domingo, 16 de fevereiro de 2014

Apresentação do livro "Rua da Cale... de passagem !"

A notícia do Jornal do Fundão de 13-02-2014:
A apresentação decorreu no Auditório da Santa Casa da Misericórdia do Fundão, em 15-02-2014, pelas 16:00 horas:
E o David estava lá para tornar especial aquele momento.

E não podia deixar de trazer para aqui, com a devida vénia:

NOTÍCIAS DO BLOQUEIO
Um blogue de Fernando Paulouro Neves
domingo, 16 de Fevereiro de 2014

O ELOGIO DA PEQUENA HISTÓRIA

Fui ontem ao auditório da Santa Casa da Misericórdia participar na apresentação de um livro sobre o Fundão, Rua da Cale... de passagem, de Álvaro Roxo Vaz. E o que fui lá fazer foi elogiar aquilo que se convencionou chamar de "pequena história", que só pode ser feita por quem ama a terra que é a sua casa comum. A Rua Cale é uma rua mítica do Fundão, povoada de imaginário, e eu próprio já um dia publiquei essa viagem mas procurando captar a sua dimensão fantástica, um meio passo entre memória e ficção, que muitas das figuras que a habitaram tinham essa vocação de nos fazer sonhar.
O Áivaro Roxo Vaz empreendeu uma digressão de outro tipo. Ao longo do ano, palmilhou a Rua da Cale e outras artérias afluentes, e, na conversa com o Fernando Carrolo, outro fundanense de raiz, procedeu a uma identificação topográfica, de grande rigor, sobre o que poderíamos chamar a alma daquela rua e de outras, trazendo ao nosso convívio o nome das pessoas que ali viveram ou animaram o intenso comércio. A sua diversidade humana era o seu traço identificador e talvez ela caracterize, sobretudo, a raiz popular e democrática do Fundão, que nasceu dos nossos avoengos camponeses e se dilatou com a capacidade das pessoas dos ofícios, verdadeiras corporações de fazedores que a engrandeceram no plano económico. Talvez nenhuma outra respire esse universo de diversidades e de saberes, que teve a sua glória no tempo em que o Fundão era uma vila.
Este livro chama o nome às coisas e é, por isso, um contributo para a memória local. Lembro-me sempre do que um dia disse Jorge Luís Borges sobre a cidade que amava, BuenosAires, a grande Buenos Aires. Confessou ele que o que mais gostava na sua cidade era caminhar pelas velhas ruas, olhar as antiquíssimas casas e a densidade humana dos seus pátios interiores.
O Fundão, à sua escala, também tem esses encantos particulares, pequenos detalhes que ajudam a definir este nosso microcosmos. O Álvaro Roxo Vaz fez bem em convocar o antigamente da realidade urbana da Rua da Cale e de muitas outras ruas revitalizando a sua memória, que é colectiva e é nossa.
  1. Sinto-me muito gratificado pelo resultado de um trabalho que, sendo feito com o coração, julgava que não fosse assim tão conseguido. Ter-me honrado com a sua presença na apresentação do livro e presentear-me com esta apreciação escrita, ainda mais me gratifica.
    Um grande BEM-HAJA ao amigo de sempre Fernando Paulouro.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Fazer um filho, plantar uma árvore, escrever um livro... não chega... !

É verdade que se diz que "fazer um filho, plantar uma árvore, escrever um livro" é a forma de uma pessoa alcançar a sua realização pessoal.
Mas não é verdade. De todo.
Até porque sobram interrogações.
- Fazer um filho é fácil... mas criá-lo ?
- Plantar uma árvore é fácil... mas quem a rega quando necessário ?
- Escrever um livro é fácil... mas quem se interessa pela sua leitura ?
Por isso eu digo em título que a concretização destes três pressupostos não chega.
Mas aqui acrescento que a nossa realização pessoal também pode passar por aí.
No meu caso, com os dois filhos que tenho, eu sinto-me plenamente realizado.
Pelo contributo que dei ao ambiente, plantando ou ajudando a plantar árvores, enquanto nascido e a viver no Chão de Alverca, junto à ribeira com o mesmo nome, também me sinto realizado.
Quanto ao terceiro pressuposto, também tenho razões de sobra para me sentir realizado.
Não por ter escrito um livro, até porque já cheguei ao nono, todos escritos e editados pelo método da auto-publicação, mas sim pela aceitação e pelo sinal positivo das reacções aos episódios neles relatados, por parte das pessoas que os leram.
O primeiro foi um dos comentários deixados sobre este livro, que relata as minhas experiências na quinta em que nasci e vivi até à idade de 17 anos.
Comentário feito por um leitor a viver no Brasil.
Já sobre o livro que publiquei a seguir, fui surpreendido por um episódio de todo inimaginável, quando decidi relatar a minha estadia em Angola, face à mobilização para a guerra colonial. 


Foi quando recebi de um cidadão francês, de nome René Pélissier, o pedido para lhe enviar um exemplar deste livro e se estava interessado em que dele fizesse uma resenha para ser publicada na revista "Africana Studia", editada pelo Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto, e na revista francesa "Tiers Monde" (Paris).
Hesitei em o fazer, mas acabei por responder afirmativamente e enviei-lhe o exemplar que me pedia.
A seguir procurei saber quem era esta pessoa, descobrindo então uma sua entrevista no "Expresso", que me revelava estar perante "um dos maiores historiadores estrangeiros da moderna colonização portuguesa. Estudou a conquista militar de Angola, Moçambique, Guiné e Timor. A viver perto de Paris, tem uma biblioteca de 12 mil volumes e gostaria de escrever uma bibliografia crítica de tudo quanto foi publicado".
Pensei para comigo que, por meu intermédio, ficou a ter 12.001 livros na sua biblioteca e que o assunto morria aí.
Mas não, porque já no ano seguinte, recebo a página 195 da revista "Africana Studia" com a referida resenha, que também me surpreendeu, face ao aspecto que nela tratou.
Mas este livro e o que escrevi mais tarde, sobre as recordações da vida militar enquanto recruta e a seguir no curso de sargentos milicianos, também havia de envolver um episódio curioso. 


Foi quando recebi um telefonema de uma senhora, tratando-me por "meu querido combatente", "meu caro doutor", "como está vossa excelência?" e ... não sei que mais, que me levou a confundi-la com uma amiga sempre muito bem disposta e brincalhona. Isto em 2013.
Ripostei também de forma humorada e brincalhona sobre a forma como estava a dirigir-se a mim, até que me apercebo das suas hesitações e pergunto:- afinal com quem estou a falar ?
Sou então informado de que era a bibliotecária da Liga dos Combatentes, que vinha solicitar-me a oferta destes dois livros para a biblioteca da Liga, por os considerar muito interessantes.
Enviei então os livros, mas este gesto acabou por ser também muito gratificante para mim, ao receber uma simpática carta de agradecimento do General Joaquim Chito Rodrigues, Presidente da Direcção Central da Liga.
E são episódios como este que me fazem sentir realizado, bem mais do que o facto de ter escrito este ou aquele livro.
Mas há ainda um outro aspecto que acho relevante quanto ao que deixo escrito em livro, que é a sua natureza informativa para os eventuais leitores.
Isto refere-se aos livros onde deixo relatadas as viagens que tenho feito, sendo depois contactado por pessoas que me solicitam ajuda para a sua escolha desta ou daquela excursão opcional, das muitas que são oferecidas em cruzeiros ou circuitos que eu já fiz e que essas pessoas também querem fazer.


Ser útil acaba por ser também um contributo para a realização pessoal, através do que fica registado no livro.
Não foram aqui referidos todos os livros, um dos quais está já há cerca de três meses disponível na editora, mas que vai ser apresentado por estes dias no Fundão.
Mas ainda no que à realização pessoal diz respeito, é sentir que vale a pena ter como passatempo a publicação de livros por este método da auto-publicação, que deriva também do facto de ser capaz de manusear as ferramentas informáticais e digitais que permitem a "fabricação total" de um livro pelas nossas próprias mãos, após o que fica disponível na editora para ser adquirido no formato tradicional em papel.
E para finalizar, dizer que este "vale a pena" tem muito a ver com o reconhecimento que esta mensagem me deu a conhecer, sobre o que tenho vindo a deixar escrito.
Vem lá de longe, mas deixa-me gratificado sobremaneira.
E dispensa quaisquer outras palavras.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Quando me casei... ainda era assim !

Recordar como eram os “outros tempos” por aqueles que os viveram, é sempre um acto de rejuvenescimento das ideias, na medida em que se activa o mecanismo da memória, fazendo-a adaptar-se a outras circunstâncias passadas, em que se usufruía de uma juventude que hoje já não existe.
Muito do que então acontecia poderia ser aceitável ou ainda hoje fazer algum sentido(?) para os que viveram tais circunstâncias, mas perfeitamente inadequado para as novas gerações, se tais práticas fossem reinventadas.
Admitindo que ainda haja locais onde algo de parecido possa acontecer, lembrei-me de um pequeno exemplo, que também me tocou, quando aconteceu a minha boda de casamento.
Para além dos inevitáveis convites, feitos pessoalmente ou por escrito, com uma antecedência considerável, havia a prática de obsequiar nos dias anteriores com bolos e outras doçarias, algumas pessoas a quem se atribuía mais consideração ou por quem se sentiam na obrigação de o fazer.
Era o caso de padrinhos, de casamento e de baptismo, para além de patrões, familiares e até alguns vizinhos.
Tenho bem presente que nesses dias acompanhei a ainda minha noiva com uns tabuleiros carregados de doçaria, fazendo um périplo pela casa dos padrinhos.
E sei que foi ao longo da semana, porquanto na véspera já nos encontrávamos em Fátima, onde no dia seguinte foi a cerimónia religiosa e a boda.
A cerimónia religiosa teve lugar na capela do Hotel Pax.
Já o local da boda, foi na então "Estalagem Três Pastorinhos", que ainda hoje existe como hotel, mas muito diferente de então.
Se na altura era um edifício sem construções à sua volta, hoje tem outras dimensões e faz parte do amontoado urbano em que se converteu Fátima.
Apesar dos quase 43 anos passados, tenho bem presentes todos os momentos vividos nesse dia e nos que vieram a seguir.
Mas há pequenas recordações que ainda conservo, como a conta em que me ficou o processo matrimonial no registo civil e na igreja. Era sempre a desembolsar.
Mas também a ementa ficou como recordação.

E olho a imagem, que não podia faltar, daquele momento tão especial, dizendo... como o tempo passa depressa !
 
                                


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

FUNDÃO - onde já houve bandas (3)

Afinal havia outra... ! Quando julgava que... de bandas estávamos falados, eis que sou lembrado que uma outra banda existiu no Fundão. E eu até me recordava dela !
A banda do Abrigo de S. José.
E bastou ir à minha estante consultar o livro "A rapaziada" da autoria do actual director do Abrigo de S. José, César Fatela, e lá estava tudo o que era preciso saber sobre a banda, com imagens e texto de notícias. Constituída pelos jovens que naquela instituição de acolhimento tinham e têm o seu lar, existiu na década de 50 e durou alguns anos, cuja conta não sei precisar. A sua existência antecedeu a criação da banda da A.D.F.- Associação Desportiva do Fundão, também ali sendo noticiado que os instrumentos já vinham da antiga banda União Fundanense, sendo mais tarde cedidos à A.D.F.
Pelo que soube, foi orientada pelo Mestre Cabral, de Louriçal do Campo, Manuel Santos Leitão e António Alves Leitão, do Fundão.
E foi na barbearia, o local onde todas as notícias ainda continuam a ser muito "badaladas", que o Zé Luís "Comanchero", um homem muito dedicado ao folclore e à música, que o assunto foi lembrado e permitiu a recolha destes elementos.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

FUNDÃO - onde já houve bandas (2)

Pela segunda vez, estou a referir-me ao assunto, pois a recolha de elementos que na primeira vez havia conseguido não foi suficiente para dar maior amplitude ao tratamento que esta matéria merecia. E fui reunindo dados, que hoje permitem ampliar um pouco mais a história sobre as bandas que existiram no Fundão.
Mas foi o carnaval de 1997 que permitiu a "ressureição" da banda (clicar) que não existia no Fundão. Gostei de estar no papel do "rege-dor" que dela fez a "inauguração". Mas passou o carnaval e a banda transformou-se de novo no fumo que a trouxe. Mesmo sendo desconchavada, permitiu puxar à memória outras bandas que existiram no passado.
E de modo muito sério a elas me refiro aqui de novo.
Compulsando o livro "Fundão-História cronológica",  da autoria de J. Mendes Rosa e editado pela Câmara Municipal do Fundão em 2005, encontramos este texto referido a 1898:
"O Fundão tem uma vida económica e cultural viventíssima: possui comércio de todos os sectores, dois hotéis (Hotel Commercio e Hotel da Joaquina), três farmácias, agências bancárias, seguradoras e companhias de viação; uma tipografia, os dois jornais referidos e duas filarmónicas".
Os jornais a que o texto se referia eram: Jornal do Fundão, A Beira, o Escalpello, o Fundão-Breve Notícia.
Do que não ficam dúvidas é que, no contexto em que é citada, a existência de duas filarmónicas é um dado histórico a que se atribui uma grande importância.
O percurso e o tempo de vida destas bandas filarmónicas não consegui reconstitui-los, porém, no livro "Etnografia do Fundão" da autoria do Dr. José Monteiro, publicado em 1999, refere-se nas suas págs.159, 160 e 161 à existência da "banda do José Augusto".
E avançando no que está escrito, encontramos: "As notas que passamos a transcrever são de 1941: A música de José Augusto foi criada em 1870. A esse tempo, havia no concelho duas músicas - a de Alpedrinha e a do Souto da Casa, esta regida pelo José Augusto, que ao tempo vinha dar lições de música a meninas do Fundão como a filha do Mário (?) (Casa da Piedade Pelejão(?) da Piedade do Adro), a do Tomaz França (casa do Adro), etc.. Quando formou a música do Fundão, ainda estava no Souto da Casa. Depois teve lá umas questões quaisquer e veio para o Fundão, onde residiu e teve ensaio na casa do lado de cima do fotógrafo Rosel, na rua da Cale - casa que era de um sujeito da Covilhã...".
Ora, se em 1898 existiam duas bandas filarmónicas no Fundão, creio poder concluir pela possibilidade de a banda do José Augusto ser uma delas, dado o facto de a mesma ter sido criada em 1870.
Transcrevo ainda o início do texto sobre a banda do José Augusto, pela curiosidade de que se reveste: "Tornou José Augusto famosa a sua banda na região, não só pela qualidade das suas execuções, mas pela peripécia da prisão sofrida por todos os respectivos componentes, incluindo o mestre, dado o facto de terem saído a tocar um hino republicano, da autoria de José Augusto, em pleno regime monárquico".
Mas já em pleno século XX constata-se a existência da "banda velha", no Fundão, que é lembrada por uma foto publicada na revista nº.1, de Dezembro 2001, editada pelo Grupo Folclórico Etnográfico Amigos do Fundão, que atribui àquela foto a data de 1934.
Em contraponto à banda designada de banda velha, também na mesma revista se insere uma foto assinalando a existência da "banda nova" que me dizem ter sido a "Banda União Fundanense" ou Banda do Járinho, nome pelo qual era conhecido Januário Novo, seu maestro, situando-se essa existência pela década de 40.
Pelo que era dito por meu sogro, Augusto César Cruz Gonçalves, contrabaixo nesta banda, havia uma grande rivalidade entre a banda velha e a banda nova, chegando a verificar-se "roubos" de elementos entre as duas bandas.
Em que datas estas bandas deixaram de existir não consegui apurar, mas seguiu-se um período em que o Fundão não tinha qualquer banda filarmónica.
Até que em 1963 a ADF- Associação Desportiva do Fundão cria a sua banda, tendo como maestro Manuel dos Santos Leitão e depois seu filho António Alves Leitão, que haviam militado numa ou mesmo nas duas bandas anteriores, sendo pessoas dedicadas à música, tanto em bandas como em orquestras.
A banda da ADF teve então uma atitude invulgar, ao iniciar o ensino da música nas escolas primárias, caso inédito até então em Portugal, sendo por esse facto cumprimentada pela Fundação Gulbenkian
A actividade desta banda terminou em 1976 e a partir de então não mais houve qualquer banda no Fundão.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

CHICO DA PONTE - MEU PAI

Meu pai nasceu em 1903. Viveu até 1984. Teria 110 anos, se hoje fosse vivo. Mas passados todos estes anos, ainda sou surpreendido com um episódio da sua vida. Nunca frequentou a escola porque a sua vida de trabalhador rural e ganhão nunca lho permitiram, mas ele aprendeu a ler e a escrever.
E foi a esse propósito que alguém, já com 70 anos de idade, me disse há dias: - “Tenho em casa um alfarrábio de meu avô, onde registava os valores e os géneros que recebia de pessoas que ele ensinava a ler, a escrever e a fazer contas. E o nome do seu pai também lá está. Sei que é ele, porque “Francisco da Ponte” não havia outro. Até os valores que então pagou e os géneros que entregou, lá estão registados”. Os géneros eram cereais, como grão, feijão ou outros. Como eu fiquei feliz por conhecer mais este episódio. Sabia que meu pai tinha sido um autodidacta, pelos relatos de familiares e pelos livros que encontrei em casa, depois do seu falecimento, mas que até pagou para aprender a ler e escrever, fiquei agora a saber. O quanto me orgulha por ser filho do Chico da Ponte e da Maria Joaquina !

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

NADA VEM DO NADA

A vida tem tudo o que de bom nos pode ser oferecido.
Mas tudo devemos fazer para o seu merecimento.
Não sei se ao longo da minha vida fiz o que devia fazer, para merecer todas as coisas boas que ela já me proporcionou.
Não exigindo muito da vida, considero que aquilo que me tem sido concedido é o bastante para me achar um privilegiado, face ao que me rodeia.
Reflectindo, sei que me considero feliz por tudo o que ela me deu.
E também sei que NADA VEM DO NADA.

sábado, 14 de setembro de 2013

Viagem com "música no coração"

Nem sempre o que o coração deseja, o ser físico consegue alcançar.
Mas não foi o caso, uma vez mais.
Graças a Deus que, também este ano, os objectivos que havia definido para as visitas a fazer através de uma viagem, foram alcançados, embora condicionados pelas datas permitidas pela minha ocupação profissional.
É certo que, ainda antes de dar inicio à mesma, não foi a música que tomou conta do meu coração, mas sim a tristeza pelo falecimento de uma irmã, que em pequeno foi uma segunda mãe para mim, que não pude acompanhar no último adeus, porque iria perder o que investira na viagem. Com amargura me confortei, dizendo para comigo: a vida tem de continuar.
Ao longo dos anos, fui vendo, por diversas vezes, o filme "Música no Coração", desde que ele surgiu em 1965.
Há poucos anos atrás, vi também o musical de Filipe La Féria baseado na mesma história e, sem dúvida que por essa influência, passei a alimentar a ideia de uma visita aos lugares onde o filme foi rodado - Salzburgo e Tirol austríaco.
Mas o programa escolhido oferecia muito mais que isso, podendo dizer que, no que a beleza natural se refere, superou as minhas expectativas, pelos recantos maravilhosos que toda a Baviera, Tirol e capital austríaca, que agora foi revisitada, nos oferecem.
Era o 1º. dia do programa e dia de aniversário da minha cara-metade.
Com  três horas de atraso na partida do voo, à chegada a Munique esperava-nos Dora, a simpática guia do circuito Nortravel, que haveria de nos acompanhar até final.
Depois de alojados, foi numa cervejaria local que o jantar nos foi servido, com o tradicional pernil no menu.
O 2º. dia de programa, começou com a panorâmica ao centro histórico de Munique, que nos permitiu apreciar a grandiosa avenida Ludwigstrasse, a Max Joseph Platz e seus teatros ao redor do Palácio Real, assim como o espectacular edifício da Câmara Municipal, na Marienplatz.
Aí nos colocámos de cabeça no ar, olhando a torre do edifício fronteiriço, para assistir ao espectáculo que o relógio nos proporcionou, na pantomina dos seus bonecos dançantes.
Estando em Munique, não conseguimos fugir à triste recordação do atentado de que foi vítima a equipa de Israel, nos jogos olímpicos de verão de 1972.
Partindo em direcção a Fussen, foi-nos proporcionado o almoço, após o qual se fez a espectacular visita ao Neuschwanstein, o castelo mandado construir por Luís II da Baviera, o rei que foi chamado de louco  e que viria a aparecer morto em circunstâncias misteriosas, dizendo-se ter sido a forma de acabar com a sua extravagante e megalómana maneira de viver, malbaratando os rendimentos do reino na construção de palácios luxuosos e dum castelo que nada tinha a ver com necessidades de defesa.
Neuschwanstein é esse claro exemplo, tendo servido de modelo, pela sua extravagância, para Walt Disney conceber os castelos dos seus contos de fadas.

Mas para além de toda a extravagância, o interior mostra também uma concepção visionária, que ia muito para além do seu tempo, levando os  turistas que agora visitam esta obra prima, a bendizer a loucura do rei Luís II da Baviera.
A terminar o dia, a viagem prosseguiu para Innsbruck através dos Alpes Bávaros, onde uma arreliadora avaria do autocarro nos interrompeu a marcha em plena paisagem tirolesa, mas que depressa foi superada, com um autocarro de substituição a levar-nos até àquela cidade.
O 3º. dia de programa apanhou-nos em Innsbruck, para conhecer esta linda cidade, com uma visita ao Museu Tirolês de Artes e Tradições Populares "Tiroler Volkskunstmuseum", referenciado como o mais belo e importante da europa, no seu género.

Após o almoço, a visita fez-se a algumas típicas e sempre floridas aldeias  tirolesas, onde o turismo se faz em grande escala à custa dos desportos de inverno, sendo possível o alojamento nas casas dos próprios habitantes locais, para além dos hotéis existentes.
A findar o dia e acompanhando o jantar, foi-nos proporcionado um espectáculo do genuíno folclore tirolês, do qual se dá uma ideia neste pequeno vídeo.
Para o 4º. dia de programa esperava-nos o deslumbramento de umas paisagens inigualáveis no Tirol italiano, com a visita a Cortina d'Ampezzo e Misurina, sendo a primeira uma estância de férias frequentada pelo jet-set italiano e internacional desde o século XIX.
Misurina surpreende-nos pela envolvência das imponentes montanhas alpinas, Dolomitas, que a UNESCO considerou "uma das mais belas paisagens de montanha do mundo", a que se junta a beleza de um lago de águas puras e cristalinas, tidas como potáveis no estado em que se encontram.
Depois deste manjar de beleza, que nos deixa a alma bem saciada, foi o calmo regresso ao nosso alojamento ainda em Innsbruck.
No 5º. dia do programa, esperava-nos a terra natal de Mozart e cidade dos Príncipes Arcebispos - Salzburgo, que foi visitada na companhia de guia local, levando-nos a conhecer locais como os jardins do Palácio Mirabel, as margens do rio Salzach, a antiga rua comercial Getreidegasse, também famosa pelas suas tabuletas em ferro forjado e por se encontrar ali a casa deste famoso compositor, o interior da Catedral, o Palácio dos Festivais e outras igrejas. Interessante a explicação e o conhecimento proporcionado sobre a existência do sal-gema no interior daquelas montanhas, assim dando origem aos nomes iniciados por salz.
Nessa tarde ainda foi possível fazer uma visita panorâmica a Gaisberg e conhecer o interior do Palácio Hellbrunn, que se tornou famoso pelos jogos de água no seus jardins, idealizados pelo Arcebispo Marcus Sitticus, apanhando desprevenidos alguns dos companheiros e de outros turistas, quando repuxos dissimulados entravam em funcionamento.
O 6º. dia do programa começou com a partida para Salzkammergut, uma região maravilhosa de lagos, montanhas e aldeias, que pela sua beleza foi escolhida para a rodagem de paisagens do filme "Música no Coração", tal como outros lugares por nós visitados no dia anterior em Salzburgo, também foram escolhidos, nomeadamente os jardins do Palácio Mirabel. As aldeias de St. Wolfgang e St. Gilgen foram duas dessas maravilhosas aldeias, sendo possível observar em St. Gilgen  a casa onde viveu a mãe de Mozart.
Deixando para trás aquelas maravilhosas paisagens, ainda nesse dia foi o nosso alojamento em Viena.
O 7º. dia do programa, em Viena, começou com um circuito panorâmico orientado por guia local, sendo para mim a repetição de visita anterior. Mas Viena é sempre uma grande atracção e mesmo que o tema sobre a história se repita à volta dos Hofburg e de figuras como o imperador Francisco José e a imperatriz Sissi, a atracção por esta imponente capital é inesgotável, como inesgotáveis são os pontos de interesse, os quais ficaram para as visitas de iniciativa pessoal, durante a tarde, aproveitando alguns para assistir a um concerto num dos teatros da cidade.
Ao princípio da noite foi-nos destinado o jantar na localidade de Grinzing, numa zona produtora de vinhos do bosque de Viena, com as populares "heuriger" ou tavernas típicas, onde se vende o vinho de produção própria e é servida a ementa tradicional. Também aqui, houve animação musical.
O 8º. dia e último do programa, disponibilizou um longo período de tempo até à hora de rumarmos ao aeroporto, para o qual a guia possibilitou a alternativa entre as visitas de iniciativa pessoal na cidade ou a deslocação para conhecer o bosque de Viena.
A opção pessoal foi o bosque de Viena, que permitiu conhecer o Convento dos Beneditinos, onde foi possível observar invulgares vitrais pretos, o palacete que também foi convento, onde se suicidou Rudolf, filho de Sissi, e a localidade de Baden, onde os banhos e o casino são atracção dos endinheirados berlinenses.
Em Viena ainda foi possível ver a festa dos produtores agrícolas, que se traduziu numa inusitada movimentação na Praça dos Heróis.
E lá chegou o momento de rumar a nossas casas, com um atraso do avião de cerca de duas horas, despedindo-nos da simpática Dora que, no seu português quase perfeito, nos disse ter inventado um novo verbo: "beijinhar".
E a propósito de "beijinhar" aqui ficam muitos beijinhos para ela, assim como uma saudação amiga ao motorista José.