sábado, 20 de novembro de 2010

Viagem marcada

Tudo o que se refere a viagens, me prende a atenção. Mesmo quando se trata de viagens para o Além.
E esta situação refere-se precisamente a uma dessas viagens.
Por atropelamento, faleceu há dias o Padre Cartaxo, que foi secretário do Bispo da Guarda.
Foi-me contado que, na altura do seu funeral, convidaram o amigo Cónego Mário Gonçalves, para fazer o seu elogio fúnebre.
Quem conhece o Cónego Mário Gonçalves, sabe da sua inigualável capacidade para adequar frases de sabedoria a cada momento. Mesmo naqueles de maior tristeza.
Ali, socorreu-se de uma quadra que tinha visto na entrada de casa do falecido, para fazer o seu elogio fúnebre.
Não sei o que foi dito, para além da quadra.
Mas sei que o seu conteúdo, aparentemente contraditório, ao dizer: …levo só aquilo que dei, faz todo o sentido, à luz da ideia de que ao longo da vida temos de amealhar todos os créditos que resultam do que se dá, em obras ou gestos.
Não resisto a deixá-la aqui:

Tenho uma viagem marcada
Para quando, eu não sei
Comigo não levo nada
Levo só aquilo que dei
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1 comentário:

Anónimo disse...

Quem é o autor do poema?