quinta-feira, 2 de agosto de 2018

AS BOAS PRÁTICAS...

Em 2014 visitei a Eslovénia, uma das ex-repúblicas da antiga Iugoslávia. Tive a oportunidade de conhecer a capital Ljubljana e constatar a organização e limpeza  da cidade, com evidentes sinais de preocupação ambiental, fazendo também uma breve visita ao bem abastecido mercado local.
Desde logo o que me chamou a atenção foi a apresentação de todos os produtos sobre as bancas e as lindas cerejas que na altura ali eram vendidas. Um outro pormenor foi o abastecimento de leite ser feito num pequeno pavilhão para onde era levado pelos produtores e depois distribuído através de uma máquina onde os consumidores utilizavam um frasco de vidro que já levavam consigo, sendo o seu pagamento efectuado através da introdução de moedas nessa máquina.
Deixou-me a pensar, porque este sistema alcançava desde logo três objectivos:
- a protecção da economia local e seus produtos;
- o ambiente, utilizando o vidro, que permite a sua reutilização;
- a economia da mão de obra, visto que o consumidor trata de si próprio no abastecimento.
Esperei que alguém se abastecesse para ficar com uma imagem e ela é perfeitamente esclarecedora.
Temos de aprender com as boas práticas dos outros.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Tudo o que veio a mais... foi lucro !

Em 2002 fui vítima de um AVC.
Relatei e publiquei em livro a terrível experiência, oferecendo-o à Associação Portuguesa de AVC, que o divulgou pelos estudantes que compõem os seus grupos de rastreio, o mesmo fazendo em relação à Associação do AVC. Ambas manifestaram a sua maior simpatia e incitamento pela divulgação da experiência, dada a grande utilidade de as pessoas estarem informadas e alertadas para a possibilidade dum tal acontecimento consigo próprias.
No livro deixei escrito:
“Naquela altura, com 58 anos, eu seria a pessoa improvável para ser vítima de um AVC.
Julgava eu.
E porquê ?
- Se não fumava desde os vinte e poucos anos…
- Se não tinha uma vida sedentária …
- Se não cometia excessos na alimentação …
- Se não cometia excessos nas bebidas …
- Se fazia caminhadas semanalmente, enquanto responsável pelo grupo Caminheiros da Gardunha …
- Se fazia uma vida bastante activa, derivada de uma acção constante junto de associações de natureza cultural, desportiva e de lazer …
… Eu não deveria temer por uma doença deste tipo.
Julgava eu.
Ou melhor, nem julgava.
Simplesmente, porque nem pensava nisso…”.
Mas o que aquela experiência provocou em mim foi uma enorme apreensão sobre o que ainda seria possível alcançar na vida, dada a minha idade daquele momento. Aos 58 anos os meus sonhos estavam quase intactos e um deles era o de ter a pretensão (?) de atingir a idade sénior, ou seja, os 65 anos. Mas também sonhava com viagens… conhecer o mundo.
Acabei por atingir a idade sénior e fui realizando quase todas as viagens que tinha projectado, cerca de 30.
Hoje tenho 74 anos e já passaram16 desde que me vi sujeito àquele trauma. Mas aquele ainda não havia de ser o único. Ter perdido o filho com 38 anos, após 25 meses de sofrimento, foi outro que deixou marcas que não mais se apagam.
Apesar de tudo isto, não amaldiçoo a minha sorte, não estou farto de viver, nem me zanguei com o deus em que acredito.
Ora a idade que tenho, já é uma bonita conta.
E se a minha ambição era atingir os 65 anos, então com 74 posso dizer que tudo o que veio a mais... foi lucro !

sábado, 21 de julho de 2018

Civilização também significa limpeza

Em 2012 tive a oportunidade de visitar Liverpool, quase a finalizar um circuito feito por Inglaterra e Escócia.
O último dia era domingo e estava prestes a rumar ao aeroporto de Manchester e depois Lisboa, mas logo pela manhã ainda pude visitar a zona portuária de Liverpool. 
Enquanto por ali andei, a cena que me prendeu a atenção foi a de um funcionário a lavar com uma máquina de alta pressão os contentores de recolha do lixo. De seguida pulverizou com um produto, que suponho desinfectante.
Pensei:- sim, isto é de gente civilizada. Que se preocupa com a limpeza.
E também pensei:-  como eu desejava ver cenas destas lá pelas minhas bandas !

quinta-feira, 12 de julho de 2018

A sombra calçava sandálias !!!



Experimentei dar uma volta descalço para testar os meus pés num chão arenoso. Queria sentir aquela textura que já há muito não sentia.

Andei… andei… e de repente começo a ouvir passos que me seguiam. Eram passos bem perceptíveis e quando parei eles também pararam. Continuei a andar e eles fizeram o mesmo.

Eu estava descalço e não fazia qualquer barulho a caminhar, mas o que eu ouvia era um barulho de gente a caminhar calçada.

Parei de novo e olhei à minha volta – apenas a minha sombra.

Mas…  espanto dos espantos, a sombra vinha calçada. O mistério estava explicado: o barulho vinha dali.

E antes que a sombra sumisse peguei o telemóvel e zás… tirei uma foto.  
E nela ficou claro que afinal a sombra trazia calçadas as minhas sandálias.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

O David e o Convento

Num momento em que o meu regozijo pela “ressurreição” do Convento de Santo António ou do Seixo é enorme, olho para um texto do David publicado no seu blog em 8 de março 2012, quando se preparava para ser um dos apresentadores do meu livro que trata da vida da Fundatur e do estado moribundo em que se encontrava o Convento.
Então o David manifestava a sua satisfação por participar no evento, hoje, já noutra dimensão, por certo apreciará o que foi feito para o salvar.
Aqui deixo o seu texto.
Alívio
Acho que é isso que sinto, alívio.
É. Sem dúvida. Alívio.
Este fim-de-semana vou finalmente ao Fundão. É a primeira vez que em 2012 lá ponho os cotos. Deve ser também uma das minhas mais longas apneias. E que difícil é. Acho que quando estou por lá até o suco gástrico me sabe bem (yaaac! que imagem...).
No fundo, no fundo, eu sou um emigrante no meu próprio país (agora que falo nisso também me ocorreu que poderia ser proxeneta).
Bom, voltando ao tema: estou satisfeito por lá ir acima. Aquele canto é meu, sinto-o como tal. Aqui em baixo vivo por empréstimo. A malta deixa-me cá viver, trata-me bem mas só cá estou para trabalhar. Lá em cima não. Lá eu consigo mudar as agulhas. E que bem que isso me sabe.
Associado a este facto, estou também satisfeito porque o Pai Álvaro vai apresentar um dos seus já cerca de vários livrinhos. Desta feita, a obra a apresentar é sobre o seu menino, o Parque de Campismo do Fundão (e um pouquinho também sobre o Convento de Santo António). Ele não queria grande alarido na coisa mas pelos vistos lá se foram proporcionando as condições para que assim não seja e aquilo promete estar compostinho. Consta até que vai ter, pelo menos um, apresentador de luxo.
Imagino que lhe tenha sabido muito bem, transpor para texto as memórias de 25 anos de carolice. Aprecio isso e imagino que tenha sorrido muitas vezes sozinho enquanto passava revista à cabeça e se reencontrava com as peripécias e com aqueles amuos que não resistem ao tempo.
Penso entender bem este gozo em torno da carolice. Pudera, na verdade é isso que sou, um carola. Não fora o gosto pela coisa e jamais trabalharia no que trabalho.
Tenho já em forma de ideia algumas sensações que a leitura do livro me trouxe. Mas se me permitem, vou guardá-las para a apresentação.
Fica a musiqueta do dia, e votos de bom fim-de-semana. O meu vai ser! Vou renovar o ar dos pulmões!
O Convento foi transformado numa unidade hoteleira de 5 estrelas, "Convento do Seixo Boutique Hotel & Spa", para o qual se deseja todo o sucesso, pois tendo sido a forma de o salvar da ruína, outra coisa não se pode desejar-lhe.
É unânime a opinião de que a preservação do monumento foi conseguida nos seus aspectos fundamentais  e que o conceito de que "o ótimo é inimigo do bom" não foi trazido para aqui. Na parte que me foi dado ver, o resultado é ótimo e foi bem mais longe do que aquele que chegou a ser manifestado por alguns, apenas pela preservação dos escombros do edifício para que ali pudessem ser realizados concertos e outros eventos em segurança.
Manifestar-lhe a minha gratidão é um dever, que julgo ser também o dos fundanenses. BEM HAJAM.

 

terça-feira, 15 de maio de 2018

dr.CÉSAR BOTELHO

O Ti´César Botelho foi uma daquelas figuras da vida fundanense que não deixou indiferente quem consigo se cruzou. O dr. César ! Baixinho e gordo, cara redonda e farta bigodaça. Foi latoeiro, funileiro, canalizador, bombeiro, benfiquista ferrenho, músico e … meu sogro !

Tocou contrabaixo na banda (quando ela existiu) e quando desfilou em Matosinhos fazendo parte da fanfarra dos Bombeiros do Fundão, alguém disse alto e bom som: “o mais piquenino é o que leva a gaita maior” !
Um dia foi sugerida para o seu “consultório” a placa com os seguintes dizeres:
Faleceu vai para 16 anos, mas tinha deixado de exercer a sua actividade há mais de 25. Mantive o espólio da sua oficina durante todo este tempo, pagando até hoje a sua renda (pequena, é verdade…), porque desejava preservar e dar a conhecer um dos ofícios que no Fundão já não existe e não sei se muitos haverá no país nos moldes artesanais em que este existiu.
Na altura propus oferecer ao município todo o espólio se lhe destinassem um espaço adequado para o expor. Seria a minha homenagem e a forma de perpetuar a memória sobre este ofício. Cansei de esperar…

segunda-feira, 12 de março de 2018

A IMPORTÂNCIA DA MEMÓRIA

São mais de uma dezena os livros que publiquei, todos por auto-publicação, possibilidade que algumas editoras disponibilizam sem exigência de aquisição de qualquer exemplar. No caso, a editora Bubok apenas aconselha a compra de um exemplar pelo autor com o intuito de apreciar o resultado da edição. Exceptuando o último, em todos dei também permissão de download gratuito em PDF.
Porque a intenção primordial da minha escrita é para que a memória não se perca, exactamente porque têm sido inúmeros os carrascos das nossas memórias. No Fundão, então, é por demais. Temos hoje a preciosa ajuda da imagem que nos mostra o que deixamos para trás, mas a história faz-se de textos que descrevem a forma como se viveu e até a forma como deixamos de pertencer ao número dos vivos, para além de poder tornar visíveis importantes contributos dados à sociedade por gente que na maioria das vezes jamais sairia do anonimato.
Quando apresentei o livro sobre a Fundatur e sobre essa apresentação o Jornal do Fundão me honrou com a publicação de um texto que titulou de “Como se a vida fosse um imenso livro”, nada me levava a imaginar que nesse “imenso livro” havia de caber mais tarde o livro David Vaz-apaixonado pela vida e pelo desporto. A homenagem que quis prestar ao meu filho, que aos 38 anos nos deixou depois de 25 meses de luta inglória pela vida.
É uma memória que ficará para além das nossas memórias, mas o livro no imediato tem a intenção de ajudar a cumprir uma missão que, para mim e para os que fazem parte desse projecto, é sublime – a missão assumida pela David Vaz-Associação de apoiar a investigação oncológica, nomeadamente na área dos tumores cerebrais.
Para além do valor do livro (17,50€), existem outros meios, eventos e merchandising, com essa finalidade. Temos ainda muitos livros ao dispor de quem os queira adquirir. Basta contactar:


- Vera – 966854993
- Rui Pedro – 964071122
- Álvaro – 917569211

quarta-feira, 7 de março de 2018

Mó em Portimão - Cilindro no Fundão


Uma Mó e um Cilindro de Pedra
A primeira imagem tem mais de 35 anos e mostra-nos o David, a Vera e a mãe Nélita.
Mas também nos mostra a mó de um lagar de azeite no Largo D.João II da baixa de Portimão, que é igualmente conhecido como o Largo da Mó.
Esta mó foi adquirida e lá mandada colocar pelo Município de Portimão, perpetuando a memória desse antigo lagar de azeite que ali existiu – o Lagar do Mariano. Ninguém se preocupou que o nome de Largo D.João II pudesse vir a ser menos conhecido que o nome de Largo da Mó. Simplesmente se preocuparam em preservar uma memória. E se a memória do rei D. João II é importante, justificando ter ali o seu nome, também a de um lagar de azeite tradicional não deixa de ter a mesma importância, dando a conhecer métodos antigos de moer a azeitona para dela extrair o azeite.
Em relação à segunda imagem, lembrei há tempos ao senhor Presidente do Município do Fundão a existência do cilindro em pedra na EN 343 no meio do silvado e mostrei numa montagem fotográfica como seria sugestiva a sua colocação na rotunda do cruzamento com a variante ao Fundão. Foi considerada muito interessante a ideia e fiquei a aguardar que o cilindro para lá fosse mudado, porque uma peça dessas em pedra já não é muito vulgar ver-se. Ainda estou a aguardar.
Não tivesse ela o peso que tem e já há muito a teriam levado do sítio em que ainda se encontra para adornar outro qualquer espaço.
É uma memória com mais de 70 anos. É importante preservá-la.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Aquilo não aconteceu...

A sensação que tenho é que aquilo não aconteceu.
E o aquilo a que não quero referir-me, todas as pessoas o sabem.
Cá para mim, o David está entregue aos seus afazeres desportivos e quando tiver vagar virá fazer-nos uma visita.
Claro que não vou viver essa espera em grande obsessão.
As demoras quando são longas torturam.
Vou continuar a pensar, sim, que aquilo não aconteceu.
Também não vou alinhar na negação dos factos, dizendo:
- Não quero acreditar que aquilo tenha acontecido.
Depois, a verdade é muito penalizadora.
Vou, sim, caminhar a par do tempo e o tempo me dará a oportunidade de um encontro com o David.
Um dia...
Entretanto, o melhor é manter a sensação de que aquilo não aconteceu.

sábado, 3 de setembro de 2016

Como é bom ter amigos...

O David tinha apenas 38 anos de idade.
Descontando 2 anos em que o seu viver foi tomado por momentos de grande sofrimento, a sua vida foi demasiado curta para realizar tantos sonhos que ele acalentava.
E que acalentava com toda a legitimidade.
...
Foram apenas 36 anos e 77 dias.
Foi muito pouco tempo.
O David era um apaixonado pela vida.
Mas também um apaixonado pelo desporto.
E só ama o desporto quem ama a vida.
Poderia dizer-se que a vida foi cruel para com o David.
Mas a nossa existência acaba por ser uma luta entre a vida e a morte.
Foi vencido por essa doença terrível:- um cancro cerebral do tipo glioblastoma-nível IV.
Resistiu-lhe o quanto pôde e contrariou todas as estatísticas – resistiu para além de tudo o que era conhecido.
Mas nós queríamos mais.
É verdade que o David não morreu, pois continua bem vivo no nosso coração.
O David apenas se adiantou na partida.
Porventura aconteceu o que por vezes acontece em muitas competições.
O David teve uma falsa partida, mas sem lugar a repetição.
Em toda a sua vida o David contou sempre com a presença de muitos e muitos amigos.
E eles foram muito importantes nos últimos momentos dessa sua curta existência.
Mas se essa presença significou uma vida cheia, então o David teve uma vida plena.
E todos esses amigos têm um lugar muito especial no nosso coração.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

O nosso Herói ...


Os Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim permitiram um encontro memorável.
O encontro entre o Michael Phelps e o David Vaz.
Para o Phelps nada significou, mas para o David, sim.

Porque o David é grande admirador do Phelps e uma foto juntos era uma autêntica medalha de ouro.
No palco dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio, encontra-se de novo o Phelps na sua luta pelas medalhas.
E já conquistou cinco.
Num outro palco encontra-se o David envolvido numa grande luta.
Uma luta titânica.
Numa cama de hospital o David luta pela vida.
E contra um adversário terrível e traiçoeiro - um cancro cerebral.
Mas o David nunca fraquejou nem desistiu de lutar.
Neste combate não vai haver medalhas, seja qual for o resultado.
Mas o David conquistou já um título - o de Herói.
O nosso Herói.


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

E a política compensou-me com o “título” de ELEITOR Nº.1

Também fui dos que passou pela política de forma activa.
Como membro e secretário da Junta de Freguesia; presidente da Assembleia de Freguesia e vereador municipal.
Fi-lo com o espírito de quem está a prestar um serviço ao seu país ou, como foi o caso, à sua comunidade.
Em espírito de missão.
Aliás, sempre aceitei e entendi que a política é uma actividade nobre, desde que desempenhada com objectivos de isenção, de entrega à causa pública e de defesa do que é de todos.
Mas a experiência não tardou a demonstrar-me que os bem-intencionados não sobrevivem por muito tempo no mundo da política.
Quando em minoria ou isoladamente, como foi o meu caso enquanto vereador, ou abdicamos da nossa consciência e do livre pensamento, ou perdemos o espaço de manobra, com qualquer iniciativa ou proposta a cair quase sempre em saco roto.
Essa, uma consequência quando se recusa, como sempre fiz, em alinhar nos interesses de grupo ou subscrever a defesa de interesses pessoais.
Mas foi na qualidade de vereador que vivi uma experiência deveras agitada mas extraordinariamente enriquecedora, onde a minha posição minoritária se tornou o “fiel da balança”, que no momento próprio se inclinou para a decisão que achei moralmente aceitável e que viria a conduzir à dissolução da primeira câmara no pós-25 de abril.
Tudo ocorreu em 1986 e 1987, depois de formada a câmara do Fundão que resultou das eleições autárquicas de 15-12-1985, com a seguinte composição:
PSD/CDS – 4 vereadores (PSD-2/CDS-2)
PS – 2 vereadores
PRD – 1 vereador
Com a maioria PSD/CDS a dominar, a câmara parecia ter todas as condições para funcionar normalmente.
Mas o “casamento” PSD/CDS depressa começou a ser perturbado por “infidelidades” ocasionais do CDS, cujos elementos se rebelavam, juntando-se ao PS para formar maiorias de conveniência e assim contrariar os cálculos e as votações do PSD.
Como representante do PRD, a minha postura foi sempre a de evitar que me envolvessem nos acontecimentos e dessa forma prejudicar as deliberações que me eram possíveis e que pretendia fossem tomadas a bem dos munícipes e do concelho.
Mas a barafunda acabou por instalar-se.
Houve deliberações de uns tentando declarar perdas de mandato de outros, presidências assumidas por uns dizendo que os outros não tinham legitimidade, convocatória de sessões para deliberações declaradas ilegais pelos outros… até se chegar à intervenção da polícia, chamada por uns para expulsar os outros, etc. etc.
Chegados a esse ponto de indignidades, achei que era tempo de me retirar dali.
Decidi renunciar e todos os da minha lista também assim fizeram.
Consequentemente, a câmara veio a ser dissolvida. Era a primeira do país.
E para mim a grande lição do que não deve acontecer em política.
Antes havia tido a experiência da freguesia, onde vim a ser secretário da junta e presidente da assembleia.
Mas foi enquanto secretário da junta que aconteceu o recenseamento eleitoral, participando eu na comissão que o havia de levar à prática.
E quando se colocava a questão sobre qual o nome para a primeira linha do caderno eleitoral número um, os companheiros sugeriram que deveria ser o meu.
Assim aconteceu.
Tal como já deixei escrito atrás, entendo que a política deve ser tratada com espírito de missão, mesmo quando se aplique o estatuto de profissional.
Segundo Aristóteles “o homem é naturalmente um animal político”.
Só que o “animal político” a que se refere Aristóteles não tem de ser um vampiro que apenas sirva para sugar o sangue da nação, que o mesmo é dizer, a sua riqueza ou o aproveitamento do cargo em seu favor e dos seus correlegionários.
No meu caso, acho que a política até foi generosa comigo.
Compensou-me com o “título” de eleitor nº.1.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Deixar a testada limpa

Recordo de ouvir a meus pais ou a pessoas mais antigas, a expressão: "se cada um varresse a sua testada", o terreiro ou a rua em frente de todas as portas estariam sempre limpas.
Isto também se aplicava a partes de linhas de água, ribeiros ou ribeiras que confinassem com as suas propriedades, em que as margens deveriam ser limpas todos os anos, para evitar que transbordassem com as enchentes de inverno.
Também no aspecto da honestidade e da conduta das pessoas se aplicava o termo "deixar a testada limpa", quando alguém dava por terminada uma função ou um cargo e tinha a preocupação da defesa do seu bom nome, deixando-o sem mácula.
É pena que, nos dias de hoje, esta expressão tenha caído em desuso.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Suiça fabulosa, Alsácia e Floresta Negra

O ter de conciliar período de férias com compromissos profissionais, que envolvem contabilidade, declarações fiscais e liquidação de impostos, levaram-me uma vez mais a subscrever um circuito da Nortravel, neste caso o Suíça fabulosa, Alsácia e Floresta Negra, que aliás já fazia parte dos meus objectivos de viagem.
E conhecendo, como conheço, os serviços Nortravel, tudo fazia prever que a minha 6ª viagem no operador turístico das “viagens com final feliz” havia de corresponder às expectativas que tinha para ela.
E que não saíram goradas.
Desde logo e por razões que nos ultrapassam, a surpresa de sermos um grupo de apenas 12 pessoas, o que veio a ser favorável pela facilidade de movimentação e de controlo do mesmo nas visitas programadas.
Mas se os adjectivos usados em determinadas classificações se mostram fora de contexto, o que foi usado para definir o espaço em que esta viagem se realizou, fez todo o sentido.
De facto, considerá-lo fabuloso não é exagerado, sendo esse exactamente o meu sentir.
O dia Um – Chegados a Zurich, lá tínhamos a competente guia Maria da Graça e o seguro e responsável motorista Osvaldo à nossa espera, verificando-se então o momento do primeiro contacto com o grupo, que havia de tornar-se uma família até final.
Dali, a partida para Colmar (Alsácia), onde nos foi servido o jantar em restaurante local e nos alojámos no Grand Hotel Bristol.
Um elemento não esperado que nos acompanhou em quase todo o tempo do circuito, o calor que nalguns momentos ultrapassou os 40º. e este dia um deu-nos claras indicações quanto a esse aspecto.
 O dia DoisQuando do programa consta que uma qualquer cidade é classificada como património da UNESCO ou da Humanidade, fica-nos desde logo a garantia de que o seu património histórico-monumental e os valores representativos da sua cultura se encontram preservados. E a visita a Colmar confirmou isso mesmo, com a nossa guia Maria da Graça a dar-nos a conhecer os aspectos mais relevantes da sua história, com desenvoltura enciclopédica, ficando-nos na memória a passagem pelos canais e que, por isso mesmo, são chamados de “Pequena Veneza”, de entre muitos outros do seu centro histórico.
Partimos depois para Estrasburgo, sede do Parlamento Europeu e do Conselho da Europa, onde nos foi dado conhecer o centro histórico e a sua famosa catedral, assim como o relógio astronómico e outros pontos de interesse turístico, fazendo-o a pé ou num pequeno comboio ecológico.
Após o almoço, dirigimo-nos para Riquewihr, a pérola medieval alsaciana inserida num espaço onde o vinhedo se destaca pela enorme mancha verde e pelo excelente tratamento que lhe é dedicado. No jantar aí servido houve também oportunidade para saborear a excelência do vinho que ali se produz.
Mas foi também nesta deslocação que nos “cruzámos” com uma réplica reduzida do mais francês dos símbolos americanos – a Estátua da Liberdade, da autoria do engenheiro alsaciano Frédéric Bartholdi, cujo original foi oferecido pelos franceses à América, ainda que associando os maçons a este gesto.
O dia Três – A minha expectativa quanto ao que iria ver na Floresta Negra era grande, mas foi satisfeita em pleno, tanto no que se refere à relação do ser humano com a natureza como em relação à sua capacidade em preservar as tradições e deixar para os vindouros o conhecimento dos modos de vida que lhes permitiram a sustentação noutras épocas e que não devem esgotar-se nas novas tecnologias. Por muito que elas nos facilitem a vida.
Foi por isso fantástica a visita ao Vale de Gutach para apreciar o museu ao ar livre “Schwarzwalder, Freilichtmuseum Vogstbauernhof”, mostrando-nos 6 quintas à volta de um edifício principal com tudo, mas tudo, incluindo animais, do que elas comportam para o desenvolvimento da sua actividade rural. Grande lição e mostra sobre a história desse mundo tradicional ao longo de três séculos.
Após o almoço, outra agradável surpresa, a visita a Freiburg, considerada a mais ecológica cidade alemã e por isso chamada de eco-city, com os seus canais pelas ruas da cidade, onde a memória me fez recuar ao tempo em que a minha terra (o Fundão) era conhecida como a terra onde a água também corria pelas ruas e por ser a terra mais florida da beira. Agora… a saudade.
O dia Quatro – Saída para Berna, a capital da Confederação Helvética, onde despertou particular atenção os portais tombados, que serviam de acesso a abrigos, hoje declarados património pela UNESCO.
Partimos depois na direcção dos Alpes Berneses e Vaudoises, chegando à famosa estância de inverno de Gstaad.
Aqui, após o almoço embarcámos no comboio GoldenPass panorâmico, que nos trouxe por paisagens de verdadeiro deslumbramento através dos Alpes, até Montreux. Só o calor nos incomodou um pouco, até porque o ar condicionado não funcionou em condições. Mas o pessoal foi simpático oferecendo-nos água para compensar.
Após passeio na beira do Lago Leman, fomos a instalar-nos em Villars-Sur-Ollon, outra credenciada estância de inverno, de onde também se desfrutava um fantástico panorama.
O dia Cinco – Genebra foi o objectivo seguinte, também junto ao Lago Leman, com uma visita panorâmica à bonita cidade onde se encontra a sede das Nações Unidas e Cruz Vermelha, de entre muitos outros organismos mundiais.
Dali partimos para Annecy, justificadamente chamada de Veneza dos Alpes Franceses, onde foi o nosso almoço.
Seguiu-se a visita a Chamonix, histórica estância de esqui aos pés do imponente Mont Blanc, que do alto dos seus 4.807 mts. nos exibia as suas persistentes neves. Momentos inesquecíveis.
E de novo Villars-Sur-Ollon nos acolheu no regresso ao hotel.
O dia Seis – Foi o dia em que o Lago de Thun nos acolheu em cruzeiro até Interlaken, enquanto podíamos apreciar o fantástico panorama envolvente.

Aqui foi o nosso almoço, após o qual prosseguimos para Lucerna, nas margens do também designado Lago dos Quatro Cantões, prosseguindo depois para o hotel.
O dia Sete – De novo em Lucerna, foi possível então conhecer mais do belo desta cidade, onde se destaca a Ponte da Capela, Ponte do Moinho, para além de muitos outros onde ficou presa a nossa recordação.
E para o dia terminar em beleza, o jantar de fondue em restaurante típico, ao mesmo tempo que nos era proporcionado um animado espectáculo de folclore tradicional.
O dia Oito – E a viagem estava a chegar ao fim em Zurich, que nos recebera no primeiro dia.
Oportunidade para conhecer melhor a cidade e confraternizar um pouco mais com o grupo que ao longo de uma semana se fez família, registando para a posteridade o retrato que nestas circunstâncias acontece sempre.
E sendo reduzido, mais fácil foi conhecer-nos uns aos outros e estabelecer contactos entre nós.
O João foi a nossa mascote, mas com a irrequietude dos seus quase 10 anos, deixa-nos  um lindo gesto que facilmente se percebe das últimas linhas da peça que nos transmitiu para ensaio, a ser cantada no final com a ajuda da sua avó, dedicado a uma competente guia e a um motorista responsável e seguro:
………………………………………………….
Vai ficar no meu coração
para sempre de recordação
Coro:
Oyé, oyé
Esta viagem chega ao fim,
Já nascem saudades dentro de mim
Vamos seguir novos caminhos e gozar outros destinos
Coro :
Oyé, oyé, Nortravel, Nortravel
Seremos sempre teus viajantes
Embora de forma superficial, fica o relato de uma viagem fantástica, com gente bem disposta e episódios divertidos, sem esquecer o inaudito caso das batatas que nos deixaram de olhos em bico.
Até uma próxima.

domingo, 7 de junho de 2015

O que partilhamos no facebook

Através do facebook tornamo-nos cidadãos do mundo.
Quase diria que passamos a ter a condição da ubiquidade, ou seja, a de estarmos presentes ao mesmo tempo, em todo o lado.
Através do facebook temos a possibilidade de partilhar alegrias, tristezas, estados de alma… tudo.
Imagens de onde estamos, para onde vamos, com quem vamos… tudo. E tudo quer dizer também as de maior intimidade ou recato.
Nossas e dos nossos, mesmo dos que não lhes é dada a possibilidade de uma palavra sobre se as querem ou não divulgar.
Através do facebook deixamos, sem pensar nisso, a localização da nossa casa e a do sítio em que no momento nos encontramos.
A informação que os bandidos precisam para fazer uma visita à casa, sabendo que ali não há ninguém.
Fazendo tudo isto, expomos ao perigo as nossas crianças e expomo-nos também a todos esses perigos.
Porque os predadores estão por todo o lado.
É bom ter uma “janela” de onde podemos gritar, debitar a “nossa sabedoria”, discursar, mesmo que os outros não queiram ouvir-nos ou, simplesmente, ouvir-nos a nós próprios.
Mas é verdade que o saber e o aprender também nos chega de forma simples, mas profunda.
Quando o queremos aproveitar.
O facebook é, pois, o expoente máximo da comunicação.
- Mas não sabendo auto regular-nos, quem regula a exuberância do nosso discurso ou modera a ânsia incontida de tudo dar a saber aos outros e nos alerta para as fragilidades da segurança quanto à informação contida nas nossas partilhas ?

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Chico da Ponte - meu pai

Chico da Ponte
Uma vida sem horizonte
Porque o campo lho tapava
Mas com afinco trabalhava
Essa terra madrasta e dura
Onde o pouco que se apura
Pouco mais dava que o comer
Para sete filhos que lhe coube ter
Mas que na sua grande humildade
Lhes mostrou que a honestidade
Era um valor que na vida
Importava tanto com’a comida
E que sabendo ler e contar
Os campos podia deixar
E doutra forma ganhar o pão
Sem criar calos na mão
Apesar da nobreza que encerra
O ter de trabalhar a terra
E rasgar novo horizonte
Que nos apontou Chico da Ponte
 

 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Sózinho em casa...

Sózinho, mas não em solidão.
Porque não há vazio para mim. Porque não há isolamento.
Apenas estou partilhando os carinhos, os beijinhos, as festinhas  e as delícias gastronómicas, que tinha para mim, com o filhote que tem dói-dói.
E isso ajuda-o a curar-se.
Funcionou: "óh mãe vou requisitar-te ao pai".
OK, mas temporariamente...
Por mim, cá estou sempre acompanhado por todos !
Nunca estou sózinho.
E por que é tal e qual assim, cito António Lobo Antunes:
"Por que é que havia de me sentir sózinho ? Raras vezes na minha vida, desde que me lembro de mim, tive um sentimento de solidão.
E não me sinto mal na minha companhia, divertimo-nos muito os dois,eu e eu.
Não me aborreço".

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

FÉ A 100%



Fé a 100% chega para mudar a história...
É o que se escreve nesta capa do jornal O Jogo.
E vou traze-la para aqui.
Porque a mensagem que encerra baseia-se na Fé. No acreditar.
É certo que a mensagem do jornal tem um âmbito absolutamente diferente do que é o meu, neste momento.
Mas o título há-de valer também para mim.
Que o acreditar, faz milagres.
Eu o digo.
Pela Fé e pelo Fé.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

David e Golias


Numa leitura que fiz sobre Julian Assange e o caso Wikileaks, ele é comparado a David e o Wikileaks comparado à funda que derrotou Golias.
David e Golias são personagens da história longínqua. Sabemo-lo.
Mas personificam, ainda hoje, a luta entre o pequeno e o gigante, a luta entre o fraco e o todo poderoso, mas onde a vitória do mais pequeno se alcança pela força da vontade e da fé.
Em termos emocionais, não será exagero comparar um cancro ao poderoso Golias, face ao pavor que ele incute nas suas vítimas e fazendo com que sejam tomadas pela fragilidade.
Ora, no pequeno escrito que aqui deixo, o David já tem a sua funda:
- A força que a família e os amigos estão a proporcionar-lhe.
Mas olhando o que significa o nome de David, aqui reproduzido na imagem de “Mimos Meus”, essa funda ainda será mais certeira e eficaz.
E ele vai utilizar essa funda de maneira vitoriosa.

domingo, 3 de agosto de 2014

Ser rico... é ter a família que eu tenho.

Assim escrevo em título nesta página e "Acerca de mim" neste blogue... onde acrescento: Felizmente que há muitos outros tão ricos como eu sou !
Mas hoje, confrontado com uma situação que não deixa alternativa quanto à luta que é preciso travar para vencer o inimigo - que o tem sido para tantas e tantas pessoas que o abateram - na forma de doença cancerígena, ainda tenho de adicionar um novo elemento para o título ficar completo: a que se junta outra grande riqueza, que é a amizade e o carinho de tantos e tantos amigos !
Desde 5 de Julho passado, dia em que esse inimigo nos surpreendeu sorrateiramente atacando o filho, que procuramos reequilibrar-nos das sucessivas pancadas que nos tem desferido e que quase nos têm prostrado.
Primeiro a notícia de um aparente acidente de bicicleta na Serra da estrela; depois a sua detecção numa zona da cabeça; logo a seguir a cirurgia de extracção desse inimigo, que nos trouxe a perspectiva animadora de que bastaria esperar pela recuperação desse acto cirúrgico, para que as coisas pudessem ficar por aí.
Mas novo golpe nos atinge:- a comunicação do resultado da sua análise, que afinal nos dizia estarmos perante um caso que não era benigno.
Não há palavras para descrever a angústia de vermos um elemento da família apanhado nas garras desse terrível inimigo.
Pior ainda, quando sentimos que a impotência e a nossa própria fragilidade quase nos retira o discernimento para encontrar as palavras adequadas para atenuar a sua fragilidade, ajudando-o em momento tão delicado.
Sei hoje avaliar o drama a que outras famílias já foram sujeitas, em idênticas circunstâncias.
Mas é num momento como este que a família desempenha um dos papéis mais importantes da sua existência, mantendo-se unida e agindo com amor para a recuperação das forças necessárias para ir à luta.
E essas forças estão reunidas, felizmente.
Mas outra ajuda extraordinária se juntou a essas: a dos amigos que, desde o primeiro momento, nos têm transmitido a força que eleva a moral e permite um estado de espírito propício para enfrentar e vencer provas com a dureza desta, e a que ninguém é capaz de furtar-se se ela quiser supreender cada um de nós ao longo da vida. 
E aqui se completa o título: Ser rico é ter a família que eu tenho. Felizmente que há muitos outros tão ricos como eu sou. A que se junta outra grande riqueza, que é a amizade e o carinho de tantos e tantos amigos.