela oportunidade de visitar alguns lugares que também faziam parte do meu imaginário: Berlim, Auschwitz, Minas de Wieliczka, Czestochowa e Varsóvia, de entre outros.
E a leitura do programa do circuito foi suficiente para perceber que a história da 2ª. Guerra Mundial iria estar muito presente e isso foi também uma razão para a escolha, pois é um tema que me interessa muito.

Entretanto, durante as viagens acontecem sempre algumas surpresas e, para mim, a grande surpresa desta viagem foi Dresden. Não lera o suficiente para me dar conta da grandeza monumental que é Dresden, uma cidade que foi quase totalmente destruída pelos bombardeamentos dos aliados, mas que hoje está completamente recuperada e é, como disse, um sonho quanto a monumentos.

Mas estas viagens têm ainda outro aliciante - conhecemos pessoas maravilhosas. E se isso depende da nossa forma de ser, então pelos vistos temos sido bons companheiros para essas pessoas, pois nos elegem sempre como companhia e daí resultam relacionamentos que nos têm proporcionado momentos muito felizes.

Partimos de Lisboa rumo a Berlim, onde nos aguardava o guia de nome Valter, que nos levou ao Hotel Park Inn, situado na Alexanderplatz e nos alojou no seu 18º. piso.

Frente à nossa janela situava-se a famosa torre da TV e das telecomunicações com 368 m. de altura, tendo a 203 m. a plataforma com um café panorâmico rotativo.

Após o jantar e já com uma temperatura mais amena, pois a tarde esteve muito quente, eu e a Nelita decidimos descer toda a sumptuosa avenida que termina na Porta de Brandenburgo, cujo nome é Unter den Linden, mas que significará algo como "sob as árvores de lima".

Berlim, Potsdam e Sans Souci

O dia seguinte começou pela visita panorâmica à capital da República Federal da Alemanha, símbolo da "guerra fria", que até 1989 ficou dividida pelo "muro da vergonha" entre a parte denominada pela URSS, a leste, e a pertencente à RFA, a oeste.

O sítio em que o muro se encontrava implantado está devidamente assinalado ao longo das ruas, tendo visitado o famoso "Checkpoint Charlie", em que era possível haver passagem entre as alemanhas divididas, mas apenas para condições muito excepcionais.

Também algumas pequenas extensões do muro, ainda em pé e com grafites bem significativos, foram por nós visitadas, assim como o famoso quarteirão Tiergarten, a Universidade diante da qual foram queimadas montanhas de livros, de novo a Porta de Brandenburgo, o novo Reichstag, o Bunker em que Hitler se suicidou, o Memorial aos Judeus mortos da Europa e muitos outros locais ligados à sua história recente do pós-guerra.
A excursão que nos foi proposta e que de bom grado aceitámos, foi a Potsdam e ao Parque de Sans Souci com um conjunto de sumptuosos palácios, jardins e as famosas vinhas dispostas em sucalco, assim como o castelo que foi a residência estival de Frederico, o Grande. Aqui, o rei queria dedicar-se "sans souci" (sem apuros) ou perturbações, às suas inclinações filosóficas e culturais.
Mas é impossível descrever nestas simples páginas tudo o que nos foi dado ver durante esta visita, ou dar uma ideia do que é a extraordinária riqueza dos monumentos visitados, alguns dos quais com umas grandes pantufas enfiadas nos pés calçados, para não estragar o piso.
O tempo livre que tivemos, permitiu-nos ainda conhecer um pouco da vida berlinense e visitar diversos monumentos, de entre os quais destacamos pelo seu significado e como Memorial à 2ª. Guerra Mundial, a ruina do campanário da Igreja Comemorativa Imperador Guilherme, não desperdiçando também a oportunidade de comer um cachorro quente com umas salsichas de sabor inesquecível.
Visita a Dresden

Como já referi, Dresden foi a grande surpresa, passando a enriquecer o meu conhecimento sobre a chamada "Florença do Elba", uma cidade quase destruída pelo raid aéreo dos aliados de 13 para 14 de Fevereiro de 1945, em que terão morrido mais de 100.000 pessoas.

Antes e depois

Todo o património então destruído foi recuperado por completo, permitindo-nos visitar um conjunto monumental fantástico e de valor incalculável, do qual se destaca o conjunto barroco Zwinger (ex-libris da cidade), a Ópera Semper, a antiga Catedral Católica, de entre muitos outros verdadeiros tesouros monumentais, e num muro do castelo o impressionante painel de mosaicos de porcelana de Meissen "a Procissão dos Duques", que milagrosamente escapou intacto aos bombardeamentos.

Wroclaw e Cracóvia

De partida para a Polónia, a primeira paragem foi em Wroclaw, para uma visita a esta bela e monumental cidade, uma das mais ricas e encantadoras do país. Aí nos foi servido o almoço, de características gastronómicas polacas.

Após o almoço continuámos para a cidade de Cracóvia, uma das maiores do país e classificada de Património da Humanidade pela UNESCO.

A visita a esta histórica cidade foi, em grande parte, feita a pé e dos locais visitados destaca-se o Monte Wavel com o Castelo real e a visita ao interior da Catedral onde foi bispo Carol Woitila, Papa João Paulo II, e ainda a parte de Cracóvia que foi cidade independente e habitada pelos judeus, chamada Kazimierz, em cuja praça foi rodado grande parte do filme "A lista de Schindler". Entretanto, como excursão facultativa, foi-nos dada a possibilidade de visitar as Minas de Sal de Wieliczka, também Património da Humanidade, e a expectativa que tinha sobre esta visita também não saíu gorada.

Tentara informar-me o mais possível sobre o que iria ver, mas a imaginação não foi assim tão fértil para chegar à maravilha que me foi dado observar - uma autêntica cidade subterrânea feita de sal, o chamado sal-gema, com as suas casas, escolas, campos para a prática de desporto, basílica, inúmeras estátuas de santos esculpidas no sal e maravilhosos lagos. Existem ainda sanatórios, restaurantes e capelas em que se realizam cerimónias e concertos.

Fiquei a saber que as minas têm uns 5.000 anos, tem 9 níveis e o último está situado a 327 m de profundidade, que o grupo visitou, sendo a longitude total das galerias de 250 km, embora o percurso turístico que nos é oferecido representem apenas 3% de todas as escavações. Dizer ainda que o labirinto de sal de Wieliczka já era famoso na Europa medieval.

O vídeo do YouTube, bem como as fotos a seguir, permitem dar uma ideia de como era imperdível esta excursão.

Para o serão deste dia foi-nos ainda proposto um jantar num restaurante judeu, que nos faria voltar a Kazimierz. O jantar teria a companhia de música típica, a chamada música kezmer, sendo aceite praticamente por todo o grupo. Se a experiência da gastronomia judaica já nos permitiria dizer que valeu a pena, então a música interpretada pelo trio Di Galitzyaner Klesmorim, composto por acordeão, violoncelo e clarinete, este tocado por uma mulher, foi de sonho, apesar de praticamente toda ela estar carregada de um sentimento que bem se percebe ter a ver com o sofrimento do povo judeu (oiça 4 dessas musicas, clicando aqui).

Auschwitz e Santuário de Czestochowa

O dia seguinte iria proporcionar-nos a oportunidade para visitar o Campo de Concentração de Auschwitz, expoente máximo da ignominia humana, onde milhões de seres humanos foram exterminados de uma forma minuciosamente programada.

Se bem que fizesse parte do meu imaginário a possibilidade de vir a este local, pelo quanto me interesso pela história da 2ª. Guerra Mundial, estava longe de supor que aquele ambiente, e mais ainda o espólio dos que ali foram exterminados, tinha sobre mim um efeito tal, que o peito se aperta e a própria respiração se faz com dificuldade. Mal se acredita que num programa tão tenebroso como foi o da Solução Final, nenhuma consciência se tivesse transformado na areia que emperrasse tal engrenagem de morte, evitando que elas se consumassem em número tão assombroso.

E revoltante é a ironia do letreiro que encima a entrada do campo, onde se lê "Arbeit Macht Frei", que significa "O Trabalho Liberta".

Deixamos para trás aquele local de morte, mas ainda assim não deixei de formular o desejo de que todos deviam ter a possibilidade de visitar Auschwitz ... para que o mundo nunca esqueça o que ali se passou.

E a seguir veio a visita ao Santuário de Czestochowa, o maior centro de peregrinações neste país profundamente católico, para admirarmos o Mosteiro de Jasna Gorá, um dos mais famosos santuários Marianos da Europa, que encerra o ícone de Nossa Senhora, conhecida como Virgem Negra e venerada como "Rainha da Polónia", que viria a tornar-se o símbolo do país.

Dele já tive a oportunidade de escrever, referindo-me a uma colecção de painéis existentes numa galeria mais recatada do Mosteiro, da autoria do pintor polaco Jerzy Duda Gracz, com o nome de Golgota Jasnogórska, que nos proporciona uma "visão" das estações da Via-Sacra bem diferente daquela que habitualmente nos é dado observar. Pode ver, CLICANDO AQUI.

Varsóvia, por fim !

Foi uma cidade imponente, com uma intensa vida cosmopolita, antes de ser destruída pelos bombardeamentos durante a 2ª. Guerra Mundial. Reerguida dos escombros, tem vindo ao longo dos anos a adquirir a imponência de outrora e a sua importância como cidade europeia. Espraia-se ao longo do rio Vistula.

Nela viveu Chopin até se ter refugiado em Paris devido à guerra, onde morreu, mas deixando como desejo final que o seu coração voltasse a Varsóvia, onde se encontra num sarcófago, que tivémos a oportunidade de admirar na Igreja de Santa Cruz, em que foi colocado.

O passeio a pé que nos foi proporcionado levou-nos a visitar a Praça da Cidade Velha, totalmente reconstruída após a guerra e incluída na lista do Património mundial da UNESCO, a gótica Catedral de S. João, o local do Gueto Judeu com o Memorial às vítimas do nazismo, a Praça Umschlag e a famosa Rua Mila, centro de toda a resistência no gueto, incluindo o bunker em que um grupo se suicidou, fazendo-se destruir assim como à tropa nazi que o atacou. Mas outros locais foram visitados.
Depois de visitar a cidade e os locais que citei, pude identificar no filme "O pianista" esses mesmos locais com uma total "destruição", o que se consegue através de painéis cobrindo os edifícios, em que é pintada essa "destruição", mas de onde sobressai uma enorme estátua na avenida que vai da zona de Barbakan e que identifica perfeitamente o local.

E de entre esses outros lugares visitados, houve o Parque Lazienki com os seus belos jardins, onde existe um monumento dedicado a Chopin, com características muito peculiares e junto ao qual foi tirada a fotografia de grupo, com o nosso guia Valter.

Para a noite da despedida houve jantar típico com dança e música polacas.

quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

VIAJANDO NO TEMPO (2)

A PROPÓSITO DE 15 CENTÍMETROS
se a vida for medida ao centímetro, numa média de 75 anos.

Hoje a viagem na inversa que decido fazer, tem uma paragem no “miradouro” de onde se “observou” um momento de confraternização de antigos companheiros do serviço militar, cumprido em Angola.
Aconteceu em Oliveira de Azeméis, e a expectativa quanto a esta confraternização era a de terem decorrido mais de trinta anos desde que havia estado com a maior parte deles.
Reconhecê-los não foi tarefa fácil, nos primeiros instantes, mas depressa a memória nos actualizou quanto aos traços físicos que em todos nós permanecem, apesar do envelhecimento.
Foi um reviver do passado que nos rejuvenesceu, e os episódios de momentos vividos em comum foram trazidos até à actualidade durante umas horas, que também agora passam a fazer parte da história de um período marcante das nossas vidas.
E é num desses momentos em que o passado se recorda que, usando da palavra, estabeleci um paralelo entre os nossos anos de vida e a medida métrica, situando-a nos 75 anos, o que significava que a nossa vida média teria o comprimento de 75 centímetros.
Ora, se os 60 anos já decorridos correspondiam a 60 centímetros e aceitando que iria cumprir a média dos 75 anos, naquele momento faltavam-me 15 centímetros.
Foi o riso geral quando utilizei o termo “faltavam-me 15 centímetros” e o resto do dia foi de paródia pelos 15 centímetros em falta.
Veio o encontro do ano seguinte, a que não pude comparecer por ter outro compromisso, mas não deixei de fazer-me representar, enviando uma poesia a respeito dos 15 centímetros que “me faltavam”.
Ela aí fica:
I
De uma geração passada
Ao centímetro me fiz gente
Primeiro não era nada
Logo depois foi dureza
Sentida por homem potente
Cuja medida não pára
De se agitar com firmeza
Dando lugar a esta cara

II
Ao centímetro medindo a vida
Com vinte me fizeram magala
E já sem barba comprida
Fiz obediência a mandões
E lá tive de bater pala
Vezes sem conta ou medida
Só porque tinham galões
Ou uma farda vestida

III
Em dois furos da escala
Por Angola eu andei
Mas sempre tive na mala
Para servir a quem gosta
Suave música que dancei
Em terraço ou escura sala
E logo ela se encosta
Na medida que a embala

IV
Mas seja ela qual for
A medida é sempre exacta
Pois em momento de ardor
Nunca o centímetro contou
Nem quando a fome se mata
Alimentando o amor
De quem por nós suspirou
Como um hino de louvor

V
Uma vida assim medida
De um até setenta e cinco
Não é uma média comprida
Quando se chega a sessenta
E com quinze ainda brinco
De uma forma sentida
Esperando pelos oitenta
C’o mesmo amor pela vida

VI
Agora contai lá vós
A medida que vos falta
Mas ide trincando a noz
Nem que já vos falte o dente
Bem alto dizendo à malta
Que o quinze é bem feroz
Uma medida certa e potente
E capaz de erguer mós

Esta foi mais uma das “observações” que pude fazer de um dos muitos “miradouros” que existem ao longo do percurso na inversa, de viajando no tempo.

quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

2008 - CRUZEIRO ATENAS-VENEZA

O relato desta viagem tem de começar, como é de justiça, pela história da nossa “burrinha”-Toyota, por se tratar de peça fundamental na concretização desta viagem, como já o foi de outras, algumas delas já relatadas no blog.
Dou como exemplo:- “A paixão pelos museus”, como transporte e alojamento; “1987-Paris e o Louvre”, em que também nos levou a Paris; “1993-Santiago de Compostela”, também como transporte e alojamento; “2002-Cruzeiro Brisas do Mediterrâneo”, levando-nos até Barcelona; “2004-Tenerife e o Teide”, levando o grupo até ao aeroporto.
Mas as histórias de viagens que a “burrinha” permitiu concretizar não são apenas as que eu relato, se não veja-se o blog do meu David, com o texto “The Ramona”. Para conhecer a história, faça clic.

Mas vamos ao relato desta viagem, começando pela composição do grupo:- eu e a minha Nelita, Joaquim e Manuela, Luís Carvalho e Graciete
Como a viagem de avião de Madrid até Atenas estava incluída no preço, embora o cruzeiro começasse naquela cidade grega a 19 de Maio e terminasse a 26, em Veneza, antecipámos a partida em dois dias para visitar o Escorial, que já conhecia, Vale dos Caídos e Madrid. Assim, foi aproveitado o fim de semana.
Do Escorial, basta dizer que se trata de uma das maravilhas do mundo. O Vale dos Caídos é para mim outra maravilha, e merece bem uma visita.

A dormida foi em Las Rozas, no hotel Trip Las Matas, e o dia de domingo, em Madrid, foi muito preenchido e bem aproveitado. No final havia muito para recordar e a dormida no hotel junto ao aeroporto, teve de ser à pressa porque a saída fez-nos madrugar muito.

A viagem de avião decorreu sem problemas, e mal chegamos a Atenas já tínhamos no autocarro os papéis de inscrição para a primeira excursão, propondo a visita à cidade de Atenas e à emblemática Acrópole. Todos fomos, pois era esse o nosso objectivo, quando escolhemos o programa.

Excursão a Atenas

As imagens que se conhecem por postal, tanto da Acrópole como de alguns outros monumentos da cidade, diferem bastante do que encontramos, uma vez que os andaimes metálicos são a imagem dominante sobre os monumentos.
Os guias vão dizendo que estes estão a ser recuperados, mas à boca pequena acrescentam que as estruturas metálicas já se encontram ali há 12 anos !!!
De qualquer modo, são lugares que nos causam grande emoção, quando os visitamos pela primeira vez.

Quando sol aperta, o desenrasque de uma protecção para a cabeça

Na cidade, a visita ao estádio olímpico e o ritual do render da guarda de honra (os Evzones) ao parlamento e monumento ao soldado desconhecido, são também momentos marcantes desta visita a Atenas, como se pode ver pelo vídeo:

Outros locais e monumentos foram visitados, embora de uma forma panorâmica e mais apressada, até regressarmos ao navio que ao princípio da noite se pôs a caminho de Santorini.
Só deixar aqui registado o desagradável episódio da perda, felizmente não definitiva, da maleta de ombro do Luís Carvalho, contendo todos os documentos de identificação, bilhetes de avião, máquina de filmar e dinheiro, quando na alfândega se esqueceu de a recolher do tapete rolante e esta desapareceu no fosso. Lembrou-se que a não tinha, passados uns longos minutos, ao pretender entrar no barco, e foi o pânico. Acabou por se recuperar a tempo e o episódio teve um final feliz.
Como disse, ao anoitecer o barco levanta ferros de Atenas, começando então uma semana que teve sempre o brilho do sol e que será recordada pelas melhores razões.
E uma das melhores razões para recordar e também festejar, é que fizemos 37 anos de casados. Eu e a minha Nelita.

Um cruzeiro começa por nos instalarmos no respectivo camarote e conhecer a autêntica cidade flutuante, que é um paquete como o Zenit. A experiência do anterior Cruzeiro no Mediterrâneo (faça CLIC), em 2002, levou-nos a não hesitar nos passos a dar dentro do barco.
A par da instalação nos aposentos, é a designação do lugar que havemos de ocupar no restaurante, ao longo de todo o cruzeiro. Convém dizer que este cruzeiro era TI, ou seja, tudo incluído, mesmo as bebidas, até as de bar.
Tudo nos foi facilitado, até porque o chefe do restaurante e o chefe do pessoal eram portugueses. O Cabrita e o Rúben. Ei-los:

As instalações, os serviços e o tratamento de um cruzeiro são habitualmente considerados de 5 estrelas, e este também assim era.
Cada mesa tem a servi-la dois funcionários, que procuram desempenhar um serviço sem falhas, pois no fim serão classificados através de um questionário a que todos respondemos, e eles procuram que a resposta seja sempre a de máximo valor, o que lhes proporciona certas regalias. No nosso caso a classificação dada foi a máxima. O mesmo aconteceu com o serviço de camarote, feito por uma moça brasileira.

A partir do primeiro dia instala-se uma certa rotina na nossa movimentação no cruzeiro: pequeno-almoço bufet, excursão se optarmos por ela, almoço, animações em bares e discotecas, jogos, lanche, jantar no restaurante, show no salão de espectáculos, uma ida ao casino se tal nos aprouver, bufet do serão e depois cama, que também faz falta.

Depois vai havendo animações especiais, e até aconteceu uma noite de carnaval.

Passada a primeira excursão em Atenas e a primeira noite a bordo, surge a segunda excursão:- uma visita à ilha de Santorini, de origem vulcânica, localizada no extremo sul do grupo das Cíclades, no Mar Egeu, cujo nome se deve a Santa Irene
Desta ilha o que se pode dizer é que faltam as palavras para descrever tal maravilha. Um dos locais mais fotografados do mundo e também mais caros para comprar casa. As imagens falam por si.

A visita começou por Ia e acabou em Fira, a capital da ilha. Depois da visita, havia duas formas de regressar ao porto, onde um pequeno barco nos levaria ao paquete: pelo teleférico, de burro ou a pé, descendo uma calçada de largos degraus por onde os burros e as pessoas transitavam.
A distância era longa e o calor apertava, mas eu e minha mulher optámos por essa forma de regresso ao barco. Ou não fôssemos caminheiros da Gardunha.

Mas o cruzeiro apenas tinha começado e um dos actos que acontece em todos, e neste também, é o simulacro de emergência com coletes de salvação e tudo. Felizmente que apenas isso.

Os espectáculos que vão acontecendo no palco todas as noites, sendo de grande qualidade, são imperdíveis, mas outras animações como a da noite tropical no Deck em que está a piscina constituiram momentos inolvidáveis, sendo as decorações dos frutos verdadeiras obras de arte.

O dia a dia continua na sua rotina normal e essa rotina inclui as excursões, com mais uma a realizar-se.

Excursão a Rhodes
Do que já tinha lido sobre história, sabia que o Colosso de Rhodes consta de uma famosa lista, atribuída a Antípatro de Sídon, como uma das sete maravilhas do mundo antigo, dela constando outras majestosas obras artísticas e arquitectónicas erguidas durante a Antiguidade Clássica, como:- Pirâmides de Gizé; Jardins Suspensos da Babilónia; Estátua de Zeus em Olímpia; Templo de Ártemis em Éfeso; Mausoléu de Halicarnasso e Farol de Alexandria.
Exceptuando as Pirâmides de Gizé, os vestígios arqueológicos destas maravilhas são poucos ou mesmo inexistentes, mas os elementos históricos disponíveis fazem crer que existiram.
Tal como aconteceu em 2002, com a visita a Pompeia, também a emoção e ansiedade em visitar Rhodes eram grandes, embora sabendo que ali não ia encontrar a estátua do Colosso.
Mas a história diz que foi construída para comemorar a retirada das tropas macedónias que tentavam conquistar a ilha e foi feita das armas que estes abandonaram no local.
Estava colocada na entrada marítima da ilha, foi finalizada pelo escultor Carés de Lindos em 280 a.C., tinha 30 m. de altura e 70 toneladas de peso, permitindo que qualquer barco que adentrasse o porto, passasse por entre as suas pernas.
Ficou em pé durante 55 anos, sendo abalada por um terramoto que a jogou no fundo da baía.
Não são conhecidos esboços da sua imagem original, pelo que a figura que chega aos nossos dias, será fruto da imaginação de algum historiador.

Mas a ilha de Rhodes teve e tem muitos outros motivos de interesse para ser visitada.
Faz parte do grupo de ilhas Dodecaneso (que significa doze ilhas), na extremidade leste do Mar Egeu, junto à costa sudoeste da Turquia, sendo Rhodes a mais importante, historicamente.
Saindo do porto, começámos por fazer uma visita panorâmica que nos levaria até ao monte conhecido por Monte Ágios Stefanos, onde se encontrava a Acrópole.

Por entre campos de oliveiras, encontra-se o Estádio do sec.III aC e um pequeno teatro, completamente restaurados.

Durante o percurso e ao passar na zona ribeirinha, pudemos observar as colunatas onde se diz ter estado implantada a estátua do Colosso, hoje com dois cervos que fazem parte do emblema da cidade.

No regresso, entrámos na cidade a pé, por umas das cinco portas da muralha que dão acesso à cidade velha, descendo a histórica Rua dos Cavaleiros, com os seus majestosos edifícios que os albergaram.

Sendo as ordens formadas por cavaleiros de diferentes nacionalidades, a linguagem que ali se falava não era a grega, mas sim o latim e o francês.
De seguida visitámos o Palácio do Grão Mestre, ao mesmo tempo residência e fortaleza, tendo oportunidade de ver como diversos espaços estavam pavimentados com antigos mosaicos da ilha de Kos.


No final da visita houve tempo livre para adquirir algumas lembranças, até retomarmos o cruzeiro.

Já foi referido que a partir do primeiro dia temos destinada a mesa no restaurante, assim como os funcionários que nos servem sempre com uma grande simpatia, que sendo os mesmos ao longo do cruzeiro, com eles estabelecemos uma relação de proximidade, que no final sentimos estar a despedir-nos de amigos. Aliás, a organização fomenta precisamente esse relacionamento familiar.

Não existem grandes exigências quanto à forma de vestir. Apenas no restaurante não é permitido o uso de calções ou fatos de banho, de modo a que o espaço tenha a sua dignidade, o que se compreende. E até ficaria a destoar, se assim não fosse, pois a decoração é sempre é muito bonita.

Excursão a Mykonos

A visita a esta ilha foi feita sem guia, apenas utillizando o autocarro para nos levar até lá, pois nos haviam informado que a cidade era pequena e de fácil andamento e que seria, como realmente aconteceu, uma agradável surpresa para nós.

Encontrámos, de facto, uma linda cidade, que é o exemplo supremo de um pequeno povo Cycladico, com casitas brancas cúbicas, ruelas também com lajedo contornado a branco, que se cruzam em labirinto, muitas flores e muitos estabelecimentos comerciais, vendendo artigos de marcas famosas e bem conhecidas. Exceptuando o burburinho que se verifica constantemente e a existência de estabelecimentos com fartura, muitos recantos assemelham-se às aldeias alentejanas, também caiadas de branco.

Também a ourivesaria estava bem representada com inúmeros estabelecimentos, assim como a hotelaria, cafetaria, restauração e típicas tabernas gregas, dando resposta ao fluxo turístico, de que vive a ilha.

Destaque para a igreja mais famosa da ilha, dedicada à Virgem de Paraportianí, os moinhos de vento e o bairro denominado de Pequena Veneza, precisamente porque as casas se encontram ao nível do mar.

De referir também a curiosidade de o símbolo da ilha ser um velho pelicano chamado "pedro", que também tivémos a oportunidade de fotografar junto de nós.

Na minha pespectiva, um cruzeiro não se justifica tão somente pela estadia a bordo, que já é extraordinária, face às condições e ao programa espectacular que nos é oferecido durante uma semana. O que verdadeiramente me tem levado a fazê-los é a possibilidade de visitar lugares que têm feito parte do meu imaginário e que aos poucos tenho concretizado.

O cruzeiro vai-se desenrolando rapidamente e a noite de navegação até Dubrovnik foi de grande festa, acontecendo a que se chama "noite do comandante", com o jantar de gala, sendo também nesta noite que os funcionários do restaurante repetem uma das suas animações, envolvendo todas as pessoas na agradável movimentação dos guardanapos, ao som de música que termina em "bicha de pirilau" percorrendo todas as mesas.


Num dos dois turnos do jantar o comandante também participa, seguindo-se a fotografia da praxe, com todos os que queriam fazê-lo, assim como outras fotos que assinalem a presença neste cruzeiro a bordo do Zenit.

Dado que um dos turnos ao jantar não teve a presença do comandante, seguiu-se então um brinde no salão de espectáculos, aberto a todos os participantes, subindo ao palco não só o comandante como os demais responsáveis do navio.

Excursão a Dubrovnik

A ansiada visita a esta cidade, declarada património da Humanidade pela UNESCO e conhecida por “Pérola do Adriático”, começou por gerar em mim e em que me acompanhava uma certa angústia, pois não pensámos no facto de a Croácia não pertencer à União Europeia e só ali sermos prevenidos de que seria necessário passaporte, que não tínhamos levado.
Pelo grande desejo de fazer esta excursão, decididos correr o risco de a comprar e entrar sem o passaporte, acabando por tudo correr bem, pois nem sequer fomos confrontados pela exigência de qualquer documento.
E valeu a pena correr o risco.

Saindo do navio, fomos de lancha até ao porto da cidade, onde um autocarro nos levou em visita panorâmica até à ponte nova sobre o rio Dubrovnik, onde pudemos admirar a península de Lapad, porto de Gruz e o arquipélago Elafiti.
Seguindo para o alto pela estrada da costa, foi feita uma segunda paragem para admirarmos a cidade e as suas admiráveis muralhas medievais.

Uma nota que devo deixar, é que na década de 90, durante a guerra civil que ocorreu entre alguns dos estados da antiga Yugoslávia, parte da cidade foi destruída, mas agora quase não se notavam os vestígios dessa destruição.
O autocarro havia de nos deixar junto à Porta de Pile, sobre a qual existe uma estátua de São Blas, patrono da cidade.

A pé começámos então a visita ao coração da sua parte velha, através do ”Stradum” , que é a larga rua principal, com majestosos e antigos edifícios, agora com numerosos locais de produtos típicos e artesanato.

Tivemos oportunidade para visitar a Catedral barroca, construída sobre uma antiga igreja românica, que foi o edifício mais importante antes da destruição da cidade pelo grande terramoto de 1667.
Ainda visitámos o Palácio do Reitor, de arquitectura Dálmata e lugar de residência dos primeiros Reitores da República de Dubrovnik, assim como o Mosteiro Dominico com a sua igreja do sec. XIV e o seu precioso recheio.
Mas toda a cidade é um verdadeiro tesouro em monumentos, que só foi possível apreciar bastante a correr e guardá-los no arquivo fotográfico, para mais tarde recordar, e constatar também que existe uma animação cultural permanente por toda a cidade e locais de convívio, esplanadas, estabelecimentos típicos de restauração e venda de artesanato, aproveitando o fluxo turístico de que beneficia.
Também a música tem a sua presença constante, com grupos cantando na rua, e tal como faço em todos os contactos com outras culturas, procuro adquirir os registos da sua música, que tornam as recordações muito mais vivas e agradáveis.

Veneza
E para um final feliz deste cruzeiro, não podia haver melhor sítio que a romântica Veneza, onde chegámos domingo e permanecemos até ao dia seguinte.
Após a nossa chegada, fomos de excursão em lanchas privadas até à ilha de Murano, passando pelo Canal de Giudeca e zona de São Marcos, para visitar uma fábrica dos famosos cristais de Murano e observar como os seus mestres criadores produzem as mais incríveis peças deste produto de fama mundial.

No regresso até à zona de São Marcos, passámos ao largo da ilha de Santa Helena e por outra que apenas tem servido de cemitério aos venezianos.

E chega o momento do ansiado passeio de gôndola pelos canais da cidade, com passagem por alguns pontos emblemáticos, após o que dispusemos de tempo para visitar outros locais também tão famosos como a Ponte dos Suspiros, até que nos dirigimos para a zona da praça de São Marcos, para uma visita mais pormenorizada.

E ao final da tarde foi o regresso ao paquete do cruzeiro, onde ainda pernoitámos, para sair no dia seguinte.

A penúltima noite
Os acontecimentos da penúltima noite a bordo são de animação caseira e de agradecimento dos organizadores aos participantes, ou seja, o espectáculo é feito com os próprios funcionários e com os participantes, que também animam a festa, principalmente ao jantar, criando-se então uma grande empatia entre todos.
Na sala de espectáculos repete-se a animação e acontecem verdadeiras surpresas, com grandes revelações dos artistas que se apresentam em palco, sejam funcionários, sejam participantes do cruzeiro.

A última noite essa é de arrumar contas, se as houver pendentes, e de preparar as malas que hão-de ser deixadas à porta da cabine para serem levadas até ao transporte para o aeroporto e daí fazermos a viagem de regresso a Madrid.

Os companheiros de viagem

A "burrinha" que chegou toda "rôta", mas trouxe-nos a casa

E para que se tenha uma ideia das pessoas que participaram neste cruzeiro, assim como daquelas que o organizam, aqui ficam alguns números publicados no jornal diário que se publica a bordo, com uma edição em português:

Comandante - Ilias Venetantis (Grego)

Empresa organizadora - Pullmantur (Espanha)

1.344 passageiros, para os quais cozinharam 70 cozinheiros

630 tripulantes, de 31 países (7 de Portugal, todos em lugares de chefia)

1.334 milhas náuticas (2.470 km) percorridas de Atenas a Veneza

domingo, 26 de Outubro de 2008

A FAMÍLIA, ACIMA DE TUDO !

Pode ser a defesa pela sobrevivência, mas as imagens ensinam-nos também que a família, quando está unida, consegue proteger-se e proteger os membros mais fracos, vencendo qualquer inimigo, por mais poderoso que ele seja.

Ecoa no meu espírito a frase que alguém escreveu: "Animais são anjos disfarçados, mandados à terra por Deus, para mostrar ao homem o que é fidelidade" (e amor !).

quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

PRAGA - PORQUE NOS ENCANTA ?!

VIAGEM - AS 4 CAPITAIS DA EUROPA CENTRAL
Está para ser contada, em breve, a história desta viagem, feita em 2006. Fantástica ! e quem conhece Praga sabe porque falo assim.

Mas este apontamento é motivado pelo blog de "o-andarilho", a propósito do comportamento português e da muito pertinente interrogação: porquê ? Se quer saber, faça CLIC.
Mas vamos à questão:- existe em Portugal uma lei que estabelece as regras sobre o "alojamento de cães e gatos ... relativamente à conspurcação ambiental e doenças transmissíveis ao homem".
Também estabelece penalidades para quem as não cumpra. Se alguém já foi penalizado, ou não, é outro caso. Refiro-me ao Decreto-Lei 314/2003 e ao seu artº. 3º., nº.1.
Mas a pertinente interrogação: porquê ? tem uma resposta. É que o civismo... não chega por decreto.
Daí que traga as tais imagens de Praga, de que tanto gostei, e não precisamos conhecer a linguagem polaca para as perceber.

São pequenos sacos em papel reciclado, que trazem dentro um cartão já vincado para ser transformado em pá.

Vi disto em diversos pontos da cidade, pendurado de pequenos postes de cerca de um metro de altura. E não vi dejectos no chão.

É modelo pantenteado e vale a pena visitar o sítio: http://www.fedog.cz/

Mas em Portugal também já vi bons exemplos. A Nazaré instalou na sua marginal os postes e as caixas onde havia os tais sacos plásticos, mas depressa foram vandalizados e agora nada existe. É pena.

A imagem que encima este texto é do boletim "Papa Léguas", de Agosto 2005, quando fiz inserir a notícia do que acontece em Odivelas. Também um bom exemplo.

E todos temos de segui-lo. Sempre que haja oportunidade, façamos campanha para que a lei se cumpra, ou ensinemos as pessoas a cumpri-la.

quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

CAMINHEIROS DA GARDUNHA

VIAJANDO NO TEMPO
É um tipo de viagem, na inversa, que tem como via de circulação um espaço ilimitado, “miradouros” sem fim ao longo do percurso e permite fazer todas as paragens que se queiram.
A observação nem sempre é nítida, pois a neblina que envolve o “panorama” tanto pode ser ténue como espessa.
Podemos socorrer-nos de apontamentos ou imagens que nos ajudem a dispersar a neblina, tornando a “observação” mais nítida. E é isso que por vezes faço.
Hoje decidi fazer uma paragem no “miradouro” chamado Caminheiros da Gardunha, observar o panorama e relatar o que “observei”.
O relato é feito na primeira pessoa, tendo em conta o tipo de diário-arquivo em que o faço e pelo vínculo pessoal para com os factos.
O ano de 1976 ia passando e eu, com alguns outros companheiros, vamos dando as nossas voltas pela Gardunha, nas manhãs de domingo.

A dada altura leio de alguém, chamado Doutor Balzli, o seguinte: ”Toda a planta e todo o animal que se afasta da Natureza para ser domesticado e converter-se em “companhia” do homem, perde as suas características originárias. E isso mesmo acontece ao homem que abandona o bosque e passa a vida entre quatro paredes. Todo o ser vivo que abandona alegremente a sua comunhão interior com a mãe Natureza sacrifica as suas características fundamentais e chega a conhecer a doença e a degeneração”.
Decidi então fazer um apelo para que as pessoas caminhassem pela Gardunha, através de cartazes afixados nalgumas montras comerciais. Na altura não havia fotocopiadoras e o mesmo tinha de ser elaborado manualmente, tantas vezes quantas as montras seleccionadas para os afixar.
A figura que então criei para o cartaz era adequada ao nome de Caminheiros da Gardunha e mais tarde havia de mandar fazer os crachás com o mesmo símbolo, que passaram a significar a condição de caminheiro a todo aquele que aderisse ao grupo.
Enquanto grupo não organizado, mas com metodologia funcional, tinha também no diploma que era passado a cada aderente, o correspondente vínculo.
Esta forma de funcionar, como grupo não organizado mas dotado de funcionalidade, foi então evidenciada pelo jornalista do Diário de Notícias, Oscar Mascarenhas, que em 1991 veio fazer uma caminhada na Gardunha, achando que a história era merecedora de atenção e análise, pelo facto de ser tão pouco vulgar.
Também espantado com a história ficou um componente do grupo da Portela de Sacavém, que em dada altura também veio fazer uma caminhada na Gardunha - essa não foi a única vez - devido à dinâmica do nosso grupo, conseguida sem que houvesse uma liderança formal, com a legitimidade de uma eleição ou de quaisquer estatutos.
Quando lhe foi explicado que não havia regras estabelecidas, maior foi a sua admiração, por considerar como tarefa quase impossível, que alguém conseguisse alcançar consensos que foram permitindo o funcionamento e as actividades do grupo, durante tantos anos. Mas os consensos foram conseguidos.
E para ajudar a compreender como foi possível o funcionamento, sirvo-me de uma frase, muito a propósito, que alguém escreveu:
“Ausência de regras é uma regra que depende do bom senso”.
As mais diversas actividades foram desenvolvidas, num clima de fraternidade invejável, com excursões, convívios, participações em actividades doutros grupos, convites a figuras públicas como a do então Secretário de Estado do Ambiente e deputado Macário Correia, que aceitou fazer uma caminhada com o grupo, em 1992. E chegamos a 1996 e 1997 com os primeiros corsos carnavalescos, organizados de forma expontânea em cima do acontecimento.
E a semente deu frutos, não mais deixando de organizar-se os corsos de carnaval, hoje um cartaz da região sob a tutela dos Caminheiros da Gardunha.
Em convívio nunca se dispensou a animação e a música, o que me levou a fazer uma letra para um hino próprio, que veio a ser musicado por um familiar, Manuel Alves dos Santos.

E a oportunidade para ser intérprete do próprio hino, surge através do Coro Intermezzo, a que pertenço, na comemoração do 10º. aniversário da criação da associação, que se mostra a seguir.

Em 05 de Março de 1997 o grupo constitui-se em Associação, adoptando a denominação de CAMINHEIROS DA GARDUNHA-GRUPO DE INTERESSE PELA NATUREZA, sendo eleitos os primeiros corpos sociais, que ficaram assim constituídos:

Assembleia Geral
Joaquim Nunes das Neves – Presidente
José Manuel Marques Gamas – 1º. Secretário
José Luís Roxo Rebordão – 2º. Secretário
Direcção
Álvaro Roxo Vaz – Presidente
Joaquim António Lourenço Monteiro – Secretário
Joaquim de Jesus Dias – Tesoureiro
Valdemar da Conceição Marques – Vogal
Joaquim José de Brito Martins – Vogal
Conselho Fiscal
Luís Abrantes da Silva – Presidente
José Filipe Duarte Gonçalves – Secretário
Albino Leal Nogueira Lobo – Tesoureiro

Também os estatutos foram desde logo aprovados, fazendo parte da escritura de constituição. A tomada de posse ocorre no dia 06 de Março de 1997. A preocupação ambiental, que o mesmo é dizer, a defesa da natureza esteve sempre presente, razão pela qual veio a constar do próprio nome da associação.
Mas do panorama "observado" desse miradouro, o que também ressalta com nitidez é o grande orgulho de estar na origem da criação das Caminheiros da Gardunha.
Outras paragens em “miradouros”, no percurso de “viajando no tempo”, hão-de acontecer, para aqui se contar a “observação”.

A INVEJA

Sem ter a ver com VIAGENS, também a ela podemos ficar expostos, seja em viagem ou não. Por isso, este texto.
- Creio ter sido o filósofo Fernando Gil que, ao escrever sobre a inveja, disse algo parecido com isto: ninguém queira para os invejosos, mal maior do que aquele que já têm.
E explicou que a inveja é pior que uma doença – corrói o espírito e a razão das pessoas, sem dó nem piedade.
Por mim, estas ao serem tomadas pela inveja, passam a uma classe de gente inferior, sem referências, sem objectivos, sem dignidade e agindo sob a força do veneno que vão destilando.
Mantê-las à distância é a melhor forma de nos protegermos da sua doença. É um mal que não tem cura.

domingo, 21 de Setembro de 2008

Pequena viagem, grande alimento do corpo e do espírito

Relatar as grandes viagens tem sido o objectivo. Mas as pequenas viagens também aqui têm cabimento, como a deste fim de semana.
Esta teve dois objectivos imediatos:- confraternizar com antigos companheiros do serviço militar, em Angola, e em simultâneo fazer as honras a um leitão da bairrada, que o companheiro Estima tão bem sabe temperar e assar no seu forno privado.
Mas o espírito também foi bem alimentado, pois aproveitou-se a oportunidade para ir ver o musical "Um violino no telhado", de Filipe La Féria, em cena no Teatro Rivoli, do Porto. E foi maravilhoso.
Mas o jantar também teve características muito especiais. Na compra dos bilhetes para o teatro foi-nos proposto o jantar completo no restaurante do próprio edifício do Teatro Rivoli e as tais características especiais foram a música ambiente tocada por pianista que também cantava e as velas na mesa. O preço então ainda foi melhor: tudo por 25 € para duas pessoas.
Para o fim de semana terminar em beleza, o almoço a seguir foi uma cataplana de tamboril, camarão e ameijoas, comida na Nazaré, olhando o mar. Simplesmente delicioso.
Que melhor alimento precisam o corpo e o espírito ?

quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

2004 - TENERIFE E O TEIDE


Esta foi uma viagem sob o signo das Manuela's.

E isto porque a viagem foi programada entre três casais, cujas esposas tinham nome de Manuela.

Mas para as distinguir no tratamento individual, tínhamos:- a Nelita do Álvaro, a Nelinha do José e a Manuela do Joaquim.
A viagem começou no Porto, em avião que nos levou até ao aeroporto Reina Sofia (Tenerife-Sul), de onde nos levaram para o "Gran Hotel Punta del Rey", em Las Caletillas.

Boas instalações, animação constante e piscinas, tanto de água doce como de água salgada, estas últimas situadas nas escarpas de rocha vulcânica sobre o mar, fronteiriças ao hotel, no outro lado da rua.

Nesta, como em todas as viagens que fazemos, procuramos juntar o útil ao agradável, ou seja, usufruir da estadia e visitar o que nos é oferecido de interessante sob o ponto de vista turístico, de modo a conhecermos novos mundos e novas culturas.

Sendo o grupo constituído por seis pessoas, deu para alugar uma carrinha familiar e partir à descoberta da ilha, orientando-nos pelo roteiro turístico colocado à nossa disposição.

A primeira saída foi para norte, passando por Santa Cruz, com visita à Playa de las Teresitas, onde a areia é branca por ter sido trazida do deserto, enquanto nas outras praias é escura por ser de origem vulcânica, como acontece em toda a ilha.

Aí pudemos apreciar as esculturas feitas na areia e dar um mergulho nas suas águas cálidas.

Seguindo o périplo por estradas de montanha, chegamos a Puerto de la Cruz onde o tempo de paragem deu para conhecer a cidade, dotada de muitas atracções turísticas e onde os petiscos são de recomendar.

Curiosamente, fomos instalar-nos numa esplanada de café cujo dono era de origem portuguesa, o que nos beneficiou com algumas sugestões gastronómicas muito apreciadas e ainda melhor saboreadas.

Regressados ao hotel, uma vez mais podíamos contar com um serão bastante preenchido, fosse com folclore, baile ou as mais variadas animações, o que aconteceu em todas as noites da nossa estadia.

A saída seguinte foi para visitar a zona sul, onde a Praia das Américas é atracção turística, e daí partimos à descoberta do Teide.

Com 3.718 m. de altura e aproximadamente 7.000 m. a partir do leito oceânico, é o pico mais alto de Espanha, sendo por isso um dos objectivos a visitar por quem faz férias em Tenerife.

A caminhada para o Teide (a subir, como é evidente), leva-nos a uma paragem e a um Pic Nic a meio caminho, num pinhal onde existem os equipamentos necessários para isso.

Continuando a subida, a paisagem que à distância nos é oferecida pelo Teide começa por ser atractiva e harmoniosa mas de repente estamos perante gigantes de formas irregulares, geradas por forças da natureza que estão acima da nossa compreensão.

Entretanto chegamos à base do teleférico, cuja cota de partida se situa a 2.356 m. e a cota de chegada a 3.555 m., a um ponto chamado La Rambleta.

Nem todas as pessoas do grupo fizeram a subida, devido às perturbações causadas pelas alturas, mas ao fazê-lo pude disfrutar de um panorama maravilhoso, se bem que àquela altura já se sintam os efeitos de alguma falta de oxigénio.

A visita seguinte foi ao Parque de Las Aguilas.

É um parque dotado de um elevado número de espécies, com um espectáculo de aves canoras e de rapina que nos proporcionou momentos muito agradáveis, ao ponto de ter servido de ajudante aos seus domadores, que nos presentearam com um lindo e colorido show.

Tal como aconteceu noutros dias, as animações da noite no hotel tiveram a participação de muitos dos que ali passavam férias.
Como aconteceu comigo.

Numa das animações, foram colocadas em disputa por pontos que conferiam direito a prémios, duas participantes que se submeteram a provas de dança, algumas das quais dos seus locais de origem, cantigas, pantominas, mímicas, anedotas e, finalmente, proceder à recolha de calças de homens que estivessem na assistência.

A que tivesse maior número de calças seria a vencedora.

Fui abordado por uma das concorrentes e disponibilizei as minhas, ficando em cuecas.

Aqui lembrei-me da anedota das que foram convidadas para um Pic Nic, quando uma delas, sem saber o que aquilo era, disse: "À cautela vamos lavadinhas por baixo"...!

Eu também ia lavadinho e as cuecas até eram novinhas em folha.

Findo o jogo esperava a sua devolução, mas o que aconteceu foi dizerem a todos os que, como eu, colaboraram na brincadeira, que teríamos de ir ao palco buscar as calças.

E fomos, até porque os animadores já se encontravam despojados dessa peça de roupa.

Em “bicha de pirilau”, ao som de música e aplausos do público, assim terminou mais um serão bem animado.

Outras animações aconteceram nos dias que durou a nossa estadia em Las Caletillas, que foi aproveitada o melhor que podia ser, para que no final se pudesse dizer que o destino turístico para as férias deste ano fora bem escolhido.

Tal como já tinha acontecido com outros, aqui relatados.

segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

2008 - Canadá - Em louvor da amizade

Descrever esta viagem é algo que faço com mais prazer do que já fiz em relação a qualquer outra viagem, porquanto se assume como hino a um valor que prezo por demais - a amizade.

Outras viagens que aconteceram antes desta, continuarão a ser relatadas mais tarde.

Tal como já referi em mensagem anterior, temos como amigos a Tina e o Pedro, que vivem em Mississauga-Toronto, no Canadá, que conhecemos em viagem pela Europa.

Para além da amizade, ofereceram-nos a sua hospitalidade e a disponibilidade para nos darem a conhecer os mais variados lugares de interesse, que nos surpreenderam muitíssimo, face ao que imaginávamos do Canadá.

A somar a tudo isto, a dádiva de Deus quanto ao estado do tempo, que foi de autêntico Verão enquanto ali estivemos. Logo de seguida veio a chuva, mas já não nos apanhou no Canadá.

Começou a 29 de Agosto a viagem para Toronto, obrigando-nos a levantar pelas 04,00 h. da manhã, para estarmos no aeroporto três horas antes da partida, marcada para as 08,30 h. e cerca das 11,00 h. locais já estávamos fora do aeroporto de Toronto, o que nos colocava perante um longo dia, visto que atrasámos 5 horas no relógio devido à diferença horária.
Embora com algum esforço para resistir ao sono, que um dia de 29 horas nos impunha, ainda fizemos uma visita ao Lago Ontário, nas proximidades de Mississauga.

O dia seguinte começou por nos trazer a surpresa de uma visita aos "Menonnitas" (nome vindo de Mennon Simon), no seu "Amish Country", em St. Jacobs, onde pudemos estar com a muito reservada gente "amish", que apenas conhecíamos dos filmes americanos.
Interessante foi ver como se aproveita uma área rural onde, a par do comércio desenvolvido pelos "Menonnitas" para os seus produtos agrícolas, se criou um polo de atracção turística que permite o desenvolvimento de todo o tipo de comércio, que vai das mais variadas atracções de feira, artesanato, até aos estabelecimentos mais requintados, onde não faltam artigos das marcas de grande prestígio.
A urbe St.Jacobs é de um traço comum a muitas outras povoações canadianas, de características rurais muito interessantes, surgindo alguns murais a "dizer-nos" onde estamos, o que acontece em muitos outros locais.

Dali seguimos por Elmira na direcção de Elora, onde nos detivemos para apreciar este local muito aprazível e florido, com uma unidade hoteleira muito interessante, junto a umas mini-cascatas. Antes de regressarmos a casa, a passagem por Fergus deu-nos oportunidade para apreciar uma escultura feita de um tronco de árvore abatida, à beira da estrada. Verdadeira obra de arte e uma lição sobre o modo de aproveitar uma árvore morta, para dar vida a uma escultura.
Em Toronto e de um modo geral por todos os locais visitados, a presença de indianos e chineses dá-nos bem a ideia de como é forte a imigração destas raças e de como dominam comércio e serviços locais.Para o demonstrar as imagens de uma Chinatown e o templo que da Índia veio, peça por peça, para ser implantado no Canadá. Uma verdadeira pérola de minucioso trabalho em mármore, cujo interior visitámos de pés descalços.

BAPS Shri Swaminarayan Mandir

De uma posição frontal a Toronto, do outro lado do Lago Ontário, tivémos oportunidade de apreciar um bonito entardecer, mas a visita a esta grande cidade havia de acontecer mais tarde, para nos surpreender pela sua grandeza.

Mas a visita mais ansiada ia surgir no dia seguinte, com a deslocação a Niagara Falls (Cataratas do Niagara).

Um dia bem escolhido por ser o 1 de Setembro, dia de aniversário da Nelita e dia em que nasceu o Brody, bisneto dos nossos amigos Tina e Pedro. Circunstâncias para tornar este dia de grande felicidade e não mais ser esquecido.

Um almoço de aniversário, comendo lasangna no "Mamma Mia"

Quanto a Niagara Falls, basta dizer que é uma das maravilhas do planeta e nada mais adequado do que o vídeo que carreguei do YouTube, que a seguir se mostra, para o demonstrar.

Niagara Falls

Arquivo fotográfico:

O dia seguinte foi o dia destinado a visitar a cidade de Toronto e ao princípio da noite assistir a um jogo de baseball na SkyDome.

Já foi dito atrás que Toronto nos surpreendeu pela sua grandeza e pelos arranha-céus que a baixa da cidade apresenta, não havendo melhor princípio de visita à cidade que a subida à CN Tower, nos seus 553,33 m de altura, que em 1975 era a torre mais alta do mundo. Hoje é suplantada pelo arranha-céus Burj Dubai.
O panorama que se disfruta do principal observatório a 346 m de altura é deslumbrante, reduzindo a miniaturas todos os arranha-céus que da sua base nos parecem verdadeiros gigantes.

Desafiando o nosso equilíbrio e a nossa coragem, quando sob os nossos pés se apresenta o vazio, temos uma panorâmica para as profundezas que nos faz um estranho frio no estômago e paraliza o andamento, ainda que sobre um vidro que sabemos inquebrável. Também do YouTube, um vídeo sobre esta visita.

A CN Tower em 8 minutos

Com o vazio sob os pés

Na visita à City Hall tivemos outra surpresa, a do espectáculo muito animado que os estudantes nos proporcionaram no primeiro dia de aulas, com música, colorido dos corpos pintados e banho geral no lago do jardim ali existente. Tudo a contribuir para uma visita que não mais será esquecida.

E para o dia terminar em beleza, assistimos à partida de baseball, espectáculo que por nos ser pouco familiar despertou grande curiosidade e interesse. Como já se disse, foi na SkyDome, implantada junto à CN Tower.

Com os nossos queridos anfitriões transformados em "guias turísticos" bem informados, as visitas só podiam ser de sucesso. E uma vez mais assim aconteceu, com a visita a Penetanguishene-Midland, que também tem o lago por perto. Aí almoçámos num restaurante com ares da Grécia e música ambiente de selecção criteriosa, tendo acertado plenamente na escolha da comida, para nossa delícia.

Após o almoço visitámos o Santuário dos Mártires Canadianos (Martyrs'Shrine), situado na que foi designada comunidade de Sainte-Marie junto da população dos Hurons, centralmente localizada em território Wendat, conjunto que foi residência permanente dos Jesuítas.O conjunto de construções que formavam essa comunidade foi reconstruído no seu lugar original e encontra-se hoje perfeitamente preservado em todos os seus aspectos, seja no tipo de edifícios, nas actividades quotidianas, na alimentação, oficinas e ofícios, no culto religioso, nas artes medicinais, etc. etc. etc. .A vinda a este lugar foi mais uma das coisas boas que nos aconteceram nesta visita ao Canadá.

Todos os dias de permanência junto dos nossos amigos nos foram trazendo surpresas, e o da visita a Niagara-on-the-Lake não foi menor que a dos outros.

Um lugar onde ocorreram eventos dramáticos da história e onde se estabeleceu o primeiro parlamento de Ontário.

Hoje é uma pacifica, harmoniosa e florida cidade, implantada numa vasta área agrícola e onde o vinho também tem lugar de destaque, com enormes extensões de vinhas.

Os estabelecimentos são de aspecto requintado e a cultura merece tratamento especial, sendo por nós constatada a existência de dois teatros, um dos quais com duas sessões nesse dia, num festival de teatro dedicado a Bernard Shaw, prémio Nobel da literatura, que na cidade tem uma estátua em sua memória.

Junto à cidade, nas margens do rio Niagara que a banham, o Fort George, hoje declarado monumento histórico do Canadá, que teve papel importante nas batalhas que ao longo da história envolveram ingleses, americanos e aborígenas.

Também como atracção turística em Niagara-on-the-Lake, o relógio de flores, que tivémos oportunidade de visitar.

Antes de nos despedirmos do Canadá ainda nos deslocámos novamente a Toronto, de comboio, fazendo um passeio junto ao lago na baixa da cidade. Entretanto, a chuva começava a ameaçar.

Uma enorme sandes, concebida com os ingredientes escolhidos a gosto de cada um, foi o nosso abundante almoço, a que se seguiu o café do popular "Tim Hortons", que faz parte do dia-a-dia de muita gente.

Ficámos a saber também que, na linguagem da tribo dos Hurons, que já referimos na visita a Sainte Marie, Toronto significa "lugar de encontro", acrescentando nós que Toronto significa ainda "lugar de encontro com a amizade".

Um dos lugares de encontro mais fantásticos que existem.

Antes de terminar, quero referir um pequeno episódio que julgo ter a ver com a paranóia da pedofilia, e de como é fácil incomodar-nos.

Acompanhámos a nossa amiga Tina a uma biblioteca pública e enquanto ela entregava um livro que dali levara, observávamos um recanto com desenhos dedicados a Elvis Presley, quando se abeirou de nós uma criança de 10 ou 11 anos, deslocando-se apoiada em duas muletas (canadianas).

Dirigiu-se a nós fazendo perguntas em inglês, que não percebemos bem, e no meu "inglês macarrónico" disse-lhe que não entendíamos, ao mesmo tempo que lhe fiz uma paternal (bi-paternal, pois sou avô) carícia na face.

Que fiz eu ? Dando um salto para trás, como se a tivesse queimado, num tom ameaçador disse-me em inglês, que bem percebi: "não toque na minha face !!!" Pedi desculpa, mas aprendi uma lição, que me causou algum desconforto, pelo muito que gosto de crianças, que para mim são o que de melhor há no mundo - tocar em crianças estranhas, nunca mais.

Falta apenas dizer que conhecemos toda a família e alguns amigos de Tina e Pedro (Armando/Emília e Carlos/Isabel). Tudo gente maravilhosa. Para além da foto de família, está já o Brody, nascido durante a nossa visita. Um encanto de bébé.
Tina e Pedro insistiram muito em nos dar a conhecer o seu país ... de adopção. Finalmente fomos conhecê-lo e de tudo o que vimos só podemos dizer que é fantástico.

E agora não vamos repetir o que já fizemos algumas vezes, mas vamos dizer à boa maneira beirã - BEM HAJAM Tina e Pedro.

terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Fernandinho - "Atão o David ?"


No Fundão todos os conhecem muito bem, não por transportar em si a deformação física que o faz notado, não por ter uma voz que parece um trovão ou por ter umas grossas lentes que o levam a olhar muito de perto o rosto das pessoas até as identificar, mas porque todos lhe reconhecem uma grande virtude - a de ser prestável para com os outros.
Na maioria dos casos são os comerciantes que lhe solicitam os serviços de recolha ou distribuição de encomendas, mas qualquer pessoa o faz para pequenos serviços que lhe vão garantindo o sustento desde muito jovem, até porque desde há muito que vive sózinho.
Fernandinho Rá Rá ou simplesmente Fernandinho são os nomes por que é conhecido.
Quando o negócio ainda resultava, tivemos o nosso estabelecimento de venda de fios para tricotar e o Fernandinho também nos foi prestável dessa forma.
Foi então que nasceu David (o Vaz) e como foi crescendo naquele ambiente, o Fernandinho passou a dedicar-lhe uma grande atenção e um grande carinho.
Enquanto esteve pelo Fundão, o David ainda lhe esteve perto da vista, mas desde que daqui saiu, sempre que o Fernandinho passa por nós, vem a sacramental pergunta: "atão onde é que está o David" ?
Temos vindo a dizer que um dia destes havemos de o procurar para ele ver o David.
Creio que ficará muito contente quando tal acontecer.

domingo, 24 de Agosto de 2008

PARABENS, CAMPEÃO !


Esta mensagem até foge ao âmbito do que quis que fosse, e praticamente tem sido , este meu blog.
Mas esta tem uma razão soberana para ser excepção – é pelo BRUNO.
Eu quero estar com o David na homenagem que lhe fez nas páginas do “pulmão” e porque sou dado a guardar no meu “baú das recordações” quase tudo o que à minha "garotada" diz respeito, aqui ficam umas imagens de duas feras do pedal, em "alta montanha", a preparar-se para as grandes provas do futuro.
Pelo que se percebe, cresceram, conseguiram deitar abaixo a celulite excedentária e agora já dão rendimento.
Estou nessa homenagem.
BEM A MERECES, BRUNO !

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Quando a amizade acontece !

Este apontamento tem a sua razão de ser, AGORA.
E para dizer que a Tina e o Pedro são a prova viva de que a amizade nos descobre em qualquer lugar por onde andemos, seja no Fundão, em Praga (República Checa), ou noutro qualquer canto do mundo.
E pela sua força somos levados a atravessar oceanos, chegar a outros continentes e lugares tão distantes como Toronto, ou melhor, Mississauga, no Canadá.
Fomos merecedores da sorte desse encontro com a amizade e só queremos estar à altura de lhe corresponder.
Mas vamos aos pormenores:
Fazíamos parte do grupo de mais de 30 pessoas que em 2006 fez a viagem do programa “As 4 capitais da Europa Central”, ou seja, Praga, Bratislava, Budapeste e Viena, em que por coincidência também seguia outro casal fundanense – Lili / José Travassos.
No primeiro dia, já em Praga, eu e minha mulher optámos por jantar no hotel e o mesmo fez outro casal, o que nos levou a ficar juntos na mesma mesa.
Feitas as apresentações, soubemos ser a Tina e o Pedro, que viviam no Canadá.
A partir daí e até final da viagem não mais deixámos de estar juntos em refeições, visitas guiadas ou não guiadas, animações e outros convívios que aconteceram ao longo da viagem, somente nos separando em Lisboa.
Foi amizade à primeira vista e daí para cá os contactos e visitas foram acontecendo, tocados por uma empatia maravilhosa, que fará com que estejamos juntos de 29 de Agosto até 6 de Setembro, pois nos vão aturar em sua casa, em Mississauga, no Canadá.
Viajar é bom, mas quando a amizade acontece com pessoas maravilhosas, como a Tina e o Pedro, ainda é melhor.

quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

2003 - O vício do tabaco levou-me a CUBA

O título pode induzir no pensamento de que esta viagem foi feita para satisfazer na fumaça de um “puro havano”, a minha eventual dependência da nicotina.
Puro engano, pois até sou um anti-tabagista “militante e ajuramentado”, como diria o personagem duma popular telenovela brasileira, Odorico Paraguaçú.
Foi de facto o vício do tabaco que me proporcionou esta viagem a Cuba, mas o vício de alguém que, não suportando 8 horas sem fumar a bordo do avião, abdicou da mesma em meu proveito.
Na circunstância, até posso dizer que o tabaco me fez bem, pois permitiu que uma vez mais fizesse aquilo que tanto gosto fazer – viajar.
Levei comigo a esposa, mas para ela a viagem teve de ser comprada, como é óbvio.
O programa, organizado por uma instituição bancária, foi de excelente qualidade e fez desta viagem uma agradável oportunidade para conhecer um destino turístico que há muito ambicionava.
As condições de alojamento, programas e visitas estiveram ao nível de excelência de todo o programa e dividiram-se por dois espaços: Havana e Varadero.
Em Havana ficámos alojados no hotel Meliá-Havana no regime de “tudo incluído” e do programa constava: visita à cidade com destaque para “Havana Vieja”, onde está situada a Praça da Catedral, Palácio dos Capitães, Palácio do Artesanato e Praça da Revolução.
A seguir, foi o almoço no famoso “Café del Oriente”, no centro histórico de Havana.
Depois de uma tarde a gosto de cada um, rumámos ao belíssimo restaurante “El Algibe”, após o qual nos dirigimos ao mais famoso cabaret do mundo - “Tropicana”, para assistir a um show que não mais esqueceremos.
Este show decorre sobre palcos colocados a diversos níveis em três árvores centenárias, de porte grandioso, com uma envolvência feérica de cor, luz e som.
Mas a parte mais importante são os intervenientes, que formam um elenco de luxo, e nos proporcionam um espectáculo para não mais esquecer.
Para se avaliar da sua qualidade, basta dizer que uma entrada isolada no Tropicana, para assistir a um espectáculo como este, custava na altura o correspondente a 30 contos, com direito a uma garrafa de Rhum.
Foi-nos ainda proporcionada a visita a uma fábrica dessa tradicional bebida cubana e a uma fabrica dos também famosos charutos cubanos.
Não foi aqui que os comprei, mas como não fumador tive de me abastecer de charutos, numa incumbência de quem deixou para mim a viagem, no valor de 600 euros !
Embora adquiridos com emissão de factura, para evitar qualquer problema legal, ainda hoje me interrogo de como passei na alfândega, sem ser molestado, uma dezena de caixas num formato que nem era fácil de acomodar.
Dispusemos ainda de tempo livre para conhecer outros recantos da capital, que nos deixaram uma impressão menos agradável, principalmente no que se refere à conservação dos edifícios.
Apesar das dezenas de anos que já têm, fiquei com uma inveja danada de todos aqueles carros, verdadeiras relíquias, perfeitamente conservados e a funcionar.

Varadero
Terminada a estadia na capital de Cuba, rumámos a Varadero, onde ficámos instalados no Hotel Sol Elite Palmeras, também no regime de “tudo incluído”.
No dia seguinte foi-nos proporcionada uma viagem de barco (kat’a ma-ran) à ilha de Cayo Blanco, onde assistimos à pesca da lagosta, que depois nos foi servida ao almoço.
No percurso, parámos em alto mar numa área resguardada, onde se encontravam diversos golfinhos, com os quais nadámos e nos divertimos com as suas brincadeiras.
No final até nos foi permitido posar com os golfinhos e sacar uma fotografia, que é no album desta viagem uma verdadeira preciosidade.
Como nota negativa, o facto de o almoço me ter provocado um desarranjo intestinal que abalou um pouco a minha disposição, mas não perturbou o resto da viagem.
Houve ainda tempo livre para disfrutar das mais famosas águas das Caraíbas e na véspera da abalada assistir a um espectáculo muito agradável, nas instalações do próprio hotel.
Dizer ainda que a visita a Cuba foi uma feliz experiência, que deixou muitas saudades.

domingo, 17 de Agosto de 2008

2002 - Cruzeiro "Brisas do Mediterrâneo"

Breve visita a Barcelona
Fomos na “burrinha-Toyota” até Barcelona, onde começava o cruzeiro, fazendo-o com a antecedência de dois dias, de modo a podermos visitar a cidade, ainda que de forma breve. Está nos objectivos visitá-la a seu tempo, mas com tempo.
Foi uma boa opção, pois ainda conseguimos ver coisas muito interessantes, que mais não serviram do que estimular o apetite para a tal visita a preceito.
De qualquer modo não escapou a oportunidade para uma visita à Sagrada Família, um passeio no teleférico até Montjuic, passando sobre a zona portuária, uma aproximação ao bairro gótico, um passeio pelas Ramblas e, num rasgo de sorte, assistir ao maravilhoso espectáculo proporcionado pela fonte luminosa.
Um momento inesquecível de luz, música, cor e efeitos, que nos levou a dizer que só por isso já valeu a pena. Mas, repito, vamos voltar a Barcelona.
E porque não desperdicei a oportunidade, fiz a gravação desse espectáculo, que aqui fica num pequeno vídeo.

video

Galeria de imagens:

O cruzeiro

Embarcámos no S.S.Oceanic da Pullmantur e, naturalmente, as primeiras horas foram para conhecer a “cidade flutuante” e os alojamentos onde iríamos viver durante uma semana.
Já agora, referir que este barco tem capacidade para 1.136 passageiros, 10 pisos de passageiros, 2 piscinas exteriores (coberta/descoberta), 3 jacuzzis, ginásio, casino, discoteca, sala de internet, lojas “tax free”, cinema.
Não terá tudo o que uma cidade tem, como por exemplo os automóveis e a sua poluição, mas com todos aqueles equipamentos, mais os restaurantes, os bares, as salas de jogos, as animações e uma atenção dos funcionários própria de instalações turísticas de 5 estrelas, tem tudo o que é preciso para nos divertirmos e ter uma agradável estadia.
Para além disso, proporcionam a quem esteja interessado, excursões aos mais variados sítios onde o barco aporta e que normalmente corresponde a destinos que fazem parte de todos os programas turísticos de qualquer agência de viagens.
No nosso caso, depois de sairmos de Barcelona, visitámos Mónaco, Montecarlo, Lucca, Pisa, Roma e o Vaticano, Nápoles, Pompeia e a ilha de Malta, voltando de novo a Barcelona.
Durante o cruzeiro e tal como já disse, há uma programação que é suficientemente elucidativa pela afirmação do animador dos espectáculos: “vós estais aqui para vos divertirdes e não para descansar”.

Assim é de facto, mas a filosofia que me orienta na vida é a de que nenhuma oportunidade deve ser desperdiçada, pelo que o cruzeiro não teria grande interesse se não aproveitasse para visitar os locais a que somos levados pelas excursões. A estadia no barco e o tratamento VIP que nos é dispensado já são aliciantes, mas por si só não me seduzem.
A rotina diária de um cruzeiro pode resumir-se assim: pequeno almoço (de restaurante ou buffet), excursão (eventualmente), piscina com ou sem animações, almoço (de restaurante ou buffet) frequência de bares e suas animações, salas de jogos, de leitura e música, actividades desportivas de ginásio, lanche, jantar (de restaurante ou buffet), espectáculo musical ou de animação variada com artistas de grande categoria, discotecas em que se pode dançar, ao mesmo tempo que durante a noite se regista a disponibilidade do buffet para os que não gostam de deitar-se com a barriga vazia.Ora neste cruzeiro o regime era de “tudo incluído”, o que significa que nos bares quase tudo se podia beber, sem pagar mais.
Dos espectáculos que foram acontecendo todas as noites no Salão Broadway só pode dizer-se que foram de alto nível, dado o elenco e a diversidade dos espectáculos apresentados durante a semana do cruzeiro.

A respeito das noites, há uma diferente das outras – a “noite do comandante”.
Este vem jantar com os passageiros, a decoração dos restaurantes apresenta-se diferente, os funcionários cantam e fazem interessantes coreografias, culminando com a foto a seu lado, para ficar como recordação do cruzeiro.
Curiosamente este era português – Amadeu Albuquerque. Mas para além dele havia mais 13 portugueses, de entre um total de 514 tripulantes de 37 nacionalidades.

Enquanto tudo decorria na "noite do comandante", o paquete navegava a caminho de Malta, passando nessa altura o estreito de Messina, cujo nome lhe advém do facto de estar situado entre a cidade de Messina na ilha da Sicília e o sul de Itália.
Sendo para muita gente - e para nós foi - a concretização de um sonho, um cruzeiro é tratado de forma a nada falhar e este tinha como directora Pilar Sanz, que na verdade soube proporcionar-nos umas férias maravilhosas e inesquecíveis.

As excursões
Principado do Mónaco
Villfranche-sur-Mer foi o primeiro porto em que o S.S.Oceanic fez paragem, depois da saída de Barcelona, e dali partimos em autocarro para a visita ao Principado do Mónaco, iniciada em Le Rocher (a rocha), núcleo urbano que deu lugar a esta cidade-estado.
Depois de percorrermos a pé pequenas ruelas e pracetas de traçado irregular, pudemos apreciar uma impressionante panorâmica, do porto e costa italiana.
Mereceram-nos especial atenção o Palácio dos Príncipes, o Museu Oceanográfico e a Catedral, onde repousa o corpo da princesa Grace Kelly. Montecarlo
Do Mónaco fomos levados a Montecarlo, percorrendo parte do circuito do Grande Prémio F1, chegando finalmente ao centro desta cidade, onde pudemos dispor de tempo livre para apreciar os cuidados jardins e admirar a impressionante arquitectura do Casino de Montecarlo, do Hotel e do famoso Café de Paris.
Terminada a visita, regressámos ao barco, de novo por Villefranche-sur-MerLucca
Em Livorno aportou o S.S.Oceanic, para a segunda paragem, e dali partimos para visitar Lucca e Pisa.
Lucca mantém o seu aspecto de cidade medieval, mas dizem-nos ter muita animação. É rodeada por uma antiga muralha perfeitamente conservada, a qual foi percorrida até chegarmos à Basílica de S.Frediano, que visitámos no seu interior.
Chegámos depois ao Anfiteatro Romano e mais tarde à Catedral de S.Marino, o monumento religioso mais importante da cidade. Dentro desta pudemos admirar algumas das maravilhosas pinturas de Tintoretto e Guirlandaio.
Passeando pelas estreitas ruelas de Lucca, descobrimos casas senhoriais com torres, umas mais altas que outras. Pela guia foi-nos explicado que houve tempos em que as famílias mostravam o seu poder, construindo uma torre, o que levou à concorrência entre elas para ver quem apresentava a torre mais alta.
Alguém tem então a ideia de lá plantar árvores, para que a altura destas viesse a somar-se à altura da torre, à medida que cresciam.
Vista por nós cá de longe, uma dessas torres parecia ter uma crista, tal o efeito que nos era dado pelas árvores. Fiz-lhe uma visita, subindo cerca de 300 degraus, para ver de perto as tais árvores agora centenárias. Constatei que eram parecidas com sobreiros.

Pisa

Pisa foi o destino seguinte, onde chegámos viajando através da maravilhosa paisagem da Toscana.
Ali chegados de autocarro, que foi deixado no respectivo terminal, seguimos a pé até à Praça dos Milagres, que muitos consideram a mais bela do mundo.
Fez-se a visita à Catedral do século XIII com a sua fachada Romanica-Toscana, cujo interior se diz de inspiração muçulmana, onde o Baptistério circular, construído em mármore, também salta à vista.
Mas a grande atracção é sem dúvida a Torre inclinada, onde Galileo levou a cabo as suas experiências sobre gravidade.
Nos últimos anos a torre esteve encerrada aos visitantes para serem feitos trabalhos de estabilização, face ao risco de queda, chegando a ser injectado gás num largo espaço do terreno em que ela está implantada, tornando-o gelado, cortando-se depois essa fatia de terreno, qual bloco de gelo, que depois era inclinado em sentido contrário, de modo a endireitá-la um pouco mais.
A ideia de a endireitar muito, tornando-a quase normal, foi desde logo posta de lado, pois deixaria de ter qualquer interesse como atracção turística.
Uma outra particularidade tem a ver com o preço dos terrenos circundantes, que do lado para onde está inclinada a torre não têm qualquer valor, enquanto do lado contrário são completamente inacessíveis.
Ao fim do dia regressamos ao porto de Livorno, onde o barco nos aguardava para prosseguir o cruzeiro.

Roma e Vaticano
Foi em Civitavecchia que o S.S.Oceanic aportou de novo, proporcionando-nos então a ansiada visita a Roma e ao Vaticano.

Vaticano
Acompanhou o grupo uma guia italiana e com ela demos início à visita ao Vaticano, após largarmos o autocarro no Parking Fra Albenzio, ali perto dos seus Museus.
Por ser a realização de um sonho, encarava esta visita com muita emoção e expectativa, e lá estávamos a iniciá-la exactamente pelo Museu, seguindo-se as Galerias Vaticanas, Pátio de Pin’a, Escada Simonetti, Galeria dos Candelabros, Galeria dos Tapetes, Galeria dos Mapas Geográficos, até chegar à Capela Sixtina, onde pudemos admirar os restaurados Frescos de Miguel Angel.
Não é possível descrever toda a emoção sentida por me encontrar em local de tamanha grandeza, não tanto pela sua dimensão física mas sim pela dimensão espiritual que ela representa.
Dirigimo-nos de seguida à Basílica de S. Pedro, centro da fé católica, sempre tomados pela emoção de nos sentirmos num ambiente que, como crentes, tanto nos aproxima do representante máximo de Cristo, na terra.
A “Pietá” de Miguel Angel, é uma imagem que nos aguarda à entrada da Basílica e a ela ficamos presos pela expressão dum realismo impressionante, a transmitir toda a dor sentida por uma mãe com o filho morto nos braços.
Mas de Miguel Angel tem também a Basílica a sua impressionante cúpula, que nos faz sentir extraordinariamente pequenos, face a tamanha grandeza e sumptuosidade.
Para além do que nos é dado sentir como crentes, a visita a este lugar sagrado permite-nos apreciar obras de arte maravilhosas e muitos dos trabalhos que Bernini projectou para este templo.
Como fazem quase todos os que visitam a Basílica de S.Pedro, não deixámos de aproveitar a oportunidade para acariciar o pé de S.Pedro, embora ali representado na figura de uma grandiosa estátua.
No exterior pudemos contemplar a sua impressionante fachada, passear naquele enorme espaço e sentir o envolvimento das gigantescas colunas, elas mesmas também a envolver a Praça de S. Pedro.
Após a visita ao Vaticano, reunimo-nos na Via de La Concilizione e dirigimo-nos para o local do almoço, que ficou logo incluído no preço da excursão.
Roma
Para a tarde estava programada uma visita panorâmica a Roma, com breves paragens nalguns pontos, que foi decorrendo com as explicações da nossa guia dentro do autocarro.
A visita panorâmica começou por ser feita pela orla do Rio Tiber até à Porta Portese e já de autocarro passámos pela Piazza de La de Boca de La Veritá, uma abertura onde, segundo a crença, quem ali metesse a cabeça estando a mentir, esta se fecharia esmagando a cabeça. Seria o correspondente ao moderno “detector de mentiras”, mas naquele caso era o medo que o tornava eficiente.
Continuámos até à Plaza Venecia, onde se destaca o que os romanos conhecem como “La Tarta”, o monumento a Vitorio Enmanuelle.
Prosseguimos pela Via dei Fori Imperiali, passámos ao Coliseo, Circo Massimo, Via Cavour, Santa Maria La Mayor, estação Termini e Via Nazionale.
Houve monumentos que nos despertaram mais a atenção, como aconteceu com o Circo Romano, mas limitados pelo tempo, a visita serviu para nos estimular o apetite para conhecer melhor esta maravilhosa cidade, aguardando vez na agenda, onde tenho registada uma futura visita.
Mas como tem acontecido em todas as minhas viagens, por onde passo vou adquirindo literatura e filmes que me permitem rever mais tarde todos os locais visitados.
Se das explicações fornecidas por guias algo me escapa, tenho ali a possibilidade de tirar dúvidas sobre a história desses locais, o que aconteceu precisamente com a cidade de Roma.
E para retomar o cruzeiro, regressámos a Civitavecchia, onde o S.S.Ocanic nos aguardava.

Nápoles e Pompeya

Pompeya
O porto que a seguir acolheu o S.S.Oceanic foi o de Nápoles, cuja cidade é a terceira mais importante do país, ocupando uma posição belíssima no golfo com o mesmo nome.
Aí se iniciou a excursão que nos levou a Pompeya, saindo da cidade pelo bairro industrial de S.Giovanni, rumando depois através do fértil vale do Vesúvio e passando ao lado das povoações de Herculano e Torre del Greco, antes de ali chegarmos.
Quero referir que em tempos vira um filme sobre a trágica destruição de Pompeya – Os últimos dias de Pompeya – e guardava também na memória o que alguém dissera depois de lá ter estado, de que os corpos carbonizados de pessoas apanhadas pela lava incandescente do Vesúvio, ali estavam expostos.
Interrogava-me como tal seria possível e estava desejoso de tirar essa dúvida, vindo então a esclarecê-la, e fiquei a saber que na verdade o que ficou na lava, depois de arrefecer, foi o espaço ou a forma dos corpos derretidos devido à elevada temperatura.
Em 1860, quando Giuseppe Fiorelli se encontrava empenhado nas escavações, passou a reproduzir os decalques enchendo com gesso os espaços deixados pelas substâncias orgânicas dissolvidas, na lava compacta, e com esse sistema deu forma aos corpos de homens, animais, plantas e outros objectos pulverizados 1900 anos antes.
São esses moldes que se encontram expostos em Pompeya, que mesmo assim nos impressionam.
Mas esta visita excedeu todas as minhas expectativas, face a tudo o mais que nos é dado ver em Pompeya, e em relação à qual se pode dizer que é uma cidade em que “a vida ficou congelada” sob as cinzas lançadas pelo Vesúvio, após a sua erupção.
Como que toda a vida quotidiana de um qualquer dia se cristalizou nos seus gestos, nos seus segredos e no pânico dos últimos momentos.
Do que vemos de Pompeya, podemos imaginar o quão grande seria no apogeu da sua existência, na primeira época imperial, quanto a riqueza e ostentação.
Descrevê-lo não é fácil e como já o disse em relação a outros pontos visitados, também aqui recolhi literatura e filmes que me ajudam ao conhecimento que passei a ter do mundo que está para além da nossa janela, que só com uma visita passamos a conhecê-lo. Nápoles
Regressamos a Nápoles e aí a visita é bem mais curta do que o esperado, pois uma manifestação numa das artérias da cidade bloqueia a passagem e retém o nosso autocarro durante um longo e desesperante tempo, impedindo-nos de chegar ao nosso objectivo, que era a visita ao centro da cidade.
Ainda assim foi possível visitar o centro histórico, parar no famoso Café Gambrinus, o mais antigo de Nápoles, e comer um gelado, admirar a famosa cúpula das ruas na zona do comércio mais luxuoso e admirar a panorâmica sobre o golfo de Nápoles.
Para rumar ao destino seguinte descemos ao cais, onde nos esperava o S.S.Oceanic, daí partindo rumo à ilha de Malta.

Malta
A ilha de Malta foi a última escala do S.S.Oceanic, atracando no porto de La valletta, que a guia nos dizia ser o porto mais lindo do mundo, pelas suas condições naturais.
Não conhecendo todos os portos do mundo para estabelecer uma comparação, dos que conheço e não só deste cruzeiro, é de facto o mais lindo.
Nesta paragem foi-nos dada a possibilidade de uma excursão com guia a La Valletta, Mdina e Igreja de Mosta, o que foi aproveitado a exemplo do que fiz em todos os portos de escala, podendo dizer depois do que vi, que se não tivesse aproveitado muito teria a lamentá-lo.
Um primeiro motivo de interesse e estímulo para a visita a esta ilha, era a ideia da existência dos popularmente conhecidos Cavaleiros da Ordem de Malta, que de facto se designa por Ordem dos Cavaleiros de San Juan, e o desejo de conhecer no local tudo o que se relacionasse com os mesmos.
Não saiu gorada a expectativa por tudo aquilo que nos foi dado ver, principalmente na visita À Co-Catedral de San Juan, de estilo barroco belamente decorado com maravilhosos frescos no tecto e nas luxuosas capelas, uma das quais dedicada à presença portuguesa através dos governadores da Ordem, Luís Mendes Vasconcelos, 1622-1623, António Manuel de Vilhena, 1722-1736, e Manuel Pinto da Fonseca, 1741-1773.
Mas esta catedral tinha mais para nos surpreender, olhando o chão onde se encontram os túmulos dos cavaleiros, construídos em mármore, mas com uma decoração multicolor de embutidos com o mesmo material, que nos deixa de boca aberta.
Por incrível que pareça, é permitido aos visitantes caminhar sobre estas verdadeiras obras de arte, sem qualquer protecção no calçado que usam, o que contrasta com o que já vimos em Berlim, onde somos obrigados a calçar enorme pantufa sobre os nossos sapatos, só para não pisar outro chão de muito menor importância que este.
Muito perto daqui também nos foi dado visitar o palácio do Gran Mestre da Ordem, onde actualmente se encontra instalado o Parlamento e o gabinete do Primeiro Ministro.
Mas para além da Ordem dos Cavaleiros de San Juan, existe a marca de outras presenças em Malta, numa história de 6.000 anos, que se encontra ligada a fenícios, cartagineses, romanos, árabes, normandos, espanhóis, franceses e ao império britânico.
A capital de Malta, La Valletta, é uma cidade fortificada e apresenta ruas perfeitamente ordenadas e nelas existem imensos edifícios de típicas varandas verdes, bem ao estilo inglês.
Dos miradouros dos jardins designados por Barraca, disfruta-se um panorama fantástico do Grande Porto, do forte de St.Angelo e das outras três cidades fortificadas que partilham este grande porto natural, de nome Vittoriosa, Cospicua e Senglea.
Dispusemos ainda de tempo livre que nos permitiu visitar o popular mercado, chamado de “Merchants Street” e dar uma volta por “Republic Street”.
A visita seguinte foi a Mdina, antiga capital da ilha, que é hoje uma gigantesca cidade quase desabitada, pois nos dizem ter apenas 200 habitantes de avançada idade. Essa situação foi por nós constatada.
A razão para este despovoamento prende-se com o facto de as transmissões da propriedade se poder fazer apenas na linha directa da descendência, nunca para terceiros.
Esta situação conduz ao envelhecimento dos proprietários das habitações, deles deixando de ser donos apenas com a sua morte.
Daí o nome de “Cidade do Silêncio” que é dado a Mdina, onde grande parte das ruas são estreitas e formam autênticos labirintos, desaconselhados a quem não conheça, enquanto os edifícios têm uma dimensão grandiosa, ou mesmo gigantesca.
Por esse facto já foram ali rodados diversos filmes que têm a ver com o império romano.
Seguiu-se a visita à Igreja de Mosta, onde se destacam os seus interessantes frescos tridimensionais e a sua grande cúpula, a terceira da Europa em grandeza.
A robustez desta cúpula é posta em evidência pelos malteses, quando aguentou o impacto de uma bomba durante a 2ª. Guerra mundial, que não rebentou, “parando” sobre a mão de Cristo, representado num dos frescos existentes no tecto.
Dizem que a igreja se encontrava cheia de mulheres e crianças e consideram ter havido um milagre, ao ser sustida a bomba pela mão de Cristo.
E foi com vontade de voltar que deixámos a ilha de Malta, embarcando a bordo do S.S.Oceanic, para nos levar até Barcelona onde o cruzeiro terminava.
Resta dizer que a última noite abordo não foi das mais agradáveis, já que a ondulação provocou alguns enjoos nos mais sensíveis.
Mas um cruzeiro vale sempre a pena.

sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

2001 - Futuroscope e Eurodisney

A ida aos parques do Futuroscope e Disneyland foi uma prenda que quis dar a mim mesmo, quando fiz 57 anos, tendo aberto a garrafa do champanhe precisamente na noite passada no hotel junto ao Futuroscope.
Era o dia 31 de Março e estavam comigo, para além de minha mulher, o meu irmão e minha cunhada.
De há muito andava à espera da oportunidade de visitar estes parques, o primeiro auto-denominado de “Un monde d’éxperiences” e o segundo como "Uma viagem ao mundo da fantasia", que ao contrário do que às vezes se ouve dizer não é apenas para crianças.
Os graúdos também os “curtem”, tanto ou mais que os miúdos.

O Parc du Futuroscope - Poitiers
Foi de automóvel a viagem até Poitiers-França, onde se situa o Futuroscope, aí tendo passado duas noites, a primeira das quais foi de comemoração de aniversário, como já se disse.
A altura foi a melhor, porquanto não havia muita gente e o tempo esteve maravilhoso.
O dia imediato ao da chegada foi de levantar cedo e começar a visita assim que as portas abriram, o que tornou possível visitar quase todos os pavilhões.
A mensagem de boas vindas do parque refere-se aos seus visitantes como "amantes de sensações fortes ou curiosos em busca de evasão…e que ninguém imagina o que o espera".
Assim é de facto. No parque vivem-se sensacionais experiências em 3D, sobre gigantescos ecrans, em assentos que se movimentam, interagindo com as imagens apresentadas, tudo num fabuloso programa composto de 20 atracções, distribuídas por igual número de pavilhões.
Conseguimos visitar 19 deles, escapando-nos por pouco a visita ao último pavilhão, o da fotografia, cuja entrada não alcançámos por escassos minutos.
Já o havia visto na Expo98, mas também aqui nos foi dado submergir à velocidade do relâmpago até à mítica cidade de Atlântida e assistir à luta dos deuses, um a querer destruí-la e outro a querer salvá-la.
Logo de imediato “acompanhámos”, confortavelmente instalados em cadeiras viradas para um ecran hemisférico, no interior de um imenso cubo translúcido, a equipa de veteranos alpinistas na sua subida a mais de 8.000 m. no Everest, sendo multiplicada a sensação de imensidade graças a uma objectiva tipo Fish Eye (olho de peixe).
Uma descida aos abismos ser-nos-ia proporcionada por comboio fantasma a velocidade infernal, em que o assento coordenado por computador em interacção com as imagens e através de labirintos e som, nos inserem num inquietante universo.
Os efeitos são os mesmos quando enfrentamos o Tiranosauro Rex e as suas monstruosas mandíbulas que parecem devorar-nos, criando uma proximidade e envolvência com garantia de pavor, através do 3D.
Mas a viagem ao interior de um computador ajuda-nos a compreender todo o seu funcionamento e utilidade, por vezes emperrado por seres maliciosos e destruidores que bem conhecemos como “vírus informáticos”.
Viagem assombrosa e de uma beleza extraordinária é-nos proporcionada por dois ecrans, um à nossa frente e outro inclinado sob os nossos, quando acompanhamos as borboletas-monarca na sua viagem migratória de mais de 3.000 km, das florestas do Canadá até ao México, atravessando todo o continente norte-americano.
O efeito proporcionado pelos dois ecrans, que resultam da filmagem de dois ângulos em paralelo, é o mesmo que nos sentirmos integrados e envolvidos pelo vôo das próprias borboletas, em número de milhões, sobre o manto verde das florestas e daí o nome do programa "tapete mágico". A experiência é fascinante.
Os alliens delirantes é a história de simpáticos extraterrestres errantes em pleno cosmos na busca de uma terra tranquila, vindo a aterrar precisamente no Parque do Futuroscope, onde nos encontrávamos, para ver as suas peripécias cheias de humor.
Também nos foi dado fazer uma alucinante viagem ao volante de um F3, através de apertadas ruas, conseguindo vencer os mais incríveis obstáculos.
Noutro pavilhão vivemos experiências sensoriais inéditas, em que através de diversas técnicas audiovisuais somos levados a conhecer os mecanismos dos 5 sentidos, o que nos é dado pelo simples acto de saborear.
A sétima arte tinha o seu espaço num dos pavilhões, sendo muito interessante a forma como fizemos a visita, em barquinhas móveis que nos transportam através de um estúdio de 3.000 m2, onde pudemos conhecer todos os truques cinematográficos e a montagem de filmes, incluindo a simulação de uma grande tempestade dentro de um enorme tanque, onde um navio luta contra enormes ondas e se vai despedaçando pouco a pouco. As luzes e os sons que imitam relâmpagos e trovões, completam um quadro “assustador”.
E outras experiências aconteceram ao longo do dia, culminando no espectáculo do Lago das Imagens, em que os ecrans são projecções de bruma ou paredes de água de 15 m de altura, formando um leque em que se fazem diversas projecções de imagem, ao mesmo tempo que de forma sincronizada se vai desenrolando um maravilhoso espectáculo aquático com personagens surpreendentes, pirotecnia e música.
É deste espectáculo que se apresenta um vídeo, dividido em duas partes:
Lago das imagens - Parte I

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Lago das imagens - Parte II
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Galeria de fotografias:

O Parc Disneyland – Paris
Após breve estadia em casa da sobrinha Ana Maria, em Beauvais, surge a ida ao Parc Eurodisney, em Paris.
Também nos fez companhia a sobrinha-neta Julie, de 12 anos, que ajudou a que a “criança que há em nós” tivesse gozado de total liberdade enquanto permaneci naquele mundo de fantasia, levando-me a regredir na idade até à idade dela. Foi maravilhoso o impulso de juventude de que fui tomado, que me levou a acompanhá-la em todas as diversões em que participou.
É caso para dizer que fui garoto – no bom sentido - por umas horas em mais um dia da minha vida.
Começámos por apanhar o velho comboio do Oeste americano e a partir daí todo o cenário e personagens nos surgem a condizer.
Mas depressa este se altera, para nos surgir o Tarzan com o seu típico grito, enquanto nos embrenhamos em densa floresta.
E os quadros vão surgindo à medida que avançamos pelo interior do parque, passando de forma quase instantânea do mundo das fadas para o dos monstros, como acontece quando deixamos o castelo da bela adormecida e visitamos a casa assombrada.
A experiência de uma estonteante viagem através da mina em que Indiana Jones se viu perseguido pelos bandidos, sobre carris montados em estruturas de “madeira” de uma fragilidade aparente, é de nos deixar de pernas para o ar e cabeça às voltas, uma vez que a partida do comboio até se faz para trás em alta velocidade e em looping para baixo. Inesquecível. Outra viagem de “ficarmos com a cabeça na lua”, é a que empreendemos quando nos instalamos no foguetão Space Mountain-Da terra para a lua e somos projectados a cerca de 90 Km/h para o cosmos, que no caso é uma enorme esfera onde um emaranhado de carris nos faz subir e descer vertiginosamente, ora contra a lua, ora contra uma ou outra estrela, das quais se desvia no último instante.
A gritaria ensurdecedora dos ocupantes do foguetão, aquando das descidas vertiginosas e rodopios estonteantes, completam um quadro "espacial" sem comparação.
Também a viagem num “velho barco”, movido a vapor, através do “Amazonas” é recordação que ainda permanece bem viva.
E quem tinha pavor aos ratos ficou em estado de choque ao assistir ao espectáculo visionado com óculos especiais que nos davam a ilusão do 3D, enquanto os assentos nos faziam interagir com as cenas projectadas, movendo-se de forma sincronizada com o ritmo da acção.
Mas de facto o pavor surge no final quando “vemos” a sala inundar-se de ratos, ao mesmo tempo que os “sentimos” bater nas nossas pernas, provocando um pânico indescritível, principalmente nos elementos femininos, que sabem para as próprias cadeiras ou para o colo do vizinho.
O Castelo da Bela Adormecida, Branca de Neve e os sete anões, As viagens de Pinocchio, Os voos de Peter Pan, Dumbo o Elefante, As mil e uma noites e tantos outros quadros que nos fazem dar largas à fantasia, deliciando grandes e pequenos, torna-se impossível descrevê-los todos aqui em pormenor.
Tal como no Futuroscope, as mais avançadas tecnologias permitem criar espectáculos fantásticos de realidade virtual, como é o caso da viagem do Nautilus, dirigido pelo Capitão Nemo das Vinte Mil Léguas Submarinas, em que participámos como passageiros.
Estes e tantos outros do género, só mesmo estando lá.
Porém, o dia não havia de terminar sem a fantástica Parada do Maravilhoso Mundo Disney, em carros e centenas de figurantes, que dão vida a todas figuras imaginadas pelo seu criador Walt Disney, e ao deixar o Parc Disneyland sentimos já um desejo enorme de voltar, o que faríamos de bom gosto e de imediato, dando meia-volta e entrando de novo.
Valeu a pena ser criança por mais um dia. Simplesmente maravilhoso e inesquecível.