terça-feira, 3 de julho de 2012

Memórias de um recruta... (1)

Quem viveu a experiência da ida à tropa, tem sempre umas histórias para contar.
E, normalmente, até sente prazer em contá-las aos outros.
Agora se os outros estão dispostos a ouvi-las, ou a lê-las, a história já é outra... !
Tudo depende da forma como se contam de viva voz ou se relatam por escrito.
Irei usar, como já fiz noutras circunstâncias, a auto-publicação para as converter em livro. Sem pretensões de natureza literária, porque tendo elas um cunho muito pessoal, só ao próprio interessa reviver as memórias, mesmo que passadas há quase meio século.
Para já, ficam a constar do blog, que irei actualizando e inserindo imagens. Para ver o efeito. Depois, serão adaptadas e desenvolvidas no livro. 
Apuramento para o serviço militar - momento marcante da nossa vida
Foi em tempo de guerra nas antigas colónias que me vi apurado para o serviço militar obrigatório. Estávamos a 29 de Junho de 1964.
E o veredicto a que estava sujeito cada um dos mancebos, face à inspecção militar, gerava sempre as mais contraditórias reacções.
Se num primeiro momento os apurados exibiam a sua superioridade perante os que não tinham aptidões físicas para também ser apurados, logo a seguir se recolhiam na angústia, pensando no tempo em que seriam furtados às famílias,  às namoradas, às profissões, aos estudos, aos amigos e aos locais onde a sua vida se desenrolava.
Apesar de apurado para todo o serviço militar, a verdade é que na ocasião eu não passava de um peso-pluma: 44 kg em pêlo.
E nem fui o mais levezinho que se exibiu perante os fulanos da tropa, naquele salão dos antigos Bombeiros Voluntários do Fundão.
Mas o dia da inspecção militar tinha, na altura, a sua rotina de acontecimento festivo, que nos aliviava das preocupações que haveriam de regressar ao espírito, noutros momentos posteriores.
Arruada com grupos de acordeonistas, almoços em grupo, visita às "capelas" da vila, entendidas estas como as muitas tascas que então existiam e, ao final da tarde, os bailes pomovidos pela "malta da inspecção".
Quando o grupo era numeroso, como foi o caso, num segundo dia tudo se repetiu na parte dessa rotina festiva.
Seguiu-se depois o tempo de espera até ser incorporado. O que aconteceu de 29 de Junho de 1964 até 16 de Maio de 1966. Muito tempo de espera, para mim.
Demasiado tempo, até dar entrada na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, para cumprir a recruta.
O Comandante da Escola
Nessa altura a Escola Prática de Cavalaria era comandada por Vasco C. Ataíde Cordeiro, que exerceu o seu mandato de 1965 a 1967.
A capicua
Logo que o Exército Português “tomou conta de mim”, atribuiu-me um número de matrícula.
Esse número é também designado de número mecanográfico e, no activo ou na reserva, por ele todos os militares passam a ser identificados.
O número de matrícula que o Exército Português me atribuiu foi o 5661665.
Tudo normal, não fora a curiosidade de esse meu número tanto poder ser lido da esquerda para a direita, como da direita para a esquerda.
A chamada capicua.
Curiosamente, era o segundo número com essas características que se associava a mim, pois a minha carta de condução era e é também uma capicua - 61816.
Ora, “… o vocábulo capicua, que na língua catalã (cap+i+cua) tem o significado aproximado de cabeça e cauda, passou a ser usada pelos naturais da região, sempre que deparavam com um número desses, considerado por eles como indicativo de boa sorte principalmente quando se referia a datas (sem pontos ou traços).”
Portanto, um tipo de número com um significado especial. Indicativo de boa sorte.
Verdade ou não, só quem acredita o pode dizer.
Para mim, foi um número que me trouxe a experiência da vida militar que, vista numa perspectiva disciplinadora e de cumprimento de regras, proporcionou ensinamentos sempre úteis para a vida.
Assim saibamos aproveitá-los.
O grupo do Fundão
O Fundão ficou bem representado, na sua entrada na Escola Prática de Cavalaria, porque além de mim próprio, assentaram praça, Carlos Freire e Fernando Agapito, juntando-se depois ao que passou a ser chamado grupo do Fundão, o Robalo, de Aranhas, mas com ligações familiares ao Fundão.
E o nosso grupo haveria de tornar-se bastante conhecido, desde logo porque o Carlos Freire se impôs pelas suas aptidões musicais e pela viola que nunca deixava de o acompanhar. De tal modo, que rapidamente passou a integrar um conjunto musical de Santarém.
Mas outros episódios aconteceram, que nos colocaram perante alguma evidência.
Todo o grupo foi beneficiando dos dotes musicais do Freire mas, no meu caso, até aproveitei bastante a sua integração no conjunto musical de que passou a fazer parte, porque o fui acompanhando frequentemente nas muitas animações de bailes e festas em que o seu conjunto participava, nem que fosse apenas para ajudar a transportar os instrumentos.
O Gato Félix
O grupo de fundanenses foi integrado no 2º. pelotão, comandado por um alferes de nome José Maria Félix de Morais, que nas suas costas identificávamos por "Gato Félix", sendo monitores no mesmo pelotão dois fundanenses nossos conhecidos, o Ramos da Quinta da Caneca e o Raposo do Fundão.
Ora, o Ramos e o Raposo estavam sempre a espicaçar-nos para darmos "o passo em frente", quando o pelotão era desafiado para exercícios mais arriscados.
Isso aconteceu muitas vezes e foi assim que, nos exercícios finais da recruta, fui eu e o Freire a fazermos o "slide" pendurados nas pernas do Domingues (então guarda-redes do Beira Mar e mais tarde treinador do Sporting da Covilhã), num exercício em que um camarada já tinha partido uma das pernas, nos treinos.
Connosco tudo correu bem, felizmente, mesmo quando em plena descida do cabo de aço, nos vemos de caras encostadas, a descer de lado, quando a intenção era descermos em bandeira, ou seja, eu pendurado com a mão direita, a abrir o braço esquerdo e o Freire pendurado com a mão esquerda, a abrir o braço direito. Valeu um empurrão que dei no ombro do Freire, que permitiu endireitar-nos e ficarmos de frente para a descida, podendo largar a roldana em corrida, ao sentirmos o chão debaixo dos pés.
Mas o tempo de recruta no destacamento da Escola Prática de Cavalaria foi pródigo em episódios dignos de registo.
A vida no destacamento
É verdade que a nossa entrada se verificou no edifício principal da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, mas foi no seu destacamento, também na cidade, que a recruta decorreu, durante aqueles 3 quentes meses ribatejanos, de 1966.
As instalações eram bastante antigas, sendo também bastante usados os equipamentos de natureza pessoal e de acomodação, que nos foram distribuídos.
O já referido oficial que nos comandou na recruta era oriundo da Academia militar, tinha ares de menina-amélia e, na perspectiva de quem chega a uma unidadade militar para receber a instrução que nos iria permitir enfrentar o desafio de uma guerra nas antigas colónias, pareciam-nos sempre exagerados os métodos por si aplicados, tendentes ao aperfeiçoamento das diversas práticas militares.
Mas as coisas até deveriam ser mesmo assim, por muito que nos aborrecesse o desfilar entre aquartelamento e áreas de treino no campo, ao ritmo de constante marcar-de-passo com garbo e "cagança", que pareciam ser apenas uma exigência desse nosso comandante de pelotão, o tal menina-amélia que chamávamos de "Gato Félix".
Os chamados "trabalhos de estrada", que mais não eram do que corridas com a pesada espingarda Mauser ao ombro durante longos quilómetros, também se repetiam de amiúde, fazendo desses exercícios esgotantes provas de esforço físico.
E foi no desenrolar de um desses trabalhos-de-estrada que aconteceu o episódio que havia de marcar a nossa permanência no destacamento da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém.
A vacinação em série
Num determinado dia da nossa recruta, recebemos ordem para nos apresentarmos no posto médico. Todos em tronco nu. Seria para receber a vacina, com uma injecção que já nos haviam dito "ser uma dose de cavalo".
Ali chegados, fomos dispostos em grupos não muito numerosos, sempre em fila ou "bicha de pirilau", como acontecia em quase todos os momentos da nossa passagem pelo serviço militar.
Quando chegaram os elementos da enfermaria, um deles começou por limpar a zona da omoplata com um algodão embebido em álcool.
Logo a seguir veio outro e espetou a agulha de uma seringa, que ali ficou cravada um longo tempo, ou pelo menos assim nos pareceu.
Com pelo menos um desmaio pelo meio, por parte de um antigo companheiro mais sensível a injecções ou já sugestionado pelo termo "dose de cavalo", chegaram finalmente os que introduziam o líquido através da seringa.
Finalmente, veio outro a recolher a agulha.
O processo foi algo doloroso e teve alguns efeitos febris nas horas que se seguiram.
Foi-se repetindo, então, o alinhamento dos grupos, até que se cumpriu todo o processo da vacinação em série.
Mas tudo passou, ficando registada mais esta experiência.
O problema das alturas
Num pelotão como aquele em que fomos integrados, havia alguma disparidade entre as nossas alturas, até pelo facto de quase toda a gente ser apurada para o serviço militar, porque a guerra colonial assim o "exigia".
O procedimento habitual nestas circunstâncias era, pois, alinhar por alturas.
Não sendo eu muito alto, havia ainda alguns mais baixos que eu, entre eles um alentejano de apelido Balhé.
Quando em formatura ou em desfile, o Balhé posicionava-se a meu lado ou à minha frente, o mesmo acontecendo quando havia manuseamento de espingarda.
Se era o momento de iniciar uma marcha, com manuseamento da arma, a mesma era projectada para o ombro direito e, com um batimento forte do pé direito, dava-se início à marcha.
Foi num destes exercícios, em que o Balhé se posicionava na minha frente, que a marcha se iniciou com a projecção da pesada espingarda Mauser para o seu ombro direito.
Só que em vez de encontrar o ombro, o ponto de mira do cano da espingarda do Balhé encontrou a minha cabeça, fazendo-me um profundo lanho na testa, que sangrava abundantemente.
Lá fui levado de urgência à enfermaria, para o necessário tratamento, que depois até serviu de pretexto para prolongar a "baixa", furtando-me a parte dos exercícios desse dia.
O tique do Paquito
O Paquito (não fiquei a saber porque era assim chamado), foi daquelas figuras que não passam despercebidas, estejam onde estiverem.
Primeiro, porque estava sempre com chalaças e brincadeiras.
Depois, porque tinha um tique que o fazia notado.
Era um repentino abanar de cabeça, com projecção do queixo para a frente.
E por mais que o quisesse controlar, não conseguia, porque dizia ser hereditário.
Isso veio a ser confirmado quando um dia deixou que fosse hipnotizado pelo nosso camarada que dominava essa técnica, para tentar curá-lo se o tique tivesse resultado de qualquer doença ou acidente, ocorrido ao longo da sua vida.
De facto, aquilo fazia parte da sua génese e nada havia a fazer.
Ora, aos militares é exigido que devem ficar imobilizados quando seja dada ordem de “sentido”… nem que passe um “c…crocodilo pela boca”.
Mas com o Paquito isso não era possível, o que levantou problemas com o instrutor, que no princípio não se cansava de lhe gritar:
- fica quieto… fica quieto… está em sentido !
Ele explicou e tornou a explicar, até que se convenceram que ele era mesmo assim.
Entretanto, o Paquito cortava a barba com uma navalha, tal como eu fazia na altura.
E o surpreendente é que o Paquito nunca se tinha cortado, apesar daqueles repentinos movimentos de queixo e de cabeça.
A lição de judo
Num dos dias de instrução, foram abordadas as técnicas do judo.
Houve exemplificação dos golpes e da forma como podemos contrariá-los, incluindo a forma de cair sem consequências, face às projecções que nos são aplicadas pelo adversário.
Recordo que um dos pormenores quanto à forma de nos defendermos no lançamento ao solo, que nos foi ensinado, é a palmada no chão a anteceder a queda do corpo.
A mesma tem o efeito de esbater ou anular a dor que seria sentida no corpo, transferindo-a para a palma da mão. Pelo menos eu entendi assim as coisas.
Nesse mesmo dia, tal como aconteceu em muitos outros, houve uma pausa a anteceder a formatura do jantar, que deu aso a que se falasse da instrução sobre o judo.
Na parada estavam outros pelotões e, com os que estavam mais próximos, naturalmente que havia uma maior familiaridade com os seus elementos.
Daí resultou que também se tivesse envolvido na conversa do judo, um dos elementos de apelido Carneiro, que me lembro ser de São Romão do Coronado.
Na brincadeira disse-lhe algo parecido com isto:
- Xô, daqui para fora, que a conversa ainda não chegou ao galinheiro…
Foi num ápice que me vi projectado de costado no chão, num golpe de judo feito por um praticante de longa data, atributo que eu desconhecia no Carneiro.
Defendi-me na perfeição com a técnica da palmada no solo, sem qualquer mazela no corpo, mas ficando com a palma da mão inchada, tal foi a violência do batimento.
Importa dizer que foi por mero acaso que eu fiz o batimento com a mão, porque tudo se passou com tal rapidez, que não houve tempo para pensar em técnicas.
Ainda para mais, apenas abordadas naquele dia.
O Mundial de 1966
Todos se recordam que em 1966 se realizou o Mundial de Futebol, em que esteve em evidência o nosso futebolista Eusébio, pela famosa recuperação do resultado de 0-3 para 5-3 contra a Coreia do Norte.
Ora acontecia que a única possibilidade que tínhamos para ver os jogos de futebol do Mundial, era sair do destacamento, onde só havia televisão no bar dos oficiais, e assistir aos mesmos nalgum café da cidade.
Em todo o tempo que decorreu a nossa recruta, muitos fins-de-semana foram passados em Santarém, pois não havia possibilidade para vir até ao Fundão, apesar do grande desejo de estar umas horitas junto da namorada e da família.
Assim, aconteceu muitas vezes que os petiscos surgiram na caserna durante esses fins de semana, convertendo-se uma lata de atum, uns tomates, um pão e uma "bota" de vinho, num apetecível e saboroso banquete.
A "bota" do vinho
No entanto, fazer chegar o vinho até à mesa, tornava-se por vezes num problema que era preciso ultrapassar, se o momento não era o da livre circulação para os recrutas, que apenas em determinadas horas tinham a possibilidade de sair a porta-de-armas, sujeitando-se a rigorosa revista de fardamento, asseio e apresentação pessoal.
Mas tudo ficava simplificado, quando estava de serviço o alferes Bicho, de Castelo Branco, com quem o grupo do Fundão e outros da Covilhã e Castelo Branco se juntavam no comboio, de regresso dos fins-de-semana, confraternizando à volta dos farnéis que sempre eram levados, juntamente com umas garrafas de vinho. E se ele apreciava o tintol !!!
Com ele em oficial-de-dia, lá íamos pedir para deixar um de nós sair pela porta do gabinete e ir à rua encher as "botas" do vinho.
Normalmente autorizava, mas impunha uma condição, recomendando:- vai lá encher a "bota" mas primeiro passa aqui para ver se o vinho é de boa qualidade.
Claro que essa "bota" era logo esguichada pelas goelas abaixo e só depois se voltava a encher as que necessitávamos para o petisco.
O peixe bêbado
Tal como todos os do grupo, o nosso camarada Robalo era dos que estava sempre pronto para o petisco. E também para deitar a baixo uns tintos.
De tal modo que, sendo de apelido Robalo e gostar do tinto, passámos a tratá-lo de "peixe bêbado".
E ele não se aborrecia com isso.
Aliás, era dos que pregava partidas aos outros, mas aceitava com desportivismo as partidas que lhe faziam.
Mais adiante será feita referência à última noite passada em Santarém, em que aconteceu a batalha dos cabeçalhos.
Nela, o Robalo teve uma intervenção bastante activa, sempre de pé sobre a sua cama, que era um beliche superior. Dali comandava as operações e ninguém lhe escapava.
O meu beliche era o de baixo, duas camas atrás.
Em dado momento o Robalo desguarneceu a defesa da sua cama e ausentou-se por uns momentos, aproveitando eu para despejar um cantil inteiro de água, para dentro dela.
Regressei à minha cama, fingindo ressonar, e esperei que ele se deitasse.
Quando a batalha amainou e ele vai meter-se na sua, dá um salto, praguejou, e vai com o seu cantil cheio de água à procura de alguém acordado, para se vingar.
Ao passar na minha cama, olhou e comentou:- este não foi, está a dormir...
Depois de pôr a caserna de novo em alvoroço, o Robalo lá se acalmou e desistiu da vingança. Sentou-se então na cama, onde não podia deitar-se porque estava encharcada e ia dizendo:- quiseste fazer partidas? Foste lixado ! Aguenta !
Mas o Robalo foi também um exemplo de preserverança nos seus estudos, vindo a formar-se em medicina e tornar-se médico muito depois de cumprido o serviço militar.
Uma semana azarada
Aconteceu então um dos trabalhos-de-estrada, num final de tarde à sexta-feira, em que descemos a Tapada das Padeiras e no regresso nos cruzámos com algumas moças, idas dos seus trabalhos.
Houve uns incontidos piropos por parte de alguns dos elementos do pelotão, sendo na chegada ao quartel questionados sobre quem havia dirigido tais piropos. Os autores não se manifestaram, apesar da insistência por parte do comandante e da ameaça de que todos seriam penalizados com o corte de fim-de-semana, até que o Robalo, que nada tinha a perder, visto que não tinha intenção de sair do quartel nesse fim-de-semana, disse ser ele o autor dos piropos.
O comandante não se deixou convencer, pois o Robalo ia perto de si, e a ameaça concretizou-se, cortando o fim-de-semana a todos, para além de uma semana sem autorização para sair do aquartelamento.
Essa situação veio a impedir que todos vissem os jogos do Mundial 1966 realizados nessa semana, entre os quais o Portugal-Brasil.
De entre os que não foram de fim-de-semana, havia alguns recrutas do Porto que, habitualmente alugavam um autocarro, devido ao número substancial de elementos daqueles lados do norte.
E esses, sim, sentiram muito a penalização que lhes foi imposta, até por haver gente casada e com filhos, que se viram impedidos de os ir ver, mesmo com o aluguer do autocarro já pago.
Se o sentimento em relação ao comandante "Gato Félix" já não era de grande simpatia, face à sua controversa personalidade, a partir deste acontecimento passou a existir uma grande aversão, que ao próprio não passou despercebida.
O ataque dos percevejos
As instalações do destacamento eram antigas, já deixei escrito, mas o que tornava as coisas menos agradáveis era o facto de nos darmos conta da existência de parasitas nas roupas da cama, tais como percevejos, que motivaram uma grande desinfecção, que veio a mostrar-se insuficiente, porque tais parasitas estavam metidos na palha dos colchões e o desinfectante ali não chegava.
Eu próprio passei pela experiência de me ver assaltado por essa bicharada, numa noite em que duma baínha descosida da cobertura da cama ao lado, iam saíndo exemplares que procuravam introduzir-se na minha.
Tal aconteceu num fim-de-semana em que o ocupante habitual da cama se ausentou e, talvez por isso, a fome os tivesse obrigado a fazer o assalto.
Com um isqueiro, fui fazendo estalar como castanha assada cada um deles e, quando o gás se acabou no isqueiro, peguei num tubo de cola-tudo e fui deixando colados à cobertura da minha cama todos os percevejos que foram saindo dessa baínha descosida.
Ao nascer do novo dia tinhado colados na cobertura da minha cama cerca de 30 bicharocos.
Chamei então o oficial-dia para lhe mostrar em que condições tínhamos ali o nosso alojamento, tendo então lugar essa grande desinfecção.
Os efeitos do hipnotismo
O tempo foi decorrendo e a festa de final da recruta aproximava-se, havendo um pormenor muito curioso que nunca esqueci:- o de um camarada de outro pelotão ser hipnotizador e ter participado na festa com algumas das suas habilidades, que por vezes também apresentava quando decorria a instrução em horas de serviço, no quartelamento.
Foi, assim, que uma vez "convenceu" um recruta a saltar o plinto,  que nunca tinha conseguido saltar, depois de o adormecer e sugestionado, convencendo-o de que era capaz. E foi.
Num outro dia em que estava esse camarada, eu e o Freire sentados à mesa de um café, a minha curiosidade sobre essa arte, levou-me a interpelá-lo sobre quem seria mais fácil de hipnotizar - se eu ou o Freire. A resposta foi pronta:- tu, por estares tão interessado no assunto, porque eu só consigo hipnotizar quem se deixa sugestionar pelas minhas palavras.
A nossa opinião passou a contar
É sabido que no serviço militar as ordens não se discutem - cumprem-se.
Assim nos ensinavam e assim era por nós cumprido, estivessem bem ou mal dadas as ordens.
Foi por isso com alguma surpresa que recebemos do nossos comandante, através dos monitores Ramos e Raposo, a sugestão para que fosse dada a opinião de cada um de nós sobre o comandante, fazendo-o por escrito, sem nos identificarmos.
Fui um dos que o fez, utilizando a máquina de escrever para tal.
De modo a ser recolhida a carta, sem que se percebesse a origem, eu próprio recolhi a de outros e no meio delas misturei a minha, entregando-as então a um terceiro para as fazer chegar ao comandante.
Aconteceu isto num final de tarde, quando estávamos prestes a iniciar uma instrução nocturna, colocando-me eu em posição estratégica perto dele, de modo a dar-me conta das suas reacções.
E assim aconteceu.
Se algumas cartas lhe proporcionaram sorrisos e abanares de cabeça, uma houve que ele leu, releu, introduziu no bolso, de novo retirou, de novo leu e de novo releu.
Identifiquei perfeitamente como sendo a minha.
Não foi insultuosa a carta que lhe dirigi, mas procurei fazer-lhe ver que a autoridade não se exerce como ele a exercia, valendo-se apenas dos galões.
Nós também éramos homens e devia aprender a lidar com homens, para ter o respeito dos homens.
Dizia-lhe também que a forma como lidara com o problema dos piropos no trabalho-de-estrada, tinha sido de uma grande injustiça.
Nos dias que se seguiram houve uma movimentação frenética por parte dos monitores, procurando descobrir o autor da carta.
Sem êxito, porque nem eu não os companheiros do Fundão o revelaram, se bem que se desconfiasse do nosso grupo.
De qualquer modo, a partir daí aconteceram mudanças radicais de comportamento, por parte do comandante do pelotão.
Passou a almoçar muitas vezes junto dos seus comandados, no refeitório dos recrutas, deixou de ser exigente na ordem unida, passou a confraternizar connosco frequentemente e passou a estar sempre disponível para nos ouvir.
O desenrasque
Uns mais, outros nem tanto, todos aceitavam com desportivismo as partidas que se faziam na caserna - recrutas que acordavam na casa-de-banho ao romper do dia, colchões completamente inundados por algum cantil que misteriosamente aparecia desarrolhado dentro da cama, cabeçalhos que apareciam amontoados no meio da parada, sinfonia  do roncar de algum, amplificada durante a noite num rádio-gravador... etc.etc.
A culminar a recruta e em véspera de abalada, aconteceu a batalha dos cabeçalhos, que deixava a caserna em verdadeiro estado de sítio e os equipamentos em muito mau estado de conservação, fazendo-se depois verdadeiros milagres na sua recuperação ou reposição, para que o espólio se pudesse fazer sem ter que pagar algum dele.
Mas se alguém se dava conta de que lhe faltava qualquer peça, apenas "se desviava" uma dum qualquer sítio onde existisse, chegando-se ao final com os inventários perfeitamente certos.
A tropa tinha essa regra de ouro - cada um tinha de se desenrascar.
O jantar de despedida
Com o aproximar do fim da recruta, surgiu o alvitre para que se realizasse um jantar de despedida, englobando também os monitores e o comandante do pelotão.
Foi dito na altura que a iniciativa tinha sido do próprio"Gato Félix", para arranjar pretexto a umas palavras de circunstância que justificassem as suas anteriores atitudes.
Verdade ou não, quem não deixou passar a oportunidade para se revelar como autor da tão falada carta, fui eu.
Houve alguma surpresa, mas ao mesmo tempo confirmou-se ali a desconfiança que havia em relação ao grupo do Fundão.
Afinal não tinha sido o grupo, mas um só elemento do grupo.
Não recordo se houve algum tipo de justificação, mas lembro-me perfeitamente desta frase:- gostava de trocar contigo umas impressões sobre o assunto, antes de nos despedirmos.
Respondi simplesmente:- estou à sua disposição.
Mas tal conversa nunca chegou a acontecer e lá parti para Vendas Novas, para frequentar o curso da especialidade.
Vim a constatar mais tarde, na chegada a Vendas Novas, que comigo levava um parceiro clandestino - nada menos que um percevejo.
Um cartão de visita da Escola Prática de Cavalaria, de Santarém, para a Escola Prática de Artilharia, de Vendas Novas.
Mas a forma como ele se apresentou, será aqui contada mais tarde, noutros capítulos.
Entretanto, aqui fica a letra de uma cantiguinha gentilmente cedida por J.A.V.Freire, irmão do saudoso Carlos Freire, com o título muito sugestivo de:
NÃO SEI SE ERA PULGA OU SE ERA PERCEVEJO… !
A pulga e o percevejo
Fizeram ´ma combinação
Cantar uma serenata
Debaixo do meu colchão
      Torce e retorce
       Procuro e não vejo
      Não sei se era pulga
      Ou se era percevejo
Uma noite eu sonhei
Que comia um bom queijo
De manhã quando acordei
Mastigava um percevejo
      Torce e retorce
      Procuro e não vejo
      Não sei se era pulga
      Ou se era percevejo
A pulga toma chá
O percevejo o seu café
O danado do piolho
Também toma o seu rapé
      Torce e retorce
      Procuro e não vejo
      Não sei se era pulga
      Ou se era percevejo

terça-feira, 19 de junho de 2012

Uma vez mais Barcelona - por Gaudí, mas não só !

O fascínio por Barcelona e pelas obras de Gaudí, foi de novo a grande motivação para este regresso à capital catalã, mas que também proporcionou visitas a lugares interessantes como Lloret de Mar, Blanes, Girona, Sant Feliu de Guíxols e um maravilhoso périplo pela Costa Brava, até Tossa de Mar. 
Mas este programa de 4 dias e 3 noites possibilitou desde logo a visita ao Parc Güell, que não tivera oportunidade de ver na anterior deslocação a Barcelona e, apesar de feito um pouco a correr, valeu a pena subir a encosta acima da cidade, onde se situa esta obra encomendada pelo industrial Eusebio Güell a Gaudí.
Também tiveram a nossa interessada visita, ainda que breve porque mais não era possível, as outras obras de Gaudí - Sagrada Família, Casa Batlló e La Pedrera.
Foram muitos os quilómetros percorridos de autocarro, mas o esforço foi compensado pelo regresso a esta cidade do meu encantamento, onde uma vez mais foi possível assistir ao espectáculo de água, luz, cor e música, que nos é proporcionado pela fonte luminosa de Montjuic, visitar de novo o bairro gótico, rever a catedral de Barcelona, passear pelas ramblas e comungar do bulício que tanto atrai as pessoas.
A visita que em Girona foi feita à catedral consagrada a Santa Maria e que possui a maior nave gótica do mundo, com um tamanho total de 22,98 m., permitiu  também a subida às muralhas e um agradável percurso pelas ruelas do Bairro Judeu, que é atracção turística desta cidade medieval. Na escadaria desta catedral foi tirada a foto de família, para mais tarde recordar.
E a boa disposição também nos é servida por episódios que, tantas vezes repetidos, se tornam praxe obrigatória na condução dos grupos visitantes - o beijo no rabo da leoa.
No regresso e de passagem, foi  interessante visitar Lérida (ou Lleida), onde o calor não foi impeditivo de subir ao castelo e admirar a catedral de Nossa Senhora da Assunção, de planta românica, erguida sobre uma antiga mesquita, com uma panorâmica majestosa sobre a cidade.
A excursão foi muito agradável, podendo dizer-se que a relação preço/qualidade esteve a um nível bastante elevado e que o grupo, sempre cumpridor dos horários estabelecidos, contribuiu de forma muito positiva para o êxito deste passeio.
Uma palavra final de apreço a Dulce Carvalhais, que orientou o grupo, ao guia Márcio Barbosa e aos motoristas do autocarro, Joaquim e José Luís.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Visita a Guimarães, capital europeia da cultura

Era uma das visitas que tinha imposto, a mim mesmo, fazer. Esperava apenas pela melhor oportunidade.
E ela surgiu agora, com a ida a uma consulta oftalmológica por parte da esposa, no Porto. Estando relativamente perto, tinha de rumar a Guimarães, revisitar uma cidade que já conhecia, mas não tão bem que não se justificasse esta visita um pouco mais prolongada, em tempo de eventos inseridos na sua condição de Capital Europeia da Cultura.
E valeu bem a pena, apesar das condições climatéricas não serem as melhores.
Mas não é também por acaso que Guimarães foi elevada a Património Cultural da Humanidade, por parte da UNESCO, em 2001. Guimarães é de facto uma verdadeira pérola arquitectónica.
E logo que entramos na cidade não pode passar despercebida a inscrição numa das muralhas "Aqui nasceu Portugal". Estamos, pois, no berço da nação.
Contudo e curiosamente, tinha uma certa pressa em localizar o estranho (para mim) alpendre gótico que é apresentado como referência de uma das praças de Guimarães. E lá me cheguei a ele, ficando a saber que é o Padrão do Salado, comemorativo da vitória na batalha do mesmo nome, em 1340, erguido durante o reinado de D. Afonso IV, e enriquecido pelo cruzeiro que Pero Esteves, um negociante vimarenense a residir em Lisboa, decidiu ofertar.
Está situado em frente da Igreja da Senhora da Oliveira, no bem preservado largo com o mesmo nome, um dos espaços do centro histórico que dá gosto visitar.
Mas as características medievais de outras praças, como a de Santiago, com as suas esplanadas, são um convite permanente para ficarmos por ali em alegre cavaqueira com as simpáticas pessoas que nos servem bebidas e petiscos nessas esplanadas.
E se o centro histórico de Guimarães é todo ele um encantamento, muitos outros monumentos nos fazem deambular de um lado para o outro na busca de os conhecermos.
Desde o castelo, passando pelo Paço dos Duques de Bragança, contemplando o Convento de Santa Clara, de fachada barroca, onde se encontra actualmente a Câmara Municipal, descer a Rua de Santa Maria, um dos testemunhos mais antigos e privilegiados da história vimarenense, já que foi uma das primeiras ruas da povoção, então ainda primitiva, cruzar as ruelas primorosamente tratadas e conservadas na sua traça original, passar e admirar a Igreja da Misericórdia, para chegar ao que é tido como o coração da cidade - o Largo do Toural.
Mas muitas outras preciosidades há para apreciar, tal como a Igreja de Nª.Sra. da Consolação e Santos Passos, a Igreja de S. Francisco, com um altar majestoso, o Museu Arqueológico Martins Sarmento, o Museu de Alberto Sampaio que ocupa o emblemático espaço onde se ergueu o mosteiro da Condessa Mumadona, ou fazer uma caminhada até ao palácio Vila Flor, onde também se encontra o Centro Cultural com o mesmo nome, rodeado por um belíssimo jardim.
Mas descendo a bem conservada Rua D. João I, não podemos deixar de andar de cabeça no ar, olhando os edifícios circundantes que mantiveram as suas características originais, acabando por chegar ao final da mesma, a observar novo padrão, este dedicado precisamente a D.João I.
Nem tudo o que Guimarães nos proporcionou ver, aqui se encontra referido, porque também muito mais há para ver e só uma nova visita permitirá conhecer melhor esta cidade maravilhosa.
Não posso deixar de dizer, a terminar, que foram dois dias fantásticos, estes, passados em Guimarães, Capital Europeia da Cultura.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

DIA DA MÃE

Porque é este chamado de dia da Mãe ?
Se em todos os dias da vida de cada um de nós a Mãe é sempre a mesma, será para lembrar os mais distraídos que ainda não mudaram de Mãe ?
Mas, sim, a Mãe não merece apenas um dia... merece todos os dias das nossas vidas.
E hoje "estarei" com a minha, dedicando-lhe esta poesia:

MÃE
a protecção
que se sente
sem dela ter a noção
desde que nos tornamos gente.
Mas se sempre estiver presente
será na vida orientação
cuja falta só se sente
porque no ombro a sua mão
já não poisa, está ausente.
Mas aqui, no coração
num amor que é constante
beijos sempre chegarão
porque aqui estás presente
e serás para todo o sempre
MÃE

... para ti Mãe.
06.05.2012

quarta-feira, 11 de abril de 2012

FUNDATUR - a história em livro

Foi apresentado pelos meus filhotes David e Vera, no Restaurante do Parque de Campismo da Fundatur, em 11.03.2012.
Um dia inesquecível para mim.
Se a participação dos filhos (que serão sempre os meus filhotes) tornou especial o acontecimento, a presença da família e de tantos amigos deu a nota de fraternidade e enriqueceu uma tarde vivida no lugar dos acontecimentos descritos no livro, de tal modo, que em muitos momentos a emoção se apoderou de mim e só muito dificilmente disfarcei algumas lágrimas que, obviamente, não eram de tristeza.
E se me senti, e sinto, grato pela presença de todos esses amigos, não posso deixar de mencionar aqui aquele que é uma referência para mim, o amigo da família João Garcia (alpinista), por quem tenho uma grande admiração, que me deu a honra da sua presença.
A razão de ser do livro explica-se por esta frase da resenha: "O parque de campismo da Fundatur marcou a vida de muitas pessoas. Uma delas foi a minha".
E as pessoas nem sempre são lembradas, como merecem.
O livro serve, pois, para lhes prestar a minha homenagem, deixando registado o seu nome, até porque grande parte delas já não pertence ao número dos vivos.
Depois, chegam-me as palavras de "agradecimento" pelo que deixei escrito a respeito de algumas das pessoas referidas no livro, quando na verdade sinto que devo ser eu a fazer esse "agradecimento", por ter sido entendida a mensagem que pretendi deixar através dele.
Valeu a pena e mais gratificante não podia ser para mim. Bem hajam por este momento tão especial.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Pelotão de Apoio Directo 1245

Quando publiquei este livro sobre a minha estadia em palco de guerra, Angola, com o relato das minhas vivências em comissão militar, estava longe de imaginar que o historiador e bibliógrafo francês René Pélissier, uma das grandes autoridades em guerras coloniais e com 5 volumes publicados sobre a guerra colonial portuguesa, viria pedir que lhe oferecesse o meu livro.
Mas grande foi a minha surpresa quando agora me envia a pág.195 da revista "Africana Studia" nº. 16, 2011, editada pelo Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto, em língua francesa, com uma resenha do livro. Também me diz que essa resenha será publicada nas suas outras edições com os nomes de "Africana", "Du Sahara à Timor", e "Angola. Guinées. Mozambique. Sahara. Timor".
Antes mesmo de lhe enviar o livro, já havia informado René Pélissier de que no mesmo não eram relatados episódios de guerra, mas apenas as vivências de um militar numa unidade sempre estacionada na cidade e com funções de apoio a viaturas e armamento.Mas para alguém que tem vindo a historiar as incidências das guerras coloniais em que alguns países estiveram envolvidos, tudo o que sobre elas se escreva tem o seu interesse, para ajuizar sobre os desfechos dessas guerras e das razões por que os mesmos aconteceram.
E a resenha é elucidativa, face aos aspectos focados:
Mais tradicional no tipo "literatura de antigos combatentes" que aqui decorre, PELOTÃO DE APOIO DIRECTO 1245, é feito por um antigo “sub-oficial”  numa unidade responsável pelo equipamento na Vila Salazar (agora N’Dalatando) entre Outubro 1967 e Dezembro de 1969.
Eles são soldados privilegiados: estacionados na cidade, nunca vão para zonas de guerra.
O texto é revelador de certas atitudes desviantes. Exemplo: um capelão super-armado é encarregado de acompanhar um prisioneiro angolano e de o entregar à PIDE.
Pondo de lado qualquer caridade cristã, ele quer que o motorista do caminhão solte o homem, simule um acidente, alegando tentativa de fuga do preso e o abata (p. 61).
Verdadeiro ou falso, o episódio lembra aquilo que eram "os busca-madeira" durante a guerra de Algérie.
Há também nesta unidade o seu comandante, tenente da esquerda pacifista e humanista.
É difícil, nestas condições, ganhar uma guerra, mesmo de fraca intensidade.
Estas são situações que, em diferentes graus, se encontram em todas as guerras onde os recrutas não se sentem directamente interessados e até mesmo em conflitos dominados por doutrinas baseadas na superioridade de uma raça sobre outra. ……….".

domingo, 25 de dezembro de 2011

Preservemos o espírito de Natal

É verdade que o momento que se vive é de muita incerteza.
- Já sentimos dúvidas no dia de ontem;
- Já sentimos dúvidas no dia de hoje;
- E muitas mais dúvidas sentimos pelo dia de amanhã.
Tudo porque a palavra crise se instalou na vida das pessoas.
Não de todas. Porque algumas arranjaram artimanhas para se escapar a ela.
Mas o Natal é o momento em que fazemos votos e mais votos para que tudo seja bom, para que haja muitas prendas, para que haja muita saúde, para que haja muita paz, para que haja muito amor…
Muito de tudo.
Como se não tivéssemos de dosear as coisas, ficando apenas pelo que é necessário.
Mas preservemos o espírito de Natal.
E não nos esqueçamos de, em todos os outros dias do ano, fazer votos nem que seja para desejar que o dia seguinte seja melhor, se não igual, ao dia que acabou de passar.
Para si e para todos os seus semelhantes.
Porque o espírito de Natal não pode ficar arrumado na prateleira até ao ano seguinte.
Ele é também o sinal da esperança.
Mas o ano de 2012 está já aí.
E os meus votos para 2012 são os de conseguirmos ser positivos, ao ponto de ter satisfação pelo que já possuimos e não vivermos na ânsia do que ambicionamos possuir.
Sem invalidar a ambição natural de uma vida melhor, porque há aqueles que nada têm... e deviam ter.
No mínimo, o necessário para uma vida digna.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

E o sonho tornou-se realidade !

Deixei aqui escrito, noutra mensagem anterior, que “os sonhos deixam de ser utopias, quando somos suficientemente loucos para nos lançarmos na corrida para os agarrar e na tentativa de os tornar realidade”.
Pois essa corrida foi feita até Bruxelas e consegui segurar e tornar realidade o sonho de assistir ao concerto que ali foi dado por André Rieu, no Forest National.
Era o dia 11-11-11, dia de S.Martinho, patrono do Fundão, também feriado em Bruxelas, devido à comemoração do armistício de 1918.
Mas se não fosse o gosto pela música, que Ludwig van Beethoven dizia ser "o idioma de Deus", com certeza não estaria agora a escrever que eu e minha mulher tivemos o privilégio de estar entre as cerca de 8.000 pessoas que assistiram a esse memorável concerto de André Rieu e sua fabulosa orquestra.
Mas convém contar que a ida a Bruxelas se fez sem que tivesse na mão os bilhetes que garantiam a entrada no espectáculo.
Porque aconteceu isto:- a compra das entradas  foi feita através da internet a uma agência internacional, que depois soube que era norueguesa.
Pelo pagamento garantido por cartão de crédito, foi-me comunicado que os bilhetes estariam em minha casa até 10 dias antes. Pouco tempo depois, foi-me enviada mensagem a solicitar um endereço em Bruxelas, porque os bilhetes só seriam entregues 48 horas antes do espectáculo. Informei disso o hotel e comuniquei esse endereço à agência.
Quando julgava estar já tudo assegurado, recebo nova mensagem a dizer que os bilhetes só seriam entregues uma hora antes do espectáculo, por um agente que iria contactar-me telefònicamente no local.
Apesar de tudo isto, fui sem qualquer ansiedade e confiante de que tudo iria correr bem. Como aconteceu.
Com o espectáculo programado para as 20h00, às 17h30 estava junto ao pavilhão, onde já se encontrava uma enorme multidão, aguardando eu pelo telefonema de um desconhecido que iria falar-me em espanhol, como eu exigira, face à impossibilidade de ser em português e à dificuldade que poderia surgir na comunicação em qualquer outra linguagem.
Eram cerca de 18h00 e sou contactado por alguém a perguntar-me se era o "sr. Alvarez" e como poderia encontrar-se comigo. Indico-lhe a paragem do autocarro que ali havia em frente e algumas indicações sobre como estava vestido.
Decorridos mais 15 minutos sou então abordado por um sujeito que me fez a mesma pergunta, entregando-me depois os bilhetes, após lhe mostrar um documento oficial de identificação.
Terminava assim, em beleza,  a saga dos bilhetes para o espectáculo.
Sobre o concerto, que começou às 20h00 em ponto, só encontro adjectivos como estes: maravilhoso, fantástico, fabuloso…
O sonho cumpriu-se, mas… se a oportunidade surgisse, voltaria a deslocar-me para ver André Rieu.
O fim-de-semana prosseguiu em Bruxelas, com um tempo maravilhoso num lugar tão apetecível como é o da capital belga, mas naquele momento até nem valorizei devidamente esse aspecto ao conseguir alcançar um dos grandes objectivos da minha vida.
A terminar, deixo esta mensagem: definam objectivos na vida e nunca desistam de os alcançar.

sábado, 29 de outubro de 2011

A minha homenagem ao Bom Amigo Padre Mário


Quando morre um homem, morremos todos, pois somos parte da humanidade".

Ao usar esta frase, referida no romance de Ernest Heminguay  “Por quem os sinos dobram”, e trazê-la a este contexto, de modo algum pretendo ligá-la ao contexto que é criado pela história narrada no romance.
Só a refiro porque também agora morreu um HOMEM.
Cuja presença nos enriquecia;
Cujas palavras nos davam saber;
Cuja amizade nos fazia sentir amados;
Cuja vida nos dava vida.
O Bom Amigo Padre Mário deixou-nos.
Foi … Além… e por lá vai ficar.
Mas vai continuar sempre connosco, porque o temos no coração.
E do coração lhe rendo a minha homenagem.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Quando somos suficientemente loucos...

"A pessoa que não tiver capacidade para sonhar, jamais terá capacidade para realizar". É uma frase do meu amigo Luís Carvalho, que me assenta como uma luva e por isso a adoptei para mim.
Aprendi também que os sonhos deixam de ser utopias, quando somos suficientemente loucos para nos lançarmos na corrida para os agarrar e na tentativa de os tornar realidade. Mesmo quando se tem 67 anos.
Vem isto a propósito do sonho de assistir ao vivo a um concerto de André Rieu, o maestro e violinista que leva a música clássica como qualquer intérprete da música ligeira a leva pelo mundo fora, em camiões carregados com tudo o que se torna necessário para a realização desses grandiosos espectáculos.
Através de vídeos que a internet profusamente divulga, tenho acompanhado a actividade desse grande divulgador da música clássica, em moldes que as pessoas acabam por deixar-se envolver no ambiente maravilhoso dos seus espectáculos, que enchem estádios, praças, arenas e pavilhões de grandes lotações.
Pois o sonho está prestes a tornar-se realidade, com a ida a Bruxelas para assistir ao concerto que André Rieu ali vai realizar no Vorst Nationaal, dia 11/11/2011.
Vôos de avião, bilhetes e hotel estão assegurados, faltando apenas chegar o dia, que tão ansiosamente aguardo, para concretizar esse meu sonho.
Assim Deus me o permita.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

2011 - ITALIA CLÁSSICA

O programa que o operador Pinto Lopes Viagens colocou à nossa disposição sobre Itália, foi o adequado aos objectivos pessoais definidos para este ano. Ainda mais porque também se realizou em Setembro.
Permitiu rever Roma, Pisa e Veneza, mas também conhecer Assis, Siena, Florença e Pádua.
Aguardados pela guia Patrícia no aeroporto de Roma e integrados no grupo, seguiu-se a panorâmica da cidade para nos pôr em contacto com a capital do Império Romano e toda a sua monumentalidade. E por mais vezes que se visite, nunca esta cidade se esgota na oferta de motivos de interesse para o turista, face à sua grande riqueza arquitectónica e todo o seu património cultural e artístico.
O dia seguinte iria permitir-nos fazer de novo a visita ao museu do Vaticano, capela Sistina e Basílica de S. Pedro, não só pelos tesouros e obras de arte ali existentes, como pelo simbolismo daquele lugar para quantos acreditam no cristianismo.
Com a tarde livre, cada qual procurou cumprir os seus objectivos pessoais de visitas, acontecendo connosco ficarmos pela praça do monumento a Vitorio Emanuele II, que os romanos conhecem como "La Tarta". 
Dali partindo para a Via dos Foros Imperiais, até ao Coliseu, e depois pelo centro histórico confinante com a famosa Via del Corso, foi-nos possível entrar na Igreja de Santa Catarina de Siena, na Basílica de Santo Inácio de Loyola, para além do Panteão e Fonte de Trevi, que também estava previsto ser  visitada à noite. Assim foi possível vê-la de dia e de noite.
Mas também a praça Navona iria ser visitada por todo o grupo, apreciando o trabalho ou adquirindo as obras que os inúmeros artistas ali executam e expõem.
O terceiro dia foi iniciado com a saída para Assis, para ficarmos com uma ideia sobre esta cidade medieval, dando-nos também a possibilidade de visitar a Basílica onde se encontra o túmulo de S. Francisco, cuja construção foi iniciada em 1228.
Também aqui foi o almoço, após o qual rumámos para a cidade toscana de Siena.
Nesta cidade medieval começámos por visitar a Basílica de San Domenico, onde se encontra a cabeça de Santa Catarina, a padroeira da cidade, da Itália e da Europa.
Interessante foi conhecer o significado das "Contrade", os bairros que se envolvem nas famosas corridas do Palio, simbolizado num ambicionado estandarte de seda executado para o efeito, que têm lugar na Praça do Campo, uma das maiores praças medievais da Europa, onde milhares de pessoas se apinham no centro, assistindo à tresloucada corrida de cavalos que se desenrola à sua volta, podendo ser vencedor um cavalo sem cavaleiro, se este ficar pelo caminho.
Mas a famosa Catedral de Siena foi também outro motivo de interesse para a nossa visita.
Em Florença, onde havíamos chegado na véspera, iniciamos a visita à cidade sendo conduzidos pela guia local à Igreja de Santa Cruz, com o túmulo de Miguel Ângelo, entre outros.
Passando perto da Ponte Vechio e depois pela Piazza de Signoria, dirigimo-nos à Piazza del Duomo para conhecer a Catedral Santa Maria dei Fiore e o Baptistério, com a famosa Porta do Paraíso. Finda a visita à Catedral seguir-se-ia a tarde livre para então se alargar o conhecimento sobre esta cidade, onde a presença da arte a torna numa das mais famosas do mundo.
Mas em termos pessoais o dia acabou pelas 12,00 horas nesta praça, com um inoportuno desfalecimento que me levou à urgência de um hospital local, onde permaneci toda a tarde, seguindo-se o regresso forçado ao hotel.
Logo pela manhã do dia seguinte rumamos a Pisa, com a sua emblemática torre inclinada devido à inconsistência do terreno em que foi construída, mas que a tornou numa das mais famosas atracções turísticas de Itália.
Mas o Campo del Miracoli não nos oferece apenas como motivo de interesse a inclinada Torre, porque a Catedral e o Baptistério são outras das razões que nos trazem a este famoso lugar da região da Toscana.
Ainda neste dia tivemos a oportunidade de visitar Pádua, onde a grande atracção é a Basílica de “Il Santo”, como é referido Santo António nascido em Lisboa, mas cujos restos mortais ali se encontram depositados.
A igreja começou a ser construída a partir de 1232 e apresenta características que a tornam algo invulgar, com minaretes e cúpulas bizantinas, havendo opiniões que o justificam pelo facto de as ordens mendicantes, dedicadas à pregação e à pobreza, por vezes se instalarem em edifícios existentes que depois restauravam e adaptavam às suas necessidades.
Ainda nessa noite ficámos instalados nas proximidades de Veneza, para que no dia seguinte fossemos levados de vaporeto para o seu centro histórico, começando pela famosa Praça de S. Marcos.
E foi o Palácio dos Doges, sede do governo e Palácio da Justiça, que recebeu a nossa primeira visita, permitindo-nos passar pela Ponte dos Suspiros para o edifício do outro lado do canal, onde se encontram as celas que recebiam os condenados.
De seguida foi feita a proveitosa visita guiada à Basílica de S. Marcos, seguindo-se tempo livre que permitiu visitar outros pontos de interesse, como Ponte de Rialto e o Museu Correr, para além das buliçosas artérias de Veneza, com uma vida e um encanto inigualáveis.
Se, tal como foi dito no início, o programa se adequou perfeitamente aos nossos objectivos pessoais, também ele foi valorizado pela guia Patrícia, que sempre esteve à altura das circunstâncias, mas no meu caso particular com uma postura digna do maior apreço.
E para que o grupo seja recordado, aqui fica a "foto de família", também obtida em Veneza.

sábado, 4 de junho de 2011

2011 - AÇORES - S.Miguel

Desta vez visitei S.Miguel, nos Açores, depois de ter conhecido o Faial e a Terceira, em 2007.
E ter conhecido S.Miguel depois das outras ilhas, leva-me a uma avaliação em crescendo, no que toca à surpreendente beleza dos Açores.
O nosso restrito grupo, composto por mim, irmão Joaquim e respectivas Manuela´s, toma contacto com esta linda ilha em Ponta Delgada, ao final da tarde, acolhido pelo guia da Turangra, promotora do programa turístico.
Instalados no hotel Vip Executive, na zona da Fajã de Baixo, seríamos integrados em grupo mais alargado, no dia seguinte.
E a iniciar a estadia em S.Miguel, uma visita à plantação de ananases, do outro lado da grande rotunda, em frente ao hotel, que permitiu conhecer alguns pormenores, como por exemplo, que são necessários 18 meses para este fruto se formar por completo.
Depois desta visita encaminhamo-nos para a vista panorâmica mais aguardada sobre a lagoa das Sete Cidades, onde o azul e o verde se apresentam no mesmo plano da lagoa, mas que se explica pelas diferentes profundidades do lençol de água.
A paragem em diversos miradouros, como Pico do Carvão, Vista do Rei e Escalvado, a permitir a visão de panoramas surpreendentes, e a passagem pela Bretanha (imigrantes franceses estarão na origem do nome), onde o restaurante “Cavalo Branco” nos serviu o almoço.
Ainda foi possível conhecer Rabo de Peixe, Ribeira Grande, de entre muitos outros lugares interessantes e, no regresso ao hotel, passar pela Caldeira Velha, um local com vegetação que mais parece a de um parque jurássico. Aqui se filmaram cenas da telenovela “A Ilha dos Amores”.
Antes de terminar a volta deste dia, a subida e passagem pela Lagoa do Fogo.
Após o jantar, no hotel, fizemos com os nossos companheiros uma caminhada até à zona das docas, que nos permitiu ficar com uma ideia daquele agradável espaço da cidade de Ponta Delgada.
O dia seguinte permitiu-nos conhecer a curiosa peça o “Arcano Místico”, da autoria da Madre Margarida Isabel do Apocalipse, que o terá iniciado por alturas do ano 1800 no Convento do Santo Nome de Jesus, que contém cerca de 100 quadros, na sua maioria representando temas bíblicos, mas também não bíblicos.
Todas as figurinhas foram moldadas à mão e são formadas pelos mais variados materiais, tais como farinha de arroz, gelatina animal, goma arábica e vidro moído.
Depois de uma pequena paragem no miradouro de Santa Iria, foi feita uma visita à fábrica do chá Gorreana, um autêntico museu em pleno funcionamento, uma vez que quase todas as máquinas continuam sendo as mesmas que iniciaram a laboração em 1883.
Também nos foi possível admirar a sua plantação e fazer uma prova das várias qualidades do chá.
Seguiu-se uma passagem pelo Pico do Ferro, o soberbo miradouro sobranceiro às Furnas, após o que descemos ao centro da cratera, onde nos foi servido o “famoso cozido das furnas”, feito sobre o vapor impregnado de enxofre que brota das inúmeras caldeiras que fervilham naquele espaço.
No dizer do guia, desta forma o vulcão vai descomprimindo, evitando que a “panela de pressão” rebente.
Após o almoço uma visita ao Parque Terra Nostra e a passagem pela Caldeira das Furnas, terra que parece assente sobre inúmeras caldeiras de grandes dimensões, com água fervilhando a altas temperaturas.
Um panorama com tanto de belo, como de assustador.
Para a noite estava destinado o jantar com o espectáculo de folclore típico dos Açores e banda musical, que nos permitiu dar um pezinho de dança.
E a ida ao Nordeste, que aconteceu no dia seguinte, proporcionou-nos uma agradável surpresa, dando-nos a conhecer uma região de panoramas majestosos e duma riqueza natural fantástica.
Paragens em miradouros exemplarmente construídos e tratados, até que chegou a hora do almoço na vila de Povoação.
Para terminar esta visita a S.Miguel, a viagem no comboio turístico que nos mostrou os pontos de maior interesse da cidade de Ponta Delgada.
Uma referência final à excelente qualidade do programa deste circuito e ao guia Gualter Bettencourt, que esteve à altura das circunstâncias, com a sua simpatia e apurado sentido de humor.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Vida

Gosto de poesia, mas até nem tem sido das leituras que mais ocupam os tempos que a elas dedico.
Curiosamente, o meu despertar dos dois dias deste fim de semana teve o seu sabor poético.
Com alguma insónia pela madrugada, dou comigo a "cosinhar" uma poesia.
Fui-a mantendo em memória e agora resolvo partilhá-la aqui com todos os que visitam este espaço.
É a Vida.

Óh Vida
devida
no fim da corrida
E logo à partida
é certa a chegada
com hora marcada
do fim da corrida
Óh Vida
emprestada
Se a hora é chegada
da sua partida
Será devolvida
para ser fundida
Óh força da Vida
com a força do Nada

sábado, 20 de novembro de 2010

Viagem marcada

Tudo o que se refere a viagens, me prende a atenção. Mesmo quando se trata de viagens para o Além.
E esta situação refere-se precisamente a uma dessas viagens.
Por atropelamento, faleceu há dias o Padre Cartaxo, que foi secretário do Bispo da Guarda.
Foi-me contado que, na altura do seu funeral, convidaram o amigo Cónego Mário Gonçalves, para fazer o seu elogio fúnebre.
Quem conhece o Cónego Mário Gonçalves, sabe da sua inigualável capacidade para adequar frases de sabedoria a cada momento. Mesmo naqueles de maior tristeza.
Ali, socorreu-se de uma quadra que tinha visto na entrada de casa do falecido, para fazer o seu elogio fúnebre.
Não sei o que foi dito, para além da quadra.
Mas sei que o seu conteúdo, aparentemente contraditório, ao dizer: …levo só aquilo que dei, faz todo o sentido, à luz da ideia de que ao longo da vida temos de amealhar todos os créditos que resultam do que se dá, em obras ou gestos.
Não resisto a deixá-la aqui:

Tenho uma viagem marcada
Para quando, eu não sei
Comigo não levo nada
Levo só aquilo que dei

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Viajar... o sonho que o tempo tornou realidade !

E vão três... livros ! Editados no âmbito da auto-publicação, em que o texto, a revisão ortográfica, as imagens, a composição, a montagem e a criação da capa, são da inteira responsabilidade dos autores.
Depois de "Pelotão de Apoio Directo 1245-no teatro da gerra colonial em Angola" e "Chão de Alverca-refúgio da memória", agora este.
Com o título "Viajar... o sonho que o tempo tornou realidade", encontra-se já online através das editoras Bubok e Bookess, para leitura por Ebook ou download em PDF, para além de poder ser adquirido no formato normal, em papel.
Tal como o título diz, trata-se da concretização de um sonho que vem de há muito, com o relato das viagens já realizadas, ao longo de 234 páginas.
Mas tudo o que se faz com gosto contribui para a nossa realização e felicidade. E isso acontece com mais esta publicação.
As ligações para as editoras são as seguintes:

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Lembrar o João Felizol

O João Felizol foi companheiro na administração da Fundatur, durante muitos anos.
Como em todas as circunstâncias da vida, as opiniões de duas cabeças nem sempre são coincidentes, o que aconteceu entre nós dois, em alguns momentos do nosso último mandato.
Mas, no essencial, foram muitos anos em que estivemos sempre unidos na entrega à causa do parque de campismo, no desenvolvimento da sua actividade e na criação das melhores condições para o seu funcionamento. Nós e toda a equipa da administração.
Dessa forma foi possível divulgar o nome da Fundatur, tanto a nível nacional como internacional.
Poderia referir muitos e variados momentos dessa entrega ao nosso parque, mas quero lembrar aqui, apenas, a viagem de ambos a Amesterdão, levando material publicitário a uma feira de turismo, que se realiza todos os anos naquela cidade.
Foi em 2006 e nessa altura deixámos no tecto de um bar na capital holandesa, um cachecol que dizia “Força Portugal”.
Pude comprovar no mês de Agosto deste ano, que o cachecol ainda lá estava.
O que quero dizer, no entanto, é que o João deu um grande contributo ao parque de campismo, essencialmente por falar fluentemente o inglês e, dessa forma, ajudar muito nos contactos com os estrangeiros.
Mas o João Felizol já nos deixou. E, direi, muito precocemente. Vê-lo partir, foi para mim uma grande surpresa.
Recordá-lo aqui, é prestar-lhe a homenagem que, muito justamente, merece.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Torneio de gamão 1970

Viajando no tempo

Através destas imagens que fui buscar aos arquivos, é possível fazer esta viagem, recuando no tempo e reconstituir um momento vivido no já distante ano de 1970.
Clientes habituais do Café Aliança, sempre que ali se encontravam, era certo e sabido que havia uma partida de gamão.
De tal modo entregues à prática deste desporto-passatempo, que foi decidido realizar um torneio para apurar o melhor de entre os melhores – que eram todos - afinal !
Mas o torneio tinha de ter, e teve, outros condimentos.
Desde logo uma grande almoçarada, com rega a condizer, proporcionada pelos diversos abastecedores privados de vinho.
Para esbater a feijoada, que julgo ter sido o almoço, e preparar as forças para a lancharada, houve um torneio de malha durante a tarde, dessa forma se fazendo o exercício físico necessário para acelerar a digestão.
Não me lembro do vencedor do torneio de gamão, nem do vencedor do torneio de malha, mas todos saíram vencedores do convívio que se realizou, que hoje aqui recordo, através desta viagem no tempo.
E se recordar é viver, aqui se revivem esses momentos de convívio de um grupo de amigos, onde já faltam alguns, que entretanto nos deixaram. Mas os outros cá estão para recordar.