quinta-feira, 2 de setembro de 2010

2010 - Paris e Benelux

Visitar os países do Benelux estava nas intenções de viagem para o ano de 2010, concretizando-se agora através do programa da Pinto Lopes Viagens, S.A., do Porto, que também incluia Paris.
Porque viajar é o que gosto de fazer, sempre que posso. E neste ano aconteceu de 21 a 29 de Agosto.
Foi uma viagem que obrigou a levantar bem cedo, partindo do Fundão às 02,00 horas da madrugada, para estarmos no Porto às 05,00 horas, a fim de tomarmos o avião com destino a Paris.

1º. dia - Paris

Chegados à cidade-luz, mas que nos dizem ter agora menos iluminados os seus símbolos, talvez devido à crise, foi-nos proporcionada uma volta panorâmica, que nos mostrou já alguns dos monumentos da capital francesa.

A hora do almoço chegou e cada qual procurou garantir a sua refeição, o que aconteceu connosco nas proximidades do Arco do Triunfo.
Veio depois a visita à Torre Eiffel, que já tinha feito por outras vezes, mas se repetiu agora por estar incluída no programa da viagem, embora o calor e a muita gente a tivessem tornado um pouco menos agradável.

Mas vale sempre a pena olhar Paris lá do alto.

Seguiu-se a instalação no hotel, que ficava a cinco minutos dali, percorrida a distância a pé.
Para a noite e após o jantar, que aconteceu na proximidade dos Campos Elísios, nova panorâmica da cidade, finda a qual regressámos ao hotel para recuperar do longo dia, por nós iniciado às 2,00 horas da manhã.

2º. dia - Paris

Para a maioria dos elementos do grupo, que se formou a partir do Porto, a Eurodisney era local para visitar, o que não aconteceu connosco por já termos visitado, noutra ocasião, aquele maravilhoso espaço de sonho e fantasia.

Tendo o dia por nossa conta decidimos visitar o Palácio de Versailles, os seus jardins e fontes, que já estavam definidos como objectivo. Tal como nós, outros dois casais fizeram o mesmo.

Houve então a oportunidade para admirar o que foi a grandiosa cidade real criada por Luís XIV, a partir da transformação do palácio de caça de Luís XIII, um templo do poder absoluto onde as regras da corte do maior de todos os monarcas do mundo eram ditadas por uma etiqueta altamente exigente.

Também os grandiosos jardins mereceram a nossa atenção, onde os jactos de água e a música se misturam, para nos deliciarem com um espectáculo magnífico. Vimos muito e muito mais ficou por ver, pois a grandiosidade daquele conjunto exige muito mais tempo do que as cinco horas que foi possível dedicar-lhe.

Após um breve descanso no hotel, encetámos uma caminhada pela margem do Sena até à Praça da Concórdia, cruzando o Sena na magnífica Ponte Alexandre III e indo até à grandiosa Igreja da Madalena. No regresso, de novo cruzámos o Sena, agora na Ponte da Concórdia, passámos pelos Inválidos, vindo a jantar numas das muitas esplanadas existentes ao longo do percurso e acabando por assistir da portaria do hotel ao "fanico" das luzes da Torre Eiffel, pelas 23,00 horas.

3º. dia - Paris

Para este dia estava programada a visita a Montmarte com o Sacré-Coeur e a Place du Tertre, onde se respira a atmosfera boémia de Paris do século XIX. A manhã de chuva não foi obstáculo para a sua concretização, ajudando a que os comerciantes chineses ou indianos da zona vendessem mais alguns guarda-chuvas, que não duravam mais que a primeira ou segunda aberturas.

Após subida a pé da colina e a inesquecível visita ao Sacré-Coeur, passeámos pela Place du Tertre que deixa em nós a emoção de sentir que estamos a pisar o espaço por onde se movimantaram figuras tão famosas como Delacroix, Renoir, Manet, Van Gogh, Amadeo Souza Cardoso e tantas outras. Existe até a ideia de que ninguém pode dizer que conhece Paris se nunca tiver subido até cimo de "la butte" (colina).

No regresso, a passagem pela zona do Pigalle, com os seus famosos lugares da vida nocturna parisiense, com destaque para o emblemático Moulin Rouge, seguindo-se o cruzeiro pelo Sena, que nos permitiu admirar muitos dos monumentos de Paris e contornar a Ile de la Cité, admirando de diversos angulos os monumentos ali existentes e a inigualável Catedral de Notre-Dame. Apesar da chuva, foi um passeio inesquecível.

Houve, então lugar ao almoço, que aconteceu perto do Centro Pompidou.

Ficando cada um por sua conta e porque nos encontrávamos relativamente perto de Notre- Dame, decidi e outros também o fizeram, visitar esta catedral. Irá perdurar na memória a imagem deste belo e grandioso monumento.

E, desafiados pelos companheiros António Carvalho e esposa, de Braga, decidimos encetar, a pé, o regresso para o hotel, junto da Torre Eiffel. Duas horas de caminhada à beira do Sena, com passagem pelo Museu do Louvre, que deixaram marcas nos nossos pés - borregas e inchaço. Mas tudo passou.

E o dia havia de terminar com a panorâmica nocturna, revendo com iluminação grande parte dos monumentos que haviam sido vistos à luz do dia.

4º. dia - Bruges - Bruxelas

Entrados na Bélgica, a primeira cidade a visitar foi Bruges, que designam também como a Veneza do Norte, devido aos seus muitos canais.

Construída pelos Condes de Flandres, adquiriu tal importância que eles próprios ali tiveram a sua residência. No decurso do século XIII tinha acesso directo ao mar e, pelas suas condições, elevou-se à categoria de porto mundial.

Foi pela Grande Praça desta linda cidade flamenga que iniciámos a visita, rodeada de preciosidades arquitectónicas que nos cativaram desde logo a atenção, mas outros monumentos nos despertaram também todo o interesse, como a Torre da Câmara Municipal e o gótico admirável da sua construção. Mas muitos outros ficaram gravados na nossa memória, pela beleza da sua traça.

A visita à Basílica do Santo Sangue, com dois pisos de estilo romano, constituiu um momento tocante, pois nos permitiu colocar as mãos sobre o relicário do Santo Sangue, que a tradição diz ter sido trazido de Jerusalém por Thierry de Alsacia e o cedeu a esta cidade.

Mas depois de termos provado umas cervejas, de entre as dezenas de marcas de cerveja belgas, tivémos de dizer adeus à cidade de Bruges, com o seu urbanismo de reminiscências medievais e em que os pormenores da arquitectura gótica são uma presença constante nas casas de ruas e ruelas que rodeiam os canais.

Em Bruxelas, após o alojamento e jantar, seguiu-se um circuito panorâmico no centro da cidade, com destaque para a Grande Praça, património da Humanidade, com os edifícios das corporações e Câmara Municipal, havendo então a oportunidade para vermos um espectáculo multimédia, com efeitos de grande colorido e música, projectado sobre este edifício.

No dia seguinte, nova panorâmica da cidade para conhecermos os Edifícios Comunitários, Palácio Real, Catedral de St.Michel e de novo a Praça dos Palácios, para depois conhecermos os símbolos da cidade – o pequeno Julião ou Manneken Pis - e o Atomium.

5º. e 6º. dia - Haia e Amesterdão

Rumando a Haia (Den Haag), aqui chegados, houve tempo para o almoço na praia de Scheveningen, com as surpreendentes esplanadas sobre a areia, onde não faltam sofás e aquecedores para criar um estranho ambiente de sala de estar, com o mar a rugir por perto.

Todos conhecemos a existência do Tribunal Internacional, diante do qual batemos umas fotos, mesmo que isso nos tivesse sido dificultado por umas ruidosas excursionistas orientais (chinesas, japonesas ?) que nunca mais acabavam de se compor para a fotografia.

Seguiu-se a visita ao Parlamento Holandês-Binnenhof, tendo eu registado até, em imagem, a saída do futuro primeiro-ministro, que passou junto a mim.

No seguimento fomos até Madurodam - a Holanda em miniatura (reduzida à escala de 1/25), onde estão reproduzidos os principais símbolos da Holanda, como monumentos, canais e até o seu desnível, auto-estradas, aeroportos, obras de arte. Todos os pormenores foram contemplados, dado que tudo se encontra em funcionamento, sejam comboios, barcos, automóveis, aviões, bandas de música, etc., etc.. Para final de dia, esta experiência não podia ser mais agradável.

Após uma noite, em que uma tromba de água se abateu sobre Amesterdão, deixando muitas ruas transformadas em verdadeiros mini-canais, foi feita a visita ao “Bloemenveiling Aalsmeer” - FloraHoland - uma cooperativa de cerca de 6.000 cultivadores de flores, onde ocorre todos os dias o maior leilão do mundo. As estatísticas dizem que durante 24 horas são comercializadas, entre flores e plantas, 48 milhões de unidades, com um volume de vendas de 16 milhões de euros.
É também chamada de “bolsa das flores” e os 40 relógios existentes nas 13 salas de leilões, são o seu coração.

Este é o circuito diário e o seu tempo:- 17,00 horas lugar de cultivo; 20,00 transporte e chegada; 22,30 câmaras de refrigeração; 04,00 inspectores; 06,00 informação nos relógios através dos quais se faz o leilão; 07,00 distribuição; 11,00 clientes do leilão; 16,00 chegada ao consumidor.
As flores ali comercializadas chegam de todo o mundo, muitas das vezes para regressarem aos países de origem, onde vão para as mãos do consumidor final.
Tem uma área equivalente a 125 campos de futebol, onde se regista toda a azáfama das operações ligadas ao leilão, com uma incrível movimentação de pequenos comboios carregados de flores, que depois são apanhados por um sistema de garras suspenso do tecto que, por esse meio, leva os carrinhos que formam o comboio, para um enormíssimo armazém do outro lado da estrada, onde as flores são metidas nos camiões que as hão-de levar para os destinos.
Incrível a velocidade a que tudo isto se processa, mas só assim é possível o negócio de uma mercadoria tão frágil como a flor.

A seguir ao almoço, ainda com alguma chuva, fez-se o mini-cruzeiro pelos canais de Amesterdão, ficando com tempo livre para o resto da tarde.

Chegámos então ao jantar, após o qual se fez a visita nocturna dos canais com as suas pontes iluminadas, terminando o dia com a visita ao “Bairro das luzes vermelhas”.

Um pormenor de indole pessoal, foi a visita ao bar de nome “Susies Saloon”, onde em 2002 havia deixado pregado no tecto um cachecol dizendo “Força Portugal”, que ainda lá permanecia, para minha grande satisfação. Mereceu a cerveja que ali bebemos.

7º. dia - Volendam – Colónia

Saímos de Amesterdão para Volendam, uma antiga aldeia piscatória que agora está transformada em grande atracção turística, por ter deixado de estar ligada ao mar do norte, mas pelo caminho foi feita a visita a um fabricante dos tradicionais socos holandeses, onde em poucos minutos vimos transformar um cavaco de madeira numa bonita tamanca.

E de Volendam rumámos a Colónia, onde foi o nosso alojamento.

8º. Colónia - Vale do Reno

Começámos o dia visitando a imponente Catedral de Colónia, o monumento gótico mais conhecido da Alemanha, que alberga os restos mortais dos Reis Magos e cuja construção demorou 632 anos a concluir.

Daqui partimos para a visita à cidade de Koblenz, assim como ao Deutsches Eck, a ponta de terra onde convergem os rios Mosela e Reno, e onde está implantada a grandiosa estátua do imperador Guilherme I.

A caminho de Boppard e St.Goar, cruzámo-nos com a grande corrida de patins em linha, que ali acontece todos os anos no dia 28 de Agosto, chegando ao almoço, após o que se realizou o cruzeiro pelo rio Reno, ao longo do qual foi possível admirar os famosos castelos e fortalezas existentes nas suas margens.

Já a caminho do Luxemburgo, a “paragem em Bacharach e visita da localidade, ainda com aspecto medieval”, que estava prevista no programa, não se concretizou, ao que presumo pelo atraso que se verificou no início do cruzeiro, ficando por visitar e recolher imagens como estas.

9º. dia – Luxemburgo

Visita do Luxemburgo, a cidade recortada por rios e muitas pontes, com uma paisagem de vales e muito verde, onde as fortificações e bairros antigos fazem parte do Património da Humanidade.

Aqui terminou o circuito, regressando então ao Porto e dali para nossas casas, mas pelo caminho o nosso grupo não deixou de matar saudades da gastronomia portuguesa, com o saboroso leitão da Bairrada.

Finalmente, uma palavra para o guia e para o motorista

Estivémos confiados ao Rui e entregues nas mãos do Sérgio. Merecem uma palavra de apreço, pela competência e profissionalismo de ambos, o primeiro pelo que nos deu a conhecer e tratamento que providenciou "sem stress e tudo sob controle", o segundo pela segurança demonstrada na condução do autocarro e pela tranquilidade que transmitiu ao grupo. Havemos de nos encontrar de novo, se Deus quiser.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Agora já é um livro

O objectivo foi alcançado. Já está disponível online mas também pode ser solicitado no formato tradicional.
O desafio que lancei a mim próprio foi vencido. Sinto-me realizado.











terça-feira, 13 de julho de 2010

Fundatur-um caso de amor ao Fundão

Um texto que hoje é divulgado no meu espaço "gosto-de-escrever" e que fez parte de um projecto de revista que haveria de contar a história deste caso. Não foi concluído, por razões que me ultrapassaram. Mas chegou o momento de dar a conhecer os nomes de todos aqueles que se empenharam em dar forma a um sonho, acreditando na máxima de que "o homem sonha e a obra nasce".

António Paulouro chamou-o de "um caso de amor ao Fundão". E tinha as suas razões.

Eis o texto: "um caso de amor ao Fundão".

terça-feira, 6 de julho de 2010

Viagem ...

Chegou-me às mãos, editado pela firma “Mebra”, que se dedica à comercialização de artigos sanitários, torneiras, acessórios de banho e canalização, acessórios de rega e outros, um pequeno desdobrável que despertou a minha curiosidade.
O seu título “Viagem…” foi apelativo da atenção que dedico a esse aspecto da vida e não resisto a publicá-lo aqui neste espaço, com a devida vénia.

“A Vida é como uma Viagem de Comboio. Cheia de embarques e desembarques, de pequenos acidentes de percurso… e algumas surpresas agradáveis.
Quando nascemos, ao embarcarmos neste comboio, encontramos duas pessoas que acreditamos acompanharem-nos nesta viagem até ao fim: os nossos pais.
Nem sempre é verdade. Infelizmente, eles podem desembarcar a meio da viagem, deixando-nos órfãos do seu Afecto, Protecção e Amor.
Mas… durante a viagem, embarcam outras pessoas interessantes que também irão ser especiais para nós: os nossos irmãos, amigos, amores…
Muitas pessoas apanham este comboio para passearem. Outras, fazem desta viagem um mar de tristezas. Há aquelas que andam de carruagem em carruagem, prontas para ajudar quem precisa.
Umas descem e deixam saudades eternas. Outras, quando desocupam os seus lugares, ninguém percebe. Alguns passageiros que são importantes para nós, não estão sentados na nossa carruagem.
Mas isso não impede que, mesmo com grande dificuldade, atravessemos o comboio para chegarmos até eles. O difícil é aceitarmos que não temos lugar ao seu lado porque alguém já o ocupou.
Façamos assim, esta viagem da melhor maneira possível.
Tendo uma boa relação com todos, procurando em cada um o seu melhor, lembrando sempre que em qualquer momento do trajecto, pode fraquejar e precisar do nosso apoio, tal como nós…
O Grande Mistério é não sabermos qual é a nossa estação !...
… E pensar se ao descermos do comboio sentiremos saudades !
Deixarmos os nossos filhos a viajar sozinhos…
Separar-nos dos amigos, do Amor da nossa vida…
Mas agarramo-nos à esperança de que, em qualquer momento, estaremos na estação principal e teremos a emoção de os ver chegar não só com a bagagem que tinham quando embarcaram, mas também com aquela que ajudámos a construir, tornando-a mais valiosa.
No momento em que o comboio reduz a velocidade a expectativa aumenta … !
Quem entrará ? Quem sairá ?...
Agradecemos a todos os que fazem parte da nossa “viagem” e que, mesmo não sendo no lugar do lado, com certeza será na mesma carruagem ! MEBRA”.

Interessante, muito interessante mesmo. Porque qualquer que seja a actividade de cada um de nós, qualquer que seja o tipo de interesse por que nos movemos ou qualquer que seja o ritmo com que nos movimentamos, jamais devemos perder de vista este aspecto da vida: todos estamos em VIAGEM ! E toda a VIAGEM tem um fim !

domingo, 4 de julho de 2010

UMA MÚSICA PARA O ALÉM

Ninguém pensa em morrer. Eu também não.

Mas no dia em que tal acontecer, e ninguém o pode evitar, para além dos amigos que queiram acompanhar-me ao local que designam por "última morada", eu quero ter lá a companhia da música, que Ludwig van Beethoven dizia ser "o idioma de Deus".

Não uma música qualquer, mas a que aqui se reproduz.

Quero-a por companhia para o além, na convicção de que ela ajudará o meu espírito a fazer um percurso que pode ser mais tortuoso ou menos tortuoso, consoante o momento em que me chegue a "carta de chamada", e que procurarei seja o de um momento em que me encontre totalmente de bem com a minha consciência.

Se assim acontecer, terei sabido justificar o desígnio supremo que a todos em geral e a cada um em particular é destinado para a efémera passagem por este torrão, a gravitar no infinito.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Gesto de gratidão

Quase todos, ao longo da vida, são chamados a fazer alguma coisa pelos outros. Porém, nem todos respondem de forma positiva a esse chamamento.
Por falta de vocação para causas de voluntariado, por indisponibilidade, ou por qualquer outra razão, muitos são os que nunca viveram as experiências do associativismo, do desempenho de cargos em instituições de solidariedade social ou noutras onde tudo se faz por amor à causa.
Numa linguagem muito própria dos que a praticam, muitos são os que nunca passaram pela experiência da entrega pela simples “carolice”.
Ainda assim, há exemplos que não passam em claro e no momento certo a sociedade não deixa de lhes prestar a homenagem que merecem e manifestar-lhes a gratidão de que são credores.

Um desses casos foi o de Luís da Silva Carvalho, que em 28 de Novembro de 2008 teve a festa que merecia, pela sua entrega a inúmeras causas de voluntariado, tanto de âmbito local, como regional ou mesmo nacional.
Fiz parte da comissão de amigos que tomaram a iniciativa de lhe prestar tal homenagem.
Fui então incumbido da elaboração de uma revista que pudesse mostrar, de forma resumida mas suficientemente abrangente, todas as facetas da sua vida, cuja riqueza se pode resumir a esta sua forma de a encarar – “quem não vive para servir, não serve para viver…”.
Sendo muito grande o desafio a que me sujeitavam, não podia recusá-lo. Tanto pela amizade, mas também porque fui um inseparável “compagnon de route” ao longo das nossas vidas, conhecia a sua vivência nos mais variados aspectos.
Dos profissionais aos lúdicos, dos cargos por ambos desempenhados nas mais variadas instituições aos de companheirismo nas viagens de amigos ou familiares, foram-se acumulando conhecimentos mútuos e cumplicidades que iriam permitir agora um trabalho que, sendo exigente, seria também muito gratificante para mim. Assim eu conseguisse dar-lhe forma e desenvolvimento. E julgo tê-lo conseguido plenamente.
A base desse trabalho iria assentar numa só palavra – gratidão.
Se os testemunhos das mais variadas individualidades, plasmados para a revista, ajudavam nesse aspecto, havia que deixar bem clara a ideia de que a sua conduta fora merecedora da maior gratidão por parte dos amigos, em particular, e da sociedade, em geral.

O texto de abertura, da autoria do amigo Cónego Mário, não podia ser mais claro:

"A Gratidão
agradecimento é a primeira exigência do amor, porque todo o coração necessita de receber amor por amor. Seria incorrecto pensar que o amor perfeito ignora o desejo da reciprocidade.
A indiferença à mão que socorre ou ajuda, a indiferença à bondade, ao sacrifício, ao dom sincero não pode deixar de magoar o coração de quem faz o bem, embora continue a amar.
O próprio Jesus Cristo o constatou, com dor, quando, dos dez leprosos que tinha curado, só um voltou para LHE agradecer (Luc.XVII, 11 a 19).
A gratidão é uma virtude tão nobre que tem o condão de, simultaneamente, fazer feliz o credor e o devedor !
Os latinos definiam a felicidade no jogo de duas formas verbais: amare et amari “amar e ser amado” !
Como é bonito quando o agradecimento funciona !"

Deixaram para mim o texto de encerramento. E se alguma coisa eu já fiz que me encheu de orgulho e felicidade, esta foi uma delas.

“Quem não vive para servir, não serve para viver…”
Fez deste pensamento, expresso pelo Cónego Mário em momento de comemorações do aniversário da Associação dos Bombeiros Voluntários do Fundão, uma máxima que lhe serve de guia.
Nas mais variadas circunstâncias é por si invocada, a confirmar a sua prática, que todos testemunhamos no dia-a-dia.
Dela têm beneficiado as mais variadas pessoas, entidades ou sociedade em geral, seja na ajuda à constituição de uma empresa, seja na organização da sua contabilidade, seja no desempenho dos mais variados cargos directivos de colectividades, seja na organização de marchas populares que enriquece com a criatividade das suas letras, seja na recuperação de associações em dificuldades financeiras, seja na procura de soluções para a crise directiva de um qualquer clube, seja na elaboração de um projecto para a ampliação de instalações ou sede nova, seja na organização de um peditório para qualquer obra, seja na sua entrega ao verdadeiro sacerdócio que é a causa “vida por vida”, seja …
… Seja no que for, Luís Carvalho sempre se mostrou disponível para ajudar, ou melhor, para servir os outros.
Desta prática, por vezes, alguém sai sacrificado. O que acontece com os que lhe estão mais próximos – a família.
Mas o nosso amigo Luís Carvalho é mesmo assim.
No fim do trabalho, basta um “petisco”, e já se sente retribuído.
Mas esse espírito de servir, esse acumular de gestos a favor dos outros, essa disponibilidade para com aqueles que precisam – pessoas, entidades ou a própria sociedade – é também a forma de conferir dimensão ao Homem que é LUÍS DA SILVA CARVALHO.
Que de si próprio diz:

Eu sou aquilo que sou
E não quero ser diferente
Porque sendo aquilo que sou
Sou o que não é muita gente

domingo, 20 de junho de 2010

Que saudades da minha porca !

Viajando no tempo

São tempos ainda não muito recuados. Mas da experiência que a passagem pela política me proporcionou, ficou-me o ensinamento de que as boas intenções e a participação desinteressada são, regra geral, tratadas como utopia. Não vingam.
Quando não são outros interesses pessoais a impedi-lo, são os interesses de grupo a opor-se-lhe. E para quem gosta de pensar pela sua cabeça, então a chance acabou-se.
Mas, ainda assim, houve um aspecto positivo - deixou-me vacinado ! Esse "vírus" não mais vai infectar-me !
E ao procurar no arquivo de imagens uma foto que serviu para ilustrar uma situação bem mais agradável e relacionada com as minhas origens, ela fez-me recordar aquela outra de Rafael Bordalo Pinheiro - a Grande Porca.
Só que na minha, os bacorinhos eram filhos legítimos da porca, esta sentia o dever de os sustentar e até o fazia com todo o carinho. Como animal não o sabia, mas na Bairrada seriam um petisco apreciado, mais gordinhos dariam enchidos, quando maiores dariam presuntos e, quanto ao mais, praticamente tudo se aproveitaria. Uma porca que me deixou saudades.
Na outra, a ninhada é muito maior. Mas muito maior ! E os bacorinhos são filhos de muitas mães. Em comum - todos querem engordar à custa dela e nunca se contentam em mamar sózinhos... roncam, roncam e todos os parentes vêm atrás !
Para sustentar a porca - o pobre do Zé !
E este, que é paciente mas não é burro, um dia não lhe dará na veneta e acaba com essa porcaria toda ???!!!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Cultura, mas de barriga cheia

Conviver com os amigos e cultivar a boa disposição, é sempre uma óptima receita para combater alguns males que nos afligem no dia-a-dia. Até os da gota, que tolhem os movimentos a alguns.
Com este espírito foi elaborado o programa para o grupo de 18 pessoas, que no passado fim-de-semana visitou a Quinta da Regaleira, em Sintra, o Palácio dos Leitões, em Negrais, e à noite foi jantar ao restaurante da Alexandra (o Marquês da Sé), para assistir a uma sessão de fados. Isto no primeiro dia.
Quinta da Regaleira
Para o segundo dia foi programada uma visita à Quinta dos Loridos (Budda Eden), no Bombarral, e de seguida uma caldeirada de peixe, em Peniche.
Houve cultura, mas de barriga cheia, pois de barriga vazia, a cultura não se assimila da mesma forma.
Logo de início foi dito por quem teve a responsabilidade da organização do programa que, sobre a parte gastronómica, como esta não era feita por si, apenas podia fazer votos para que fosse boa para todos. Já quanto à disposição, essa era da responsabilidade do grupo, e por isso tinha de ser mesmo muito boa.
Foi o que aconteceu, resultando num fim de semana de muito boa disposição, e animado o quanto bastou.
Marquês da Sé - fado na voz de Fábia (vídeo)
Até porque o Tonito Pirolito, com o seu acordeão, o bombo e os instrumentos do Álvaro, juntamente com as gargantas afinadas dos restantes elementos, tornaram a viagem num percurso de quilómetros e quilómetros de alegre convivência, que ficam para recordar.
Porque temos de ter em conta que o saber rir e sermos capazes de criar as oportunidades para o fazer, é o melhor remédio para combater a crise, de que tanto se fala.
Até uma próxima dose de cultura, mas sempre com a barriga aconchegada.

domingo, 30 de maio de 2010

Aljubarrota - relembrar como foi

Todos ouvimos falar da batalha de Aljubarrota. Desde a escola que aprendemos sobre a nossa história e nela está incluído esse relato, a traduzir o quão importante foi para que Portugal se afirmasse como um Reino independente.
Foi a 14 de Agosto de 1385 que, no planalto em que hoje se situa a aldeia de S.Jorge, concelho de Porto de Mós, distrito de Leiria, se confrontaram dois pretendentes ao trono de Portugal, D. João I de Castela e Leão, e D.João I, Mestre de Avis, que fora aclamado Rei de Portugal nas Cortes de Coimbra, quatro meses antes.
D. Nuno Álvares Pereira foi uma das peças importantes para o êxito de Portugal, ao implementar, com o seu pequeno grupo de cavaleiros e peões, um sistema táctico antes e durante o confronto, que tornou possível a vitória.
Sobre Aljubarrota se diz que foi das únicas batalhas em Portugal e mesmo na Europa, onde é possível reconstituir o posicionamento relativo dos exércitos.
Outros episódios, de cariz mais popular e de voz corrente, como é o caso da padeira de Aljubarrota, foram passando de boca em boca e chegaram até aos nossos dias, como forma de alimento para o nosso orgulho nacional. Porque não é em todos os dias que uma padeira arruma uns quantos espanhóis, que pretendiam esconder-se no seu forno !
Mas este dissertar sobre a história e, mais em concreto, sobre a batalha de Aljubarrota, vem a propósito de uma visita ao "Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota". Para além de outros elementos históricos que estão à nossa disposição, o espectáculo multimédia que nos é oferecido, justifica plenamente a visita.
Mas até a possibilidade de envergar o pesado capacete com a sua malha metálica, a espada e o escudo, são aliciantes a ter em conta.
Ouvira falar e procurei criar uma oportunidade para chegar até ele. E valeu a pena. Situa-se na N1 - Batalha/Lisboa, junto à povoação de S.Jorge. É fácil de encontrar e a internet pode dar uma ajuda, através do sítio http://www.fundacao-aljubarrota.pt/ .

sábado, 22 de maio de 2010

Uma família cinéfila

Em Março de 1963 eram levadas à cena no saudoso Cine Teatro Gardunha, no Fundão, várias peças de teatro ensaiadas pelo também saudoso Capitão Videira - a revista Serra da Gardunha, a opereta Lenda do Castelo e o Entre-acto Simão e Simões, sem companhia.
Olhando o velhinho programa que anunciava as exibições, é difícil acreditar que andava já pelos 18 anos, quando fui metido na pele do menino do arco vestido de marujo.

Mas é verdade, o menino do arco, sou eu. E a cena fazia parte da revista - a família cinéfila. Mas certo é que, o cinema sempre fez parte das minhas preferências. Até aos dias de hoje.

E a família cinéfila que ali exisitia para o teatro, acabou por ser transposta para a vida real, com a namorada de então (que não figura na cena mas também fazia parte do teatro), hoje minha mulher, a ser como eu uma apaixonada pela 7ª. arte.

E hoje, véspera de se cumprirem 39 anos de união, fomos ao cinema. O filme tinha por título "Um sonho possível". História baseada em factos verídicos. Encantadora. Apesar disso, na sala do cinema havia apenas duas pessoas - eu e minha mulher. Uma sala em exclusivo para a família cinéfila, que ainda continua.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Pelo teatro e pelos amigos

Adoro teatro, já o disse e escrevi muitas vezes. E tenho uma especial admiração pelas peças do Filipe la Féria, que tenho visto sucessivamente, seja em Lisboa ou no Porto, mesmo que isso implique uma viagem propositada. Aconteceu em vezes anteriores e aconteceu de novo com o musical "Annie", levado agora à cena e em exibição no Teatro Rivoli, do Porto.

Annie - O Musical de Filipe La Féria from AVGlobal, media network on Vimeo.

Tenho também da amizade a ideia de que é um bem tão precioso, que podia ser a solução de todos os problemas, entre os homens.
Pensando assim e tendo como meus hóspedes uns amigos que muito considero, vindos do Canadá, onde já me proporcionaram uma estadia fantástica e visitas a lugares inesquecíveis, como as Cataratas do Niagara, mas não só, fácil seria propor-lhes a ida ao teatro para ver esta peça. E com esse pretexto, um fim de semana fora de casa, onde a componente gastronómica não podia deixar de estar presente.
Só o tempo não ajudou, pois no sábado choveu quase todo o dia, inviabilizando uma visita à Fundação de Serralves. Mas foi possível visitar a Casa da Música.
Instalados no Porto, apercebemo-nos dos preparativos para a visita do Papa à capital do Norte.
Estando pelo teatro e porque já o conhecia de outras vezes, fomos jantar ao restaurante do Teatro Rivoli, com música ao vivo, antes de irmos para o espectáculo. Dessa forma foi saciado o corpo e o espírito.
Já com um dia de muito sol, no dia seguinte - domingo - fomos até à Nazaré, para uma saborosa cataplana.
E para remate deste agradável fim-de-semana, aconteceu a visita à Quinta dos Loridos, no Bombarral, para mostrar aos amigos o Buda Edden, que o comendador Joe Berado ali criou e está a desenvolver de forma muito interessante, criando um lugar de visita obrigatória para quem gosta de conhecer e admirar verdadeiras obras de arte, inseridas num espaço fantástico.
Já em casa, acompanhámos a consagração do Benfica como campeão e a loucura dos festejos que se seguiram, vistos localmente ou pela TV, ao longo do serão.
Tudo isto em mais um fim de semana para recordar.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

De volta a Barcelona

A quando da primeira visita a Barcelona, onde iniciei o cruzeiro "Brisas do Mediterrâneo 2002", o contacto com as obras de Gaudí limitou-se praticamente à Sagrada Família, a interminável obra do artista, que continua a desenvolver-se segundo as maquetes e orientações deixadas por si.
Se chegará a ter um fim, só Deus o sabe, já que Gaudí lhe dedicou a obra. E quando lhe foi perguntado: "Mestre, quando é que a catedral vai ficar pronta?", a resposta foi: "o meu Cliente não tem pressa, Ele tem todo o tempo do mundo".
O templo começou por chamar-se de "Catedral dos Pobres" e deveria ser financiado exclusivamente através de doações, mas a dada altura não havia dinheiro para continuar as obras. E o artista encontra a morte, atropelado por um eléctrico, precisamente quando andava em busca das tão necessárias doações. Tinha 72 anos.
Por tudo o que nos deixou, podemos dizer que foi um homem que sempre esteve à frente do seu e mesmo do nosso tempo.
A natureza parece ser a sua fonte inspiradora, mas basta visitar a Casa Batlló para que nos sintamos embasbacados com o resultado do seu trabalho. Um simples puxador de porta ou de janela, parecendo esquisito, apenas nos mostra que está moldado para se adaptar na perfeição aos dedos de quem o puxa. Mas isto é apenas um pormenor, porque para o resto faltam as palavras. As maravilhas não conseguem descrever-se. Só vistas ! No entanto, há muita gente que as acha bizarras.
A frente ondulada da Casa BatllóO tecto da sala concebido com a aparência do efeito sifãoAs curiosas chaminésO efeito da luz a dar amplitude ao espaço
A antecipação quanto ao efeito esperado da luz sobre as coisas e os espaços, é um aspecto que comprova que a fonte inspiradora só podia ser a natureza e que o prodígio da sua mente as converteu no que realmente são - obras de inigualável beleza. Tal como a natureza nos mostra as suas. Mas as de Gaudí são muitas e exercem sobre mim um fascínio extraordinário. Alguns exemplos agora vistos ou revistos: Sagrada Família, Casa Batlló, Casa Milà (La Pedrera), Park Güell, Casa Vicens, tal como já vira noutra altura a Catedral de Maiorca, que não sendo da autoria de Gaudí, a sua intervenção ao longo de uma década, foi importante na recuperação de uma parte da obra.
Por isso, este ansiado regresso a Barcelona. E se as obras de Gaudí foram a mola impulsionadora, a verdade é que Barcelona é uma cidade de encantos, que exerce sobre nós um chamamento a que é impossível resistir.
Casa Milà (La Pedrera)

Também aqui, outras curiosas chaminés

Sempre em transformação, em Barcelona tudo parece ser pensado em função do turismo e, talvez por isso, a atracção que exerce sobre os seus visitantes.
Estas linhas, tiradas de um guia turístico, são bem expressivas: "Poucos locais estão tão repletos de história e são tão audaciosamente modernos. Animada e alegre, é uma cidade que cintila tanto de noite como de dia".
E a tornar esta visita de todo inesquecível, ela fica também associada ao aniversário natalício.


Parc de la Ciutadella

Arco del Triomf
A controversa Torre Agbar

domingo, 14 de março de 2010

Gestos que nos marcam !

Já terei viajado no tempo ao longo de cerca de 10 anos, quando foi notícia o desaparecimento de um conterrâneo. Pessoa muito frágil, em termos de saúde, era sabida a dependência da medicação para a sua estabilidade física.
O desaparecimento foi divulgado, incluindo na TV, e decorrida mais de uma semana de ausência, a preocupação da família era agravada por saber o quanto era necessária para ele a medicação.
Foi então que, numa das minhas deslocações a Lisboa e ao subir a Avenida da Liberdade, junto aos Restauradores, vejo essa pessoa no outro passeio a deslocar-se em sentido contrário. Figura inconfundível para mim, movimentava-se muito lentamente, quase parecendo um sonâmbulo.
Não o perdendo de vista, dirijo-me a um agente da autoridade que estava junto à estação da CP do Rossio, a quem dou conhecimento do facto, e ambos nos dirigimos ao seu encontro.
Dado que tinha um compromisso sujeito a horário, pedi que tomasse conta dele e fosse comunicado à família o seu aparecimento, dando então todas as informações sobre quem era a família. Alertei também para a questão da medicação de que ele carecia.
O agente não me dispensa e pede-me que o acompanhe à esquadra, junto ao teatro D.Maria II, aqui começando uma "aventura" muito semelhante às que são contadas nos episódios de humor, sobre esquadras de polícia com aquelas características.
Sem entrar nos pormenores verdadeiramente anedóticos, ocorridos durante o interrogatório a que fomos sujeitos, eu e o meu conterrâneo (que quase não se mantinha em pé), só depois de longo tempo e já sem ter possibilidade de cumprir o meu compromisso, foi possível sair dali.
Apesar de me ter sido garantido pelo agente de que iam entrar em contacto com a família, achei por bem ir junto de uma estação dos CTT e comunicar directamente à mãe, que me atendeu na chamada telefónica, o aparecimento do filho e o local em que se encontrava. Pediu-me então que voltasse à esquadra e solicitasse que o retivessem até que um familiar ali se deslocasse para tomar conta dele. Assim aconteceu e só depois fui à minha vida.
Quase havia esquecido o episódio, quando recebo em minha casa, passado pouco tempo, a visita do pai desse meu conterrâneo.
Queria dar-me um abraço e agradecer o meu gesto. E fê-lo de tal forma, que jamais esqueci a emoção sentida naquele momento.
Não me tinha parecido relevante o facto de o ter encontrado, considerando que qualquer um faria o que eu fiz.
Mas para um pai, que vive a angústia do desaparecimento de um filho, o seu aparecimento não é encarado da mesma maneira. Só depois me dei conta disso.
No momento não houve palavras que, a terem existido, até acharia normais para agradecer o meu procedimento.
Só um abraço e um "obrigado" carregado de emoção.
Não mais esqueci esse abraço.
E também não mais esquecerei o gesto daquele pai.
Um gesto que me marcou para a vida.

sexta-feira, 5 de março de 2010

A família não se escolhe - os amigos sim !

Amigos que muito prezo, costumam usar a frase em título, quando valorizam a amizade daqueles por quem têm recíproca consideração. Pretendem assim dizer que só têm lugar os bons amigos. Os outros ficam ao largo.
Com a família não é o mesmo, cada um tem a que tem e não há nada a fazer. Excepto nas relações, que podem ser ou não ser.
Já no que diz respeito às origens, nem todos nascem em berço de ouro.
Mas face aos ditames da sociedade e à pressão que exerce sobre as pessoas, muitas são tentadas a mostrar o que não é, ou a esconder o que é.
E a ânsia de estar com as pseudo-classes superiores, tende a condicionar comportamentos de verdade ou genuinidade.
Na família estão as nossas origens, o ponto de partida para uma caminhada em direcção a um objectivo que se pretende de sucesso. Podemos chegar a ele, uns com ajudas à partida, outros nem por isso.
Alcançá-lo sem ajudas, só acarreta valor. E quando nos sentimos confortáveis com os objectivos alcançados, torna-se fácil esconder as origens, deixando subentender o que não é.
Por omissão, também se renega.
Abomino os que assim pensam.

Um regresso ao passado, através da memória, decorridas mais de seis décadas.
Voltar às origens, bem no meio do mundo rural, que me moldaram para a vida.
A homenagem aos pais, muito humildes, que deixaram aos sete filhos a maior de todas as riquezas - o exemplo.

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Teatro e gastronomia - fim de semana em cheio

Este fim de semana estava projectado desde que soube que esta peça de teatro iria estar no Teatro Rivoli, do Porto. Tinha deixado passar a oportunidade de a ver quando esteve em Lisboa, então representada por Ruy de Carvalho e Eunice Muñoz, e não queria que o mesmo acontecesse agora. Mas por questões de tempo e de agenda, a verdade é que só no limite consegui os lugares necessários, precisamente no penúltimo dia em que a peça era representada no Porto, aqui interpretada por Manuela Maria e Joaquim Rosa. Mas graças a Deus foi possível.
E, tal como aconteceu noutras "idas para fora cá dentro", à semelhança desta dedicadas ao teatro, a gastronomia não foi esquecida. Mas não só.
Primeiro aproveitámos para ir conhecer o oceanário "Sea Life", no Castelo do Queijo, cuja visita já por outra vez saíu gorada por estar bloqueado o trânsito na Avenida da Boavista, devido às corridas automóveis. Não sendo de grandes dimensões, foi interessante conhecê-lo.
Aqui fica um pequeno vídeo

Ainda deu para ver os preparativos da comemoração do centenário da implantação da República e o fogo de artifício da Avenida dos Aliados, ao final da tarde.
Já no regresso demos um salto até Aveiro para comer uma caldeirada de enguias.
Vira na TV um programa em que o chefe de cozinha do "Maré Cheia" preparava esta especialidade no seu restaurante e fui confirmar se o petisco era bom. E de facto é mesmo um bom petisco.
Depois do repasto ainda houve tempo para uma passeata por esta linda cidade e, finalmente, rumámos a casa com o espírito e o estômago bem saciados.
Por esta vez, porque outras hão-de acontecer, como esperamos.