terça-feira, 21 de maio de 2019

PICOS DE EUROPA - Maio 2019

Já há muito que desejava ir até lá ao alto, mas só agora foi possível concretizar esse meu plano, apenas com a contrariedade de o estado do tempo não ser o melhor lá pelas alturas. Mas esse é um factor que ninguém controla.
Dia 1. Foi do operador turístico Pinto Lopes o programa da viagem, que para nós (casal Vaz) começou no Fundão, onde foi recolhido pelo autocarro que já vinha de Lisboa, com o grupo a completar-se na Guarda quando as pessoas vindas do Porto se juntaram a nós.
Cidade Rodrigo foi a primeira paragem, que permitiu aos que não conheciam esta histórica cidade ficar com uma ideia sobre a mesma, onde o destaque é para as suas muralhas, ponte romana e catedral. Aqui foi também o almoço que agradavelmente se acomodou no espaço que lhe estava reservado.
Zamora foi a paragem seguinte, ainda que breve, para apreciar alguns dos muitos edifícios românicos existentes na cidade e onde se deu também uma espreitadela ao rio Douro que por ali tem o seu percurso. Mas a curiosidade foi a existência, numa das praças, da estátua do nosso bem conhecido Viriato, que se diz ter nascido nos montes hermínios, e que na sua base tem a inscrição “terror romanorum”, que celebrava as suas vitórias sobre os romanos (oito no total), arrancando um farrapo dos seus estandartes vermelhos e colocando-os na sua lança.
León seria o termo da etapa seguinte e onde foi também o nosso alojamento e jantar, após o qual foi feita uma visita à zona histórica e ao “bairro húmido”, que apenas quer dizer zona de “bodegas” típicas.


Dia 2. Deixando León para trás, a visita seguinte foi à cidade de Oviedo, capital do principado das Astúrias e que me impressionou pela sua limpeza, onde desde manhã cedo se procede à lavagem das ruas, sendo informado pelo guia local que há um grande rigor quanto à separação por tipo de lixos e quem não recolher os dejectos dos cães que passeiam pelas ruas pode valer-lhe uma multa de 300 €. Os seus habitantes são chamados de Ovetenses e também conhecidos por “Carbayones” (carvalhões), havendo também um bolo tradicional com o mesmo nome, que comi e é muito bom. É a sede da Fundação Príncipe das Astúrias, que atribui prémios em diversas áreas, que a seguir ao Nobel é dos mais importantes. Também nos dizem que por toda a cidade se encontram cerca de 150 estátuas, o que tivemos oportunidade de confirmar pelas muitas que nos foi dado encontrar na nossa visita.
 
Continuando para Cangas de Onis, onde nos foi servido o almoço, prosseguimos para Covadonga, visitando o Santuário-Basílica ali existente e em visita facultativa aos lagos Enol e la Ercina, que se tornou numa experiência pouco agradável devido às condições climatéricas nada favoráveis (nevoeiro intenso).
A viagem prosseguiu por Arenas de Cabrales, conhecida pela produção de queijo, até La Franca onde se encontrava o hotel em que foi o nosso jantar e a nossa pernoita.
Dia 3. Saindo para Potes, prosseguimos o caminho para Fuente Dé onde teríamos a possibilidade de subir em teleférico os 1.823 m. que nos dariam a oportunidade de apreciar o Parque Nacional de Liébana e as altas cordilheiras,  mas também aqui as condições atmosféricas nos contrariaram as intenções. 
Regressando a Potes foi-nos proporcionado o almoço com um prato de características locais, com muitas semelhanças ao nosso cozido à portuguesa.
Continuando a nossa viagem foi feita uma paragem em Santillana del Mar, com visita ao mosteiro românico La Colegiata. A última paragem foi em Santander, onde teve lugar a nossa instalação hoteleira e nos foi servido o jantar, bem defronte do mar.
Dia 4. Depois de uma breve visita panorâmica pelas praias e cidade de Santander, iniciou-se a viagem para Valladolid, onde se visitou o centro histórico, incluindo Catedral e Plaza Mayor. Aqui foi o nosso almoço, após o qual seguimos para Salamanca, uma cidade declarada Património da Humanidade pela Unesco. Todo o seu património monumental é de uma riqueza incalculável, no qual se inclui a sua prestigiada universidade. Nesta cidade foi o nosso jantar e a nossa instalação hoteleira para a última noite.
Dia 5. Depois de uma noite que nos permitiu ver também o quanto são animadas essas noites em Espanha, numa Plaza Mayor a fervilhar de gente, foi possível uma visita a pé a esta maravilhosa cidade, apreciando toda a monumentalidade das suas construções e por fim saborear um almoço de características locais muito ao gosto de toda a comitiva. Por fim o adeus a todos os companheiros e o regresso de cada um aos seus locais de origem. Pode ser que um dia encontremos alguns dos novos amigos agora conhecidos.
Resta deixar uma palavra de apreço à guia Teresa Lucas e ao motorista Victor pela simpatia e profissionalismo.






terça-feira, 16 de abril de 2019

O PRAZER DAS COISAS… COMO RECOMPENSA !

Gosto de escrever e são já 12 os livros que publiquei até agora pelo sistema da auto-publicação.
Essa possibilidade tem sido proporcionada pela Editora Bubok, tendo vendido já 426 livros em papel. Mas também autorizei que fossem feitos downloads gratuitos dos mesmos e é gratificante verificar que vai em 3.326 o número total de downloads.
Dos livros que mais têm despertado o interesse dos leitores está o “Pelotão de Apoio Directo 1245 – no palco da guerra” com 47 livros vendidos e 845 down loads, seguindo-se “Viajar… o sonho que o tempo tornou realidade“ com 48 livros vendidos e 801 downloads e ainda “Chão de Alverca – Refúgio da Memória” com 45 livros vendidos e 797 downloads.
Se é verdade que escrevo apenas porque tenho prazer em fazê-lo, também é verdade que nos primeiros tempos em que fui fazendo este percurso cheguei a ser convidado por uma editora brasileira no sentido de escrever em exclusivo para ela. Na altura a minha ocupação profissional não iria permitir fazê-lo de modo satisfatório, o que me levou a recusar o convite.
Porque gostar de escrever não significa viver da publicação de livros e o prazer das coisas também é uma forma de nos sentirmos recompensados.

segunda-feira, 4 de março de 2019

UM AVC... É TRAMADO !

O AVC é algo “tramado” na vida de uma pessoa.
Aliviei a expressão para não escrever “deveras traumático” mas, podendo não ser fatal, pode deixar-nos numa situação que nos leva a desejar que o fosse.
Já vivi a experiência de um AVC e partilho a experiência com conhecimento de causa. Por isso mesmo, envio o meu abraço aos amigos e a todos os que lutam pela sua recuperação face a um embate dessa natureza e que as marcas possam ser atenuadas da melhor forma possível.
Foi em 15 de Janeiro de 2004 que me vi sujeito a essa terrível experiência. Estava então prestes a completar 60 anos de idade em 31 de Março desse ano.
Hoje tenho quase 75 anos e tendo passado já por outro dramático trauma na vida, como foi o de ver partir um filho com 38 anos de idade vítima de um tumor cerebral, contrariando leis da natureza que pareciam as mais adequadas à minha própria situação, que era o de assumir o seu lugar visto estar quase no dobro da idade que o filho tinha na altura, nem por isso deixei de acreditar que ainda vale a pena continuar a fruir da vida que me resta. Por mais curta que ela venha a ser.
O livro que escrevi sobre essa terrível experiência, pretendi que fosse um aviso aos que estão sujeitos a vivê-la tal como eu - porque ninguém está livre de tal acontecer - e os testemunhos expressos sobre o relato da minha experiência por quem trata e procura minimizar o efeito de tais situações por dentro - médicos e enfermeiros/as ligados ao problema, bem merecem ser divulgados. Como uma homenagem que lhes presto, mas também e, principalmente, porque a sua palavra pode ser um aviso de prevenção que deve ser levado muito a sério e no momento certo.
 O primeiro comentário foi do Dr. António Lourenço Marques após ter divulgado no meu blog a experiência do AVC. Foi depois repetido a propósito do livro.
"Meu caro Alvaro Vaz: tinha feito o meu comentário no blog, mas parece que não "pegou". Reproduzo-o aqui, não sendo a mesma versão, mas terá o mesmo sentido. A sua descrição do episódio de AVC é uma peça espantosa com uma descrição muito pormenorizada e rigorosa, com todos os elementos clínicos, vistos do lado de quem habitualmente não se pronuncia, o doente, submetido à lupa do médico. Lembra o livro impressionante, Valsa Lenta, de Cardoso Pires, que no caso foi passado também pela ficção de um grande escritor, mas o seu, para mim, é mais minucioso sobre a fase aguda. E, depois, dá-nos conta da vivência psicológica e social (hospital) com uma intensidade absolutamente surpreendente. Temos aqui uma lição de um homem que, para além da coragem, mostrou a sua força intrínseca quanto à importância que atribui ao facto de viver e que cuidados importa ter em conta, para se viver melhor . É uma preciosa lição, de facto, para o nosso quotidiano, um texto que devia ser lido por todos. Todos aproveitaremos, não tenho dúvidas, e certamente também o admiraremos ainda mais. Obrigado por ter partilhado e um abraço."
Também a propósito do livro viria a receber a carta que me permito reproduzir a seguir:

"Diretor Técnico | Psicólogo Clínico
WWW.ASSOCIACAOAVC.PT 
Estimado Sr. Álvaro Roxo Vaz,
Não obstante termos recebido o seu livro no final de Maio, pensamos nunca ser tarde agradecer-lhe com muito entusiasmo a sua generosa oferta e partilha. Li-o neste fim de semana, com imenso gosto e fiquei com uma sensação de muita proximidade com a sua vida, pessoa e respectiva idiossincrasia, que passei a admirar muito.
Além de também ser um confesso admirador do André Rieu e de o invejar pela oportunidade de assistir em Bruxelas ao seu concerto, fiquei sensibilizado pelo seu percurso e capacidade de luta. Pela sua perspectiva existencial e denotada capacidade de amar a vida.
A determinada altura (na página 90-91), refere "... a nível do espirito, do pensamento, da forma como encaro a vida e do que espero dela, ocorreu uma grande transformação (...) Porque pode parecer um absurdo, mas foi preciso sofrer aquele 'safanão' para perceber mais claramente que a vida é o bem mais precioso que eu tenho, mas que não valorizava como devia valorizar (...) hoje tenho plena consciência de que a vida me foi concedida por empréstimo, com o 'compromisso inalienável' de a devolver a qualquer momento."
Acredito que esse nível de consciência, se me permite fazer esta extrapolação e comentário, seja um dos factores mais protectivos e preventivos de qualquer outra repetição de um AVC e de uma vida plena sentido e propósito. Estes onze anos são prova disso! Creio mesmo que este acontecimento de vida em 2004, é um marco de viragem para um reencontro consigo próprio. Uma oportunidade que o Universo lhe concedeu para realmente encontrar o seu sentido ontológico e metafisico mais profundo.
Peço-lhe desculpa pela ousadia em fazer este comentário! Contudo a sua partilha é tão genuina, autentica e reveladora que, enquanto leitor senti, reforço, uma proximidade muita rápida.
Em nome da Direcção da Associação Nacional do AVC e da nossa equipa, gostaríamos de lhe agradecer pelo exemplar que nos enviou, mas sobretudo pela partilha materializada em livro que com certeza inspirará e trará luz a muitos que tenham percorrido este lado mais sombrio da doença.
Estaremos sempre à sua disposição.
Um abraço solidário e com estima,
Diogo Valadas Ponte"
Também por intermédio da diretora do grupo de trabalho da associação Portuguesa de AVC no Fundão e a propósito do livro fui presenteado com o seguinte comentário:
"Boa tarde Sr. Álvaro
Não sei se recordar de mim, o meu nome é Stéphanie Bonito. Sou a diretora do grupo de trabalho da associação Portuguesa de AVC no Fundão. Esteve connosco no nosso primeiro rastreio e presenteou-nos com um exemplar do seu livro.
Infelizmente, a carga horário só agora me permitiu ter tempo para me entregar a esta leitura. 
Contudo, após esta leitura senti-me na obrigação de lhe agradecer por este magnífico momento de leitura que me proporcionou. 
Ainda como estudante de enfermagem e prestes a ingressar nesta profissão, sinto-me grata pela experiência que partilhou connosco e pelos ensinamentos que pude retirar desta, é sempre muito proveitoso ver o lado da doença, do doente, como se sente e como realmente pode ser ajudado.
 Para além do contributo como futura profissional, foi da mesma forma um grande contributo pessoal, pela sua força e persistência em lutar pelos seus sonhos, um grande exemplo para quem tem um futuro desconhecido e pelo qual tem de lutar, e oxalá que o consiga fazer com a mesma garra que o Sr.Álvaro agarrou os seus sonhos.
Por último, foi ainda um impulso e uma força para levarmos este projeto avante com determinação, pela necessidade de estar perto das pessoas, ajudando-as a evitando os fatores de risco, ensinando-lhes como aproveitar e viver a vida com mais qualidade, e longe das doenças cardiovasculares. 
O seu livro ira passar por todos os membros deste projeto, e será certamente um incentivo para todos continuarmos este trabalho.
 Mais uma vez obrigada por esta fantástica lição de vida.
Com os melhores cumprimentos
Stéphanie Bonito"

O meu percurso de vida e a experiência vivida com o AVC, já me ensinaram que nenhum sinal pode ser desprezado. Pode significar evitar ou não evitar uma tal experiência.